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18/06/2018 | 19h10m - Publicado por: Aleixo Eder/Empoderadxs | Foto: Reprodução

Beyoncé e Jay-Z questionam representatividade negra em clipe gravado no Louvre

Recentemente, casal lançou, junto, o álbum Everything Is Love

Beyoncé e Jay-Z questionam representatividade negra em clipe gravado no Louvre - Reprodução
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No último sábado, 16, Beyoncé e Jay-Z lançaram um trabalho conjunto, álbum ‘Everything is Love’, o primeiro do casal assinando como The Carters o anuncio surpresa foi feito no London Stadium, em Londres.

O clipe do single de divulgação, ‘APES**T’, é uma obra de arte áudio visual. Gravado no Museu do Louvre, o clipe tem uma visualidade impressionante, carregada de referências artísticas que dialogam com as bandeiras políticas do casal.

A primeira cena do casal, eles em frente a Mona Lisa que provavelmente a imagem mais conhecida de todos os tempos. Além da obra de Leonardo da Vinci muitas outras aparecem no Clipe, como a ‘Intervenção das Sabinas’ de Jacques Louis David e a ‘Balsa da Medusa’ de Théodore Géricault.

Mãos dadas e de branco em frente a Vitoria de Samotrácia, estatua grega que representa Nice deusa da vitória, a cena é uma das primeiras afirmações do clipe. Eles são vitoriosos. O vídeo é uma declaração visual do sucesso do casal, num mundo de adversidades.

A escolha do Museu do Louvre como set é bastante significativa. Possuidor de uma das maiores coleções de arte do mundo, o museu é um exemplo do que são os reflexos do colonialismo europeu na validação da produção de conhecimento. A grande maioria das obras de caráter artístico do museu retratam a história da arte como uma história centrada na Europa, enquanto obras como as do acervo egípcio representam diretamente a história de dominação e saque cultural exercido pelos povos europeus. A coleção egípcia assim como outras coleções de história antiga são fruto dos saques europeus durante os colonizações.

O vídeo discute a representação dos negros a partir da apropriação de imagens da história da arte. Negros retratados nos quadros estão quase sempre numa posição de serviçal e nunca são figura central das imagens. Esse problema de representação é uma constante em todos os museus considerados mundialmente importantes, e ainda é um problema em todos os lugares, o negros continuam a ser sub representados e explorados.

O problema não está apenas na representação como imagem, o número de obras de artistas negros em museus também é muito inferior ao número de artistas brancos em exposição. Isso quando há algum artista negro em exposição.

Essas relações de poder estão representadas em diversos ângulos, e eles foram até o museu e subverteram a ordem. Se apropriaram da própria falta de representação para criar uma nova obra de arte onde são o foco.

A letra da música fala das relações entre os artistas e a indústria do entretenimento, e de como as relações de poder não são mais as mesmas, o jogo está virando. Nesse momento de extrema virtualização da informação eles não estão mais amarrados a indústria e com essa independência é a indústria que precisa deles, já que sua imagem move multidões.

A direção de Ricky Saiz abusou das referências e coroou o clipe com um jogo de palavras inteligentíssimo. Em uma das cena Beyonce aparece dançando entre um grupo de bailarinas em frente ao quadro da autocoroação de Napoleão. O quadro que representa a cena em que Napoleão, após assumir o poder e convidar o papa para sua coroação, o que parecia uma tentativa de fazer as pazes entre a coroa francesa e a igreja, tomou a coroa e coroou a si mesmo e sua esposa, tendo o papa e a Igreja como apenas meros convidados em sua posse, representando seu poder absoluto mesmo frente à Igreja que representava um dos maiores poderes existentes.

Essa cena nada mais é do que a Autocoroação do casal, e que pode ser entendido como um jogo de palavras com o verso da música “Have you ever seen the crowd goin' apeshit?” entre as palavras ‘crowd’ e ‘crown’, multidão e coroa respectivamente.

Os artistas de fato representam a realeza da indústria do entretenimento, e nesse vídeo em questão eles afirmam o poder de sua imagem e sua vitória sobre o sistema opressor em que vivemos. Num mundo de virtualizações a força de sua imagem é inegável. E o clipe que termina com o casal numa sala sozinhos apreciando a Mona Lisa, parece terminar com uma espécie de questionamento: Afinal, hoje quem é de fato a imagem mais conhecida?

Matéria original do site Empoderadxs, cedida gentilmente para OFuxico.

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