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Kledir Ramil
Quando eu era guri, o leite vinha em garrafas de vidro, com uma tampinha de alumínio. Era um produto perecível. Devia ser guardado em geladeira, senão virava iogurte. Hoje, leite é vendido em uma embalagem chamada tetra pak, que dá a ele uma longa vida. Minha fantasia é que, tomando esse tipo de leite, eu também terei uma vida longa. Mas ninguém garante!
Não sei se você já tomou leite de verdade. Tô falando de leite de vaca, puro, tirado na hora. É uma experiência forte. Em geral, dá diarréia em quem não está acostumado. A arte de tirar leite da vaca chama-se ordenha. O cara senta num banquinho, agarra as tetas da mimosa e puxa, com uma técnica especial, que faz esguichar um jato de leite fresquinho.
Certa vez tentei ordenhar, mas não consegui. É um trabalho para especialistas. Depois, resolvi beber e passei mal. Sou um sujeito urbano, acostumado com leite de supermercado.
Dizem que o capitalismo começou, quando o homem se deu conta que, se botasse um pouco de água no leite, teria um lucro maior. A partir daí, a coisa perdeu o controle. O leite industrializado, apesar de cada vez mais aguado, nos trouxe coisas boas como a pasteurização, processo que esteriliza alimentos através de temperaturas elevadas, com o objetivo de acabar com microorganismos nocivos à saúde. Mas, também trouxe coisas ruins, como os conservantes.
O leite que sai de dentro da vaca é um líquido grosso, cheio de gordura. Essa, por sua vez, é usada para produzir os laticínios: queijo, manteiga, requeijão. Depois que tiram a gordura do leite, sobra uma água ralinha que é o que vendem pra gente, com o nome de leite desnatado.
Certa vez, conversando com um sujeito que trabalha na indústria alimentícia, comentei que costumava tomar o leite integral. Sempre imaginei que seria um alimento mais completo. Foi aí que fiquei sabendo, que o leite integral não tem mais a gordura natural. Também perde a nata e vira uma água ralinha. Só então é acrescido de um negócio chamado gordura “trans”, uma gordura artificial que dá a sensação de que o leite é mais encorpado.
Se você nunca ouvir falar em gordura “trans”, pode começar a se preocupar. É um veneno. É um tipo de produto artificial, que nosso organismo não digere. Aumenta a taxa de colesterol e fica vagando pelo corpo, até encontrar um lugar tranqüilo pra se acomodar. No meu caso, a barriga.
Não sei que tipo de leite você toma. Eu optei pelo desnatado, enquanto não compro uma vaca e aprendo a ordenhar. Nos primeiros dias, vai me dar uma diarréia, mas tudo bem. Em seguida, o corpo acostuma!
Kledir Ramil
