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01/07/2013 | 11h35m - Publicado por: Flavia Serra | Foto: Divulgação

Armando Babaioff: “Tenho medo de virar um ator burocrático”

O ator vive o Érico de Sangue Bom e diz que tem a mesma humanidade de seu personagem

Armando Babaioff: “Tenho medo de virar um ator burocrático” - Divulgação

Armando Babaioff é um dos jovens talentos da nova safra de atores apresentada pela Globo. Vivendo atualmente o doce e romântico Érico, da novela Sangue Bom, trama das 19h, Babaioff já tem uma longa trajetória no teatro.

Aos 32 anos, o ator é formado pela Escola Técnica Estadual de Teatro Martins Pena e em artes cênicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

No teatro, entre seus principais trabalhos, está a peça A Primeira Noite de um Homem, ao lado de Vera Fisher e com direção, tradução e adaptação de Miguel Falabella.

Em 2006 Babaioff estreou na telinha como o Felipe, em Páginas da Vida. Na sequência deu vida ao Benoliel, em Duas Caras, e Thales Salmerón, personagem de TiTiTi que no final da trama assumia sua homossexualidade. O ator também integrou o elenco da série Dercy de Verdade, em que viveu Homero Kossak, grande amor da vida da comediante.

Atualmente o ator se divide entre o trabalho em Sangue Bom e a encenação da peça O Que Você Mentir eu Acredito, em cartaz no Rio de Janeiro.

Em meio à correria diária, Babaioff conversou com a reportagem de O Fuxico e contou um pouco de sua trajetória, do que representa a profissão de ator, além de dar algumas pitadas do seu jeito de ser e de seu personagem na novela Sangue Bom. Confira!

 O Fuxico: Você começou a se interessar por teatro já desde muito cedo. Fala um pouco sobre esse seu início, ainda criança. O que despertou em você o interesse pela carreira de ator?

Armando Babaioff: Eu não faço a menor ideia de como começou essa vontade. O Teatro entrou na minha vida de uma forma meio solta, comecei a brincar na escola por pura intuição aos 11 anos na hora do recreio. Organizava a turma e criava peças. Um dia cheguei para os meus pais e disse: "Quero ser ator". Ainda era pequeno, não tinha a menor noção de que seria essa a minha profissão. Depois comecei a estudar em outra escola da rede pública do Rio de Janeiro, chamada Escola Municipal Pio X, e tínhamos aulas de teatro. Foi lá que estreitei a minha ligação com esse universo das artes. E foi de extrema importância ter estudado teatro ainda na minha infância/adolescência. Ter tido o teatro na base da educação foi importante não só pra mim, que vivo profissionalmente da minha arte, mas também para todos os meus colegas que hoje trabalham com outras coisas - são médicos, engenheiros, arquitetos, biólogos. Tenho certeza disso.

OF: De lá pra cá, no decorrer de sua trajetória, alguma vez passou pela sua cabeça mudar de rumo, seguir outra carreira? O que seria se não fosse ator?

AB: Sempre. Sempre penso em fazer outra coisa. Não que não goste do que eu faço. Pelo contrário, eu amo a minha profissão, mas por curiosidade mesmo. Se eu não fosse ator, certamente trabalharia com qualquer coisa que exigisse a comunicação. Sou muito expansivo, eu gosto de falar. Quando pequeno queria ser garçom, arqueólogo, biólogo.

OF: Qual a maior dificuldade enfrentada por você profissionalmente até chegar onde está hoje?

AB: Se estabelecer profissionalmente nessa profissão é muito difícil. É preciso ter vocação para ser ator e muito amor para não desistir no primeiro não. E olha que não são poucos. Viver de teatro no nosso país é muito difícil e eu me considero um privilegiado por isso. Sempre procurei estudar bastante, procurei uma formação, sou formado pela Escola Estadual de Teatro Martins Pena e pela Universidade do Rio de Janeiro, a Uni Rio. Também já trabalhei com assessoria de imprensa durante o período em que participei de uma companhia de teatro, a Quantum. Atualmente, tenho produzido as minhas peças e estou na minha segunda produção, uma peça chamada O que você mentir eu acredito. Como ator é preciso se reinventar sempre, ser inquieto.

OF: Como sua família encarou a escolha de você ser ator? Foi tudo numa boa ou alguém chegou a ser contra?

AB:Foi supertranquilo. Meus pais só me disseram que não podiam fazer nada por mim além de me dar saúde e educação. Disseram que eu teria que trilhar meu próprio caminho, pois não sabiam realmente como me ajudar.

OF:O que mais te encanta em sua profissão?

AB: O cheiro do palco. O ensaio. Dizer que "não vou conseguir fazer", dormir e acordar pensando no personagem, desejar "merda" aos colegas, contracenar. Contracenar. Conhecer o outro e cada vez mais conhecer a si mesmo. Fazer teatro é conhecer a si mesmo, é se expor sem se expor. É pensar no coletivo. É se desarmar, se desnudar.

OF: Até aqui, qual foi o papel que mais te marcou? Seja na tevê, teatro ou cinema?

AB: No teatro posso seguramente dizer que foi o Benjamin, de "A primeira noite de um homem". Foi um marco, tudo realmente começou por causa dessa peça. Posso também falar do Dodó, de "O Santo e a Porca", que me rendeu indicações a prêmios no Rio. São vários: o Cliente, na minha primeira produção de teatro, o espetáculo "Na Solidão dos Campos de Algodão", onde fui indicado a melhor ator pela APTR, o Jasão de "Gota D'água", que era um dos personagens que eu queria ter feito na vida e realizei esse sonho, além de ter me levado Portugal em turnê. Posso falar também do Hémon, de "Rockantygona", e do Moacir, de "A Propósito de Senhorita Júlia". Foram personagens que me marcaram. Em TV, certamente o Thales de "Ti-ti-ti" entra nessa lista, assim como o Homero Kossac, de "Dercy", pelo carinho que tive em interpretar um grande homem que está vivo até hoje. Pra você ver que os personagens marcam a gente mesmo.

OF: E qual papel você sonha em fazer um dia?

AB: O Jasão, na "Gota D'água", para mim foi um desses papéis que eu queria interpretar um dia na vida. Ultimamente o que me faz escolher que peça fazer é com quem eu vou trabalhar, o diretor, os atores. Confesso que tenho uma atração pelos clássicos sendo revisitados. Gosto de releituras.

OF:Que tipo de personagem você não faria de jeito nenhum? Tem alguma coisa que se negaria a fazer?

AB:O tipo que não me interessa. Algo que seja raso, sem conflito, que não me exija como ator. Tenho muito medo de virar um ator burocrático, por isso gosto muito de desafios. Personagens que não são desafiadores geralmente não me interessam.

OF:Você é um homem vaidoso? O que faz para cuidar da beleza e da forma física?

AB: Descobri que sou menos vaidoso do que pensava. Cabelo penteado, perfume e unhas aparadas é o máximo de vaidade para mim.

OF: Falando de seu personagem em Sangue Bom, o que você tem do Érico e o que levou do Armando para o personagem?

AB: Tenho a humanidade dele. Ele se preocupa muito com o outro, é um homem justo e isso eu prezo bastante na vida. A simplicidade dele pode ser algo que eu tenha emprestado. Ele também não foge de uma briga, sabe se defender, e você pode ter certeza de que quando preciso dessa energia, pego emprestada de mim também e da minha vivência.

OF: Você acha que homem sofre mesmo por amor? Já passou por alguma situação parecida com a do Érico?

AB:Acho, tenho certeza. Nunca vivi uma situação como a do Érico. Ele, por ter sido a Renata sua primeira namorada, não teve muita oportunidade de viver outras relações. Não teve outras experiências, por isso age dessa forma, ainda tentando entender o que aconteceu com ele de fato.

OF:Acredita que um amor de infância, como da Renata e do Érico, possa ser para a vida toda?

AB: Acredito. A vida, inclusive, pode dar voltas e eles voltarem a se encontrar anos depois. Já ouvimos muitas histórias assim. Fora os filmes com esse roteiro.

OF: Já perdoou, ou foi perdoado, por alguma traição?

AB: Nunca vivi situação parecida. Nem em relacionamentos amorosos e nem com amigos ou profissionais.

OF: Como está sua vida, com o tempo dividido entre tevê e teatro? Muita correria?

AB:Bastante. Sem tempo para nada. Mas, de verdade, está do jeito que eu gosto. Gosto dessa correria, parece que o tempo fica mais otimizado e quanto mais coisas faço, mais coisas aparecem.

OF: O que gosta de fazer quando consegue um tempinho livre?

AB: Gosto de celebrar o ócio e não fazer nada. Ver TV, ler um livro, assistir a um filme. Gosto de ficar em casa e também de juntar os amigos para jantar, na minha casa ou na casa de alguém.

OF:Como lida com o assédio? Aumentou muito com o Érico?

AB:Sou tranquilo com relação a assédio, que é normal aumentar, principalmente quando estamos no ar, especialmente com um personagem contando uma história que mexe com as pessoas. O tempo todo escuto conselhos, dicas, alguns engraçadinhos dizem para abrir o olho com a Renata, outros decidem com quem o Érico deve ficar. Acho divertido.

OF: Mudando de assunto, o que você acha do atual momento do Brasil, com o povo indo para às ruas para manifestar contra tantas coisas erradas?

AB: Me emociona e me enche de orgulho. Estive nas duas últimas grandes manifestações aqui no Rio de Janeiro para engrossar o coro de que mudanças são necessárias para o desenvolvimento, de que é preciso olhar com muito mais atenção para a saúde e educação desse país. Existe um sertão, e em toda eleição é prometida água. É um momento de extrema união. A gota d`água foram as manifestações contrárias ao aumento da tarifa de transportes urbanos e à truculência com que a polícia de SP agiu contra os manifestantes. É a hora dos governantes desse país darem voz ao povo que tanto precisa ser ouvido. Que a corrupção seja combatida como crime hediondo. Me revolta saber que uma minoria se beneficia de dinheiro desviado da saúde e educação. Mas minha torcida vai mesmo para uma melhor distribuição de renda nesse país.

OF: Nesse momento, qual é o grande de sonho de sua vida, tendo em vista que muitos sonhos mudam no decorrer da nossa trajetória.

AB: Viajar.

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