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Viemos às pressas para Calcutá, porque nosso GURUDEV foi internado na terapia intensiva. Tive 15 minutos para arrumar uma malinha e trocar de roupa. Aqui é tudo meio no improviso, por isso que não funciona muita bagagem. Viemos no tata sumo do ashram e quem dirigiu foi Mahananda, o devoto inglês que cuida dos ocidentais.

Sair de Navadwip foi algo único, porque as ruas são de mão dupla, mas não cabem dois carros um ao lado do outro. Normalmente, o trânsito é de bicicletas, rickshas, carroças, procissões, búfalos e vacas... quando dois carros se cruzam, vira um evento. Todos em volta ficam dando palpites, precisa entrar num tipo de acostamento e a situação se desembaraça sem estresse, na alegria.

Depois que saimos do vilarejo sagrado, que não tem açougue e tem muita procissão, pegamos a estrada para Calcutá; quem leu a coluna A Viagem (6) sabe do que estou falando.
 
Antes de começarmos a viagem, já tinha ido à reza das 4h30 da manhã, visitado os templos, feito massagem numa vaca que está com dificuldade de amamentar, curativo num velhinho com tumor no joelho, cumprido minha função de gari varrendo a frente do ashram, dado comida aos peixes, lavado minha roupa, limpado o quarto... saimos às 9h.

Chegamos às 13h, na cidade mais assustadora do planeta: Calcutá.
 
Entramos no guest house, e todos estavam muito tristes e acabados. Ninguém tinha dormido, porque nosso GURU passou mal a noite toda. E o pior é que está vindo gente do mundo inteiro, para seu aniversário que será dia 14 de dezembro. O aniversário do GURU é a data mais importante para o discípulo e a festa é enorme.

Há três anos, no último aniversário que vim, foram servidas refeições (prasada) para mais de 10 mil pessoas. Se Ele não puder sair de Calcutá, nem sei como vai ser, porque aqui não cabe muita gente; talvez dê para acomodar umas 150 pessoas.

Em Navadwip dá para acomodar umas 800 pessoas. É o melhor lugar para a festa, por ser um local sagrado e a sede principal da nossa escola. Os indianos vêm em onibus e se amontoam com facilidade. Chegam pela manhã e voltam no fim da tarde. A festa, na verdade, dura três dias. Um dia para praparar tudo, outro para receber todo mundo e outro para comer o que sobrou, comentar tudo que aconteceu e finalizar.
 
Nosso Guru pede para não ficarmos saindo e voltando com sacolas cheias de compras porque, se os comunistas acharem que temos dinheiro, podem invadir o ashram. De qualquer forma, o momento é de recolhimento e oração . Ele está nos preparando para o momento em que irá abandonar o corpo.  Um dia, todos nós teremos de abandonar esse corpo, mas a gente vive como se isso não fosse acontecer.

A maior das bênçãos que recebi nessa vida, foi ter conhecido meu GURU, porque Ele é uma fonte permanente de inspiração e um exemplo vivo de que vale a pena refinar o caráter, vale a pena se esforçar para ser humilde, ser tolerante e respeitosa. Vale muito a pena sair da identificação com o corpo e focar na alma.

Nesse momento, milhares de pessoas no mundo inteiro estão abatidas, por saber que Sua Divina Graça está sofrendo. Ele conquistou o mundo, porque conquistou o coração de todo mundo.

Sua refulgência preenche todo o espaço.

Sua magnitude causa um certo êxtase.

Sua doçura é divina e seu charme irresistível.

Sinto que Ele ficará mais um pouco, para preparar melhor a gente.

Todas as glórias para Sua Santidade Srila Bhakti Sundar Govinda Dev Goswami Maharaj.

Todas as glórias às grandes almas.

Um abraço a todos

Obrigada pelos e.mails e comentários

Regina Shakty