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Meu filho ficou indignado com a performance do Brasil no quadro de medalhas, nas Olimpíadas de Pequim. Tentei valorizar nossas conquistas, e explicar que somos um país emergente, cheio de necessidades sociais e dificuldades econômicas, mas o guri não quis ouvir. Queria mais resultados e ameaçou devolver a cidadania brasileira.

Quando ficou sabendo que o governo gastou quase R$ 700 milhões com a preparação para os Jogos, e conseguiu trazer apenas 13 medalhas – fora as do futebol, que tem patrocínio privado -, fez as contas e chegou à conclusão que cada medalha saiu por R$ 53 milhões. Bem, o assunto segue em pauta. Vai ser aberta uma CPI em Brasília, para investigar onde foi aplicado o dinheiro. Poderiam começar, tentando responder por que uma delegação de 277 atletas precisa ser acompanhada por 200 cartolas.

Como você já sabe, nunca participei de uma olimpíada, por culpa de minha professora de piano, que não me deixava participar de “jogos primitivos”.  Como eu estava liberado apenas para o xadrez e o gamão, cresci um atleta frustrado.

O que não me impede de ser um admirador dos Jogos Olímpicos. Acompanhei com entusiasmo a competição, com especial atenção às possíveis manifestações de apoio à causa do Tibet. Acabei frustrado: o pessoal só queria saber de esportes.

E, nesse sentido, o evento foi um sucesso. Fiquei impressionado com a quantidade de recordes que foram quebrados. Claro, cada vez inventam coisas mais extraordinárias, como maiôs que flutuam, varas flexíveis, calçados especiais etc. Isso sem falar das novas vitaminas, que ainda não aparecem nos exames antidoping. Ouvi dizer que tinha gente usando até comprimidos contra disfunção erétil crônica. Só não sei se o objetivo eram as disputas esportivas ou as performances de confraternização, que rolavam na vila olímpica.

O destaque absoluto, no quesito esquisitão, foi o homem-peixe Michael Phelps. Aquilo é feito em laboratório, não é natural! Devia ser proibido. O cara tem corpo de golfinho, um pé de pato número 47, cada braço vale por um remo de caiaque... E ainda treina o dia inteiro, de segunda à segunda. Dizem que não pára nem no Natal. Tudo bem, ganhou um monte de medalhas, mas não arranjou namorada nas festas da vila.

Uma das minhas surpresas foram os corredores da Jamaica. Não consigo uma explicação lógica para os jamaicanos correrem tanto. Um amigo me falou que são rastafáris que, depois de anos, cortam o cabelo e ficam mais leves. Sei, não.
Merece registro especial a cena da corredora, que parou para fazer xixi no meio fio. Maravilhosa! E a vara da brasileira que sumiu. Como é que some uma vara daquele tamanho? É caso de polícia. A China nos deve uma explicação.

E o futebol? No sé, que pasó? Yo soy argentino, porteño, natural de Buenos Aires, toco bandoneón...

Kledir Ramil

Kledir Ramil