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02/11/2012 | 20h00m - Publicado por: Geraldo Bessa/ TV Press para O Fuxico | Foto: Luiza Dantas/ Carta Z Noticias

Diretor de Subúrbia quer mostrar a periferia sem caricaturas

Cenas foram gravadas em externas para dar mais realidade

Diretor de Subúrbia quer mostrar a periferia sem caricaturas - Luiza Dantas/ Carta Z Noticias

A liberdade artística é um dos grandes trunfos de Luiz Fernando Carvalho. E em Subúrbia, seu mais novo trabalho na Globo, ele exibe novamente sua autonomia dentro da emissora.

"Ninguém me pediu um trabalho voltado para a classe C. Falei das minhas ideias e do meu conceito para a direção da casa e eles toparam. Inclusive, sem uma grande estrela protagonista nos créditos", conta o diretor de séries cabeças e artesanais como Capitu e Afinal, O Que Querem As Mulheres?.

Na série de oito episódios, que estreou na quinta-feira (1º), o diretor carioca conta a história de amor entre Conceição e Cleiton, de Erika Januza e Fabricio Boliveira: uma paixão intensa ambientada em Madureira, bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro.

"A história deles é crua e sem firulas! Assim como a realidade. As gravações marcaram o meu reencontro com o subúrbio e foram uma experiência de transgressão com o que há de pitoresco e caricato das expressões humanas na tevê", filosofa o diretor de 52 anos, 25 destes dedicados à televisão, onde estreou como diretor em Helena, novela da extinta Manchete.

OFuxico – Dos diretores de núcleo da Globo, você é um dos únicos que comete ousadias na forma e no conteúdo de suas produções. O que "Suburbia" agrega a essa trajetória?

Luiz Fernando Carvalho – Esse trabalho é minha volta ao básico. Suburbia não tem produção artesanal e muito menos estética lúdica. Eu trabalho com a rua, com o povo, com atores estreantes, em um processo de desconstrução de todos os trabalhos de tom barroco que desenvolvi nos ltimos anos. Eu me orgulho muito de trabalhos como Hoje é Dia de Mariae A Pedra do Reino. E acredito que passar por esses clássicos foi fundamental para chegar até esse novo projeto.

OF– Por quê?

LFC – Para desconstruir algo, é preciso primeiro construir. É um exercício. Não só para mim, mas para toda a minha equipe. Eu prezo muito pelas pessoas que embarcaram nas minhas ideias nestes ltimos trabalhos. E a gente fez esse processo de limpeza de visão juntos.

OF – A Globo tem apostado cada vez mais em produções voltadas para a classe C e Suburbia dialoga diretamente com esse segmento. Houve alguma pressão para você enquadrar seu novo trabalho na linha de novelas como Avenida Brasil?

LFC – De forma alguma. Suburbia é um dos meus trabalhos mais autorais. Pelas últimas novelas, é perceptível o interesse da Globo no subúrbio, mas ninguém da emissora me solicitou uma série falando sobre esse universo. A história de Suburbia já estava na minha cabeça e anotações há mais de 10 anos. Quando me pediram uma produção inédita, abri minha gaveta e resolvi contar essa história. São produções tão diferentes, que é impossível traçar qualquer comparação.

OF –  Você assina o roteiro de Suburbia junto com o escritor Paulo Lins, autor do livro que deu origem ao filme Cidade de Deus. Como foi o processo de criação a quatro mãos?

LFC - Quando surgiu a oportunidade de levar minhas ideias de "Suburbia" ao ar, pensei logo nele para me ajudar nessa empreitada. A gente trabalhou em cima da realidade, não aquela coisa inventada e estereotipada das novelas, mas uma periferia real. Poética, mas real. Nosso primeira conversa já deu a entender que o processo seria tranquilo. Falamos muito sobre política, raça e preconceito. Eu admiro muito o trabalho dele e nossas ideias foram se encontrando sem grandes atritos.

OF – Diferentemente de outras produções com a sua assinatura, a nova série foi inteiramente gravada em externas. Quais as complicações de um trabalho desse estilo?

LFC – Não dá para retratar o subúrbio no estúdio. Fica feio e fake. É extremamente mais trabalhoso e caro gravar apenas em locações. Fico dependente de uma séries de questões envolvendo clima e até segurança pública. Mas foi a opção mais acertada. Estivemos em bairros como Madureira, Quintino, Ramos, Piedade, na Ilha de Paquetá e em algumas regiões de Jacarepaguá. No final, a periferia do Rio de Janeiro não serviu apenas como cenário de uma história de amor, ela virou personagem.

 Suburbia – Globo, quintas, à 0 h.

Diretor foge da sua linha tradicional de trabalho com o seriado Subúrbia
 

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