Envie por e-mail

Ando preocupado com essa quebradeira dos bancos americanos. É o fim do capitalismo, ou pelo menos desse capitalismo que vem sendo praticado. Talvez seja o 2º fim da história. O primeiro, dizem, foi a queda do Muro de Berlim.

Agora, chegou a vez do lucro desenfreado, desmedido e sem pudores, ter que prestar contas. Mas pra quem? Pra Deus? Pro Bush é que não é, pois o governo dos EUA está pegando US$ 700 bilhões do contribuinte, para socorrer a farra. Por uma ironia do destino, é o “Estado mínimo” precisando ajudar a iniciativa privada.

Os altos executivos dessa ciranda financeira, os gerentes do cassino, chamam a si mesmos de Mestres do Universo, e remuneram seus serviços - que eu me recuso a chamar de “trabalho” - com bônus e participações astronômicas. Estão bilionários e seguirão assim. Sem prestar contas.

Já o contribuinte americano vai ter que pagar a fatura dos abusos e riscos, jogados na roleta bancária. Apesar disso, torço para que esse pacote do governo Bush acalme o mercado. Do contrário, seria o caos. De qualquer forma, o capitalismo nunca mais será o mesmo. Ou não. Quem sou eu pra dar palpite? A coisa pode voltar com mais apetite ainda.

Minhas preocupações são mais de caráter coletivo, já que não tenho interesses pessoais depositados em bancos. Serei atingido apenas por tabela, como todo mundo. Minha riqueza se resume a uma obra artística, da qual muito me orgulho. E mais do que tudo, de minha capacidade de continuar produzindo. Um artista é como a galinha de ovos de ouro. É o tipo de coisa que não quebra, a não ser que alguém pegue um martelo e bata na minha cabeça.

Antigamente, era pecado ganhar dinheiro com dinheiro. Eu sou meio old fashion, continuo acreditando que se deveria ganhar dinheiro com o trabalho. Vai ver que é por isso que não dá certo.

Meu filho chegou em casa, entusiasmado com a "bolha". Nada mais é do que um novo nome para aquelas correntes e pirâmides, que fizeram sucesso há alguns anos. O cara entra com 50 e ganha 1 milhão. Uma ilusão que só funciona pro primeiro da lista.

Tentei convencê-lo de que é uma roubada, que toda bolha sempre estoura, mas essa gurizada não me escuta mais. Acho que eles têm razão. Quem sou eu pra ensinar economia de mercado, no sec XXI? Um cara que cresceu ouvindo a mãe dizer: “Não mexe com dinheiro, que isso é coisa suja”!

Kledir Ramil

Kledir Ramil