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17/03/2013 | 13h03m - Publicado por: Neto Lucon | Foto: Munir Chatack/ Divulgação Record

Aos 40, André Segatti garante: “Estou ainda melhor”

Em entrevista a O Fuxico, ator afirma que lutou para se esquivar dos papeis de mocinho

Aos 40, André Segatti garante: “Estou ainda melhor” - Munir Chatack/ Divulgação Record

Loiro, olhos claros e corpo atlético. André Segatti bem que poderia se confortar com o tipo físico de galã e se aprofundar com tranquilidade nos papéis de "bons moços". Porém, em entrevista a O Fuxico, o ator revela que sempre considerou os mocinhos menos interessantes e que, disposto a interpretar grandes vilões, suou a camisa para fazer maldades na TV. 

A vontade perdurou durante anos - ele esteve na pele de príncipes e "homens de família" no humorístico Turma do Didi, na novela Malhação e na minissérie Chiquinha Gonzaga . Até que em 2006 , depois de tanto solicitar a oportunidade, o ator foi convidado para dar vida ao seu primeiro malfeitor de grande repercussão: Gerião Correia na novela Prova de Amor, da Record.

Com a chance nas mãos, André superou o estereótipo, livrou-se dos fios loiros e, desde então, se tornou especialista no ramo do mal, para a sua realização profissional e o azar dos novos mocinhos da ficção. André, que hoje dá vida ao malandro regenerado Magno, de Balacobaco, soma cinco papeis dentro da vilania, de vários perfis e níveis de maldade. 

Aos 40 anos, o artista está em plena forma e afirma que a maturidade o ajudou a emplacar papéis ricos e complexos. E garante também que o momento é de comemoração, amadurecimento profissional, respeito entre o público e a classe artística. 

O Fuxico: Há mais 20 anos você ostenta a fama de galã. Ao completar 40 anos, o que mudou?

AS: Mudou somente o entendimento da vida, o amadurecimento e a consciência de que as coisas mais simples são as mais importantes. Aos 40, estou mais sábio e ainda melhor. A idade é simbólica, cronológica, mas não é espírito, então não diz nada. Em alguns momentos, eu me questionei como seria envelhecer, mas hoje observo essa questão de maneira natural, com mais aceitação. O passar dos anos está sento tranquilo, normal, sem ser um bicho de sete cabeças. Além disso, tenho hábitos saudáveis, corro atrás...

OF: E quais são os seus hábitos e cuidados com o corpo?

AS: Faço caminhada, esporte, pratico surfe, malho...  Não tem segredo, tudo é matemática: se comer besteira vai aparecer uma hora ou outra. Pensando nisso, faço tratamento ortomolecular, tenho alimentação saudável e faço atividades físicas. Como de três em três horas, evito frituras, doce e gorduras. Balanceio os exageros com fruta, salada, lentilha, carne e peixe. Acredito que estou bem e com boa saúde.

OF: Profissionalmente, nota que o perfil dos seus personagens mudou?

AS: São 33 anos de trabalho destinado à arte, então acredito que, quando ficamos mais velhos, naturalmente os personagens passam a ser mais experientes e exigem mais experiência. Hoje, tenho mais entendimento pelo ofício de ator, que antes. Com toda certeza realizo trabalhos mais interessantes aos 40 que aos 30. Caso fizesse o Magno aos 30, talvez eu não o fizesse dessa forma e ele não tivesse mais inteiro, mais completo.

OF: Assim como Magno, seus últimos cinco personagens são vilões. Qual o motivo do seu fascínio para a vilania?

AS: Tudo foi uma busca, pois procurei interpretar vilões. Quando estava no teatro profissional aos 17 anos, sempre me davam o papel do bom moço, do príncipe, do mocinho, baseado principalmente na minha estética. Porém, sempre tive a consciência de que com o papel de vilão daria para desenvolver o trabalho com maior excelência, com elementos diversificados de composição, possibilidades e entrega. Queria interpretar o lado mal justamente por ser o oposto de mim e exigir maior dedicação, laboratório, por estar em uma realidade distante. O ator vive de desafios. 

OF: Como foi interpretar o primeiro vilão da sua carreira?

AS: Pedi muito para muitos autores, mas nunca surgia a oportunidade. Meu primeiro vilão foi na peça Os Duelistas (2001), com direção de Jorge Fernando. Como a produção foi minha, não deixei a oportunidade passar (risos) e foi uma delícia, uma realização total. Já na televisão, interpretei o malandro bem humorado Gerião, de Prova de Amor, do Tiago Santiago. Fiz uma composição muito rica - o cabelo ficou escuro, emagreci vinte quilos – e até hoje as pessoas me abordam. Foi um personagem diferente, que me completou durante o processo.

OF: As pessoas confundem vilão com ator? É verdade que já foi agredido?  

AS: Não, não. As pessoas sabem distanciar o personagem da vida real, mas a abordagem é diferente. Alguns chegam brincando e brigando, sem agressividade, dão uma durazinha por conta de alguma maldade. Mas a maioria te olha muito e não tem coragem de chegar perto, ficam ressabiadas. O trabalho cria essa imagem, é impactante. Há um respeito dos fãs e da própria classe artística. Já nos papel de mocinho, a abordagem é mais escrachada, mais frequente e mais espontânea, com pedidos de fotos.  

OF: Em sua participação em A Fazenda 2, por outro lado, você foi visto como o mocinho. Como avalia essa experiência e o fato de ter ficado em segundo lugar?

AS: Vou achar eternamente que foi uma passagem vitoriosa. Pois a vitória de um verdadeiro campeão não é o prêmio, mas a sua trajetória. Fiz a política do bem, do amigo, do cara que está para somar, que não é intrigueiro, que trabalhou com inteligência emocional, que desenvolveu tarefas sem estarem na minha função, que cuidou com carinho dos animais. Os atos não podem ser justificados porque é um jogo, afinal quem é escroto em um reality show é escroto na vida real. O público viu isso e me colocou na final pela minha conduta. E também quero dizer que realmente queria que a Karina [Bacchi, vencedora da edição] estivesse comigo. Gostei da conduta dela.  

 OF: Manteve alguma amizade com os participantes?

AS: Não vi mais ninguém, mas ficou o carinho. Já encontrei o Maurício [Manieri], Leozinho, e o Xuxa [Fernando Scherer] em festas, trabalhei com a Cacau Mello na minissérie da Record... Amigos são como estrelas, mesmo quando a gente não vê tanto, a gente sabe que elas estão lá.

OF: Qual é o seu maior sonho hoje em dia?

AS: É fazer cinema. Não somente o brasileiro, mas o americano. E, por incrível que pareça, as oportunidades são maiores no cinema americano. Lá, ficamos sabendo dos testes, do que está acontecendo e as coisas acontecem de maneira mais rápida. Meu foco é cinema, produzindo, dirigindo, atuando, estudando. Mas é claro que nunca vou deixar de fazer novela e teatro, tudo o que é arte. Em breve, tenho três projetos de cinema, com roteiros bem bacanas, para revelar. Aguardem!  

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