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Neste momento, estou na estrada que vai de Calcutá para  Navadwip, no west bengal da Índia.

Estou à beira da morte, e tentando relatar essa experiência sem deixar meu emocional virar um caos. Estou num carro de aluguel, com um motorista indiano que não fala inglês e sentada no banco detrás, com meu laptop nas pernas e a câmera fotográfica do lado.

Atrás dos carros está escrito: please horn e buzinar é obrigatório. Um caos! Os carros têm direção do lado direito, o que torna a experiência mais caótica. Vem carro de frente nas duas pistas e, à última hora, dá tudo certo... uau!

Estou viajando sozinha, meus amigos já estão em Navadwip. Estou indo à sagrada terra de SRI CHAITANYA MAHAPRABHU (uma das encarnações de Sri Krishna), para o aniversário do GURU do nosso GURU, que já partiu deste mundo. É nesta cidade que se encontram seu corpo (na Índia, não se crema o corpo dos santos) e sua alma. É em Navadwip que fica nossa principal escola, SRI CHAITANYA SARASWATI MATH. Foi lá que tudo começou, pela graça de Sua Santidade SRILA BHAKTI  RAKSAKA SRIDHAR DEV GOSWAMI MAHARAJ, o GURU DO NOSSO GURU.

Guru não morre, abandona o corpo, mas continua presente.
 
A estrada é de mão dupla, e faz uma hora e meia que tenho a impressão que vamos bater de frente com algum outro carro. O tempo todo a gente passa por vilarejos super coloridos, e os carros e caminhões se misturam com vacas, encantadores de serpentes, crianças indo para a escola etc. É bem tipo EU DIRIJO E DEUS ME GUIA... deve ser por isso que, na frente dos ônibus, está escrito: GOOD CARRIAGE.
 
O som do carro está altíssimo e muito alegre. Estou deixando o motorista à vontade, para ver como o universo vai se manifestar para mim. Epa! Agora o celular tocou, e ele vai atender... Epa! Está esticando a conversa... Ah, isso eu não vou deixar! Ei, Sir, no no no... no mobile fone... no... e fiz gestos desesperados, por causa do perigo iminente na estrada. Ele balançou a cabeça, fazendo um ‘sim’ indiano, e continuou falando. Precisei ficar brava, furiosa. Ele desligou o celular, riu gostoso, aumentou o som e ficou dando mexidinhas com o corpo, como se estivesse dançando.
 
Estamos quase chegando em Navadwip. Já posso ver a ponte de Jagai e Madai (dois canalhas que se tornaram santos). Atravessamos o Rio Ganges... já posso ver as cúpulas do templo, e meu coração dispara. E pensar que vim aqui pela primeira vez há 22 anos, sozinha e com pouquíssimo dinheiro. Me lembro que cheguei em Calcutá e, no aeroporto, peguei um táxi que me levou numa casinha onde é hoje o guesthouse do dum dum park, e de lá um rapaz me levou até uma estação de trem tridimensional (nem vou tentar descrever). Pegamos um assento junto com indianos, galinhas, cestos e aromas... descemos em Navadwip, três horas depois. Cheguei a primeira vez sem carta de recomendação, sem noção do que iria acontecer. Vim com meu coração aberto, para conhecer uma Santidade. E conheci! 
 
Agora, vou fechar o computador para honrar o local e oferecer minhas reverências.
 
Segundo capítulo :
 
Tenho a impressão que cheguei em casa. Sinto o conforto do lar. Sinto minha alma. Sinto amor, esperança e inspiração.
Fui ver as deidades nos templos, prestar reverências e fazer doações. Depois, fui tomar prasada (comida abençoada) e agora vou descansar.

Estou viva, em paz e muito feliz por estar aqui.
Parece que estou na casa da minha alma.

Um abraço com alegria

Regina Shakty

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