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Agora a pouco, fiquei sabendo que hoje é domingo (2) e já entramos em novembro. Então, faz um mês que não me vejo no espelho. Tenho apenas um espelhinho de bolsa, que olho um olho de cada vez, a boca e a língua. Mas tudo de uma vez, não dá para ver.

Estou aqui em Navadwip, no west bengal da Índia, num ashram de Bhakti Yoga, o Yoga da alma. Aqui, quanto menos se identificar com o corpo, melhor . De acordo com Sua Santidade Srila B.R.Sridhar. Dev Goswami Mhj , não conseguimos compreender nem perceber nossa alma .

A mente recebe a experiência do mundo através dos sentidos. A alma fica acima da mente e dentro de nós, enfim... o primeiro passo é sentir nossa própria alma, para entender nossa real existência e identidade espiritual. Para entendermos que somos a alma, precisamos antes de mais nada sentir nossa própria identidade. Enfim, é por isso que não há espelhos por aqui.

Normalmente, estamos tão identificados com nosso corpo, estamos num tal estado equivocado, que não conseguimos sentir nossa própria alma. Ashram, significa um local apropriado para desenvolver a consciência da alma e a harmonia interna. Nosso ashram no Brasil, em Campos do Jordão (SP), é uma Disney, se compararmos com o SRI CHAYTANIA SARASWAT MATH, o ashram onde me encontro no momento.

Aqui, os sinos tocam às 3h30 da manhã, para acordar todo mundo e dar tempo de tomar banho, se vestir etc., para o primeiro encontro às 4h30. Aí no Brasil, no nosso ashram, o primeiro encontro é às 6h e às 8h, para os hóspedes. É fundamental para o progresso, na prática de Bhakti Yoga, acordar antes do sol nascer. Ainda está escuro, quando a gente canta 'jiv jago, jiv jago... gauracanda bole'... etc., que significa : acordem almas adormecidas, acordem... não percam muito tempo dormindo e decorando seus corpos...

E todo mundo canta junto, levanta as mãos para o céu e deseja acordar a alma... nunca mais vou parar de cantar essa canção. Quando o sol nasce, já cantamos por mais de uma hora e, quando clareia, glorificamos a vida que se manifesta. Pela manhã, todos oferecem reverências uns aos outros. E, sempre que nosso GURU está no local, logo depois dos cantos, todos vão lhe oferecer reverências, presentes e afeto.

Aqui tem regras fixas e diferentes administradores, que dividem competência. Mahananda prabhu é um devoto inglês, que usa toda sua polidez para deixar bem claro que devemos seguir as regras ou nos retirar. Ele cuida dos devotos ocidentais, está sempre preocupado com o bem estar de todos e disponível para ajudar. (de óculos escuros) Acharya Maharaj é indiano da bengala e cuida das construções, plantações e devotos locais (de roupa safrão).

Os pujaris cuidam dos templos e só fazem isso, oferecendo todos os dias todas as refeições no altar, assim que ficam prontas. Só depois de oferecidas é que comemos. A comida, depois de oferecida, chama-se prasada e é uma fonte de potência, luz e alegria. Às vezes, quando temos algum problema e vamos falar com nosso GURU, Ele ouve atentamente a ladainha toda. Depois, olha com misericórdia e diz : 'take prasada'... Ele sempre oferece prasada para quem está triste, com problemas ou perturbado com alguma coisa.

Os pujaris sempre tomam banho para fazer as oferendas, não tocam em animais e, se usam roupas safrão, não tocam em mulheres. Sempre que oferecem a comida, oferecem junto, incensos, lamparinas, doces e tocam a concha . A equipe da cozinha é formada por homens e senhoras bem idosas. As jovens não entram na cozinha, por causa da menstruação e da luxúria.

Tem também a equipe de segurança, que fica em frente de cada portão, na frente do museu e no guest house . Enfim....é tudo organizado dentro do possível. Goshala é onde moram as vacas, que são tratadas com muito respeito e consideradas uma das nossas mães. Todo o leite que tomamos, aqui no ashram, vem delas e também o iogurte e o panner (ricota) .

Seva é serviço voluntário e também uma fonte de vitalidade e alegria. Portanto, todo serviço feito ao ashram faz parte, para encontrar o que viemos buscar aqui : felicidade. Seva significa obedecer o GURU, e as pessoas que Ele qualifica para liderar.


Eu pude obsevar que, das pessoas que vieram comigo, a Lila Sundari, mãe da minha afilhada Jaya, é a que mais se beneficia de estar aqui, porque está sempre trabalhando. Vai nas rezas com boa disposição, é sempre muito gentil, nunca fala mal de ninguém e faz boas doações. Ela trabalha mais, por isso brilha mais e conquista facilmente qualquer pessoa... Essa moça bonita da foto é a Lila Sundari com sua filhinha Jayabati.

Os dias aqui são muito intensos. São tantas emoções, percepções e realizações, que cada dia parece uma semana.

Um abraço a todos

Regina Shakty

 

Regina Shakty: Na Índia com meu Guru (parte 11)