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16/09/2012 | 10h10m - Publicado por: Márcio Maio/ TV Press para O Fuxico | Foto: Divulgação

Entrevista: Leona Cavalli e as oportunidades que a prostituta Zarolha lhe deu

A atriz posou para a Playboy que estará nas bancas em outubro

Entrevista: Leona Cavalli e as oportunidades que a prostituta Zarolha lhe deu - Divulgação

Leona Cavalli é só sorrisos na hora de conversar a respeito de seu atual momento profissional. Sucesso de público e crítica na pele da prostituta Zarolha, de Gabriela (Globo), a atriz conseguiu garantir sua volta à trama na adaptação do clássico de Jorge Amado, escrita por Walcyr Carrasco. E também vem angariando torcedores por um final que, na teoria, parecia impossível para sua personagem.

"Muita gente me diz que quer ela e o Nacib juntos. Eu sei que o desfecho do livro é outro, mas como minha personagem teve sua trajetória alterada, tudo pode acontecer", fantasia ela, referindo-se ao turco vivido por Humberto Martins no folhetim.

 A atriz ainda colhe outros frutos por conta da personagem, que foi vivida por Dina Sfat na primeira versão da novela. Ela assinou com a Playboy e, às vésperas de completar 43 anos, já fez as fotos para a revista. Seu ensaio será publicado provavelmente na edição de outubro, mês em que "Gabriela" sai do ar.

"Achei que tinha a ver com a personagem, por isso aceitei. E, é claro, foi uma proposta excelente", admite. 

O Fuxico  – Você participou dos primeiros capítulos de Gabriela e, conforme o livro de Jorge Amado, deixou a história. Agora, já no meio do projeto, sua personagem voltou. Já sabia desde o início que seria assim?

Leona Cavalli colhe os frutos de sua atuação em GabrielaLeona Cavalli – O Maurinho (Mauro Mendonça Filho, diretor-geral) e o Walcyr chegaram a falar alguma coisa sobre a possibilidade da Zarolha voltar. Mas eu não sabia se aconteceria. E nem quando poderia ser. Para mim, foi uma grande surpresa. A Zarolha tem cenas que são fortes, emocionantes. É um papel que me dá muito prazer de fazer. Desde o início, senti que seria especial.

OF – Por quê?

LC – Eu sempre fui muito fã da Dina Sfat, que interpretou a Zarolha na primeira adaptação para a tevê. E ela trabalhou no Teatro Oficina, onde também atuei. O convite para a novela já tinha me deixado animada, mas ser para essa personagem foi uma motivação a mais. Esse papel é realmente completo, cheio de detalhes. É uma prostituta, mas tem sua devoção, mistura drama e comédia, uma série de fatores fazem ela ser uma personagem bem bacana.

OF – A decisão de trazê-la de volta à trama surpreendeu você?

LC– Sim. Sempre faço com a maior entrega, mas nunca sei o que vão achar do meu trabalho. E as pessoas estão gostando de diversas maneiras. São públicos diferentes. Falo de jovens, pessoas mais velhas, homens, mulheres, ou seja, não é um grupo específico. E assim que começou a trama, me falavam muito que ela deveria terminar com o Nacib. Apesar de saberem que, no livro, o final não é esse. O engraçado é que não só as pessoas que não conheciam a história original, mas também as que já tinham lido ou visto a primeira novela e sabiam que, na teoria, não é isso que acontece.

OF – Você acredita em um final feliz entre Nacib e Zarolha?

LC – Não sei. Isso só o Walcyr pode responder. Torço para que a personagem tenha uma trajetória feliz, mas que pode ser de outra maneira. Não conversei sobre o final e não tenho ideia porque não tem no livro. Isso tem me instigado demais. Acho que esse é um barato da novela. No cinema e no teatro você sabe tudo, já conhece as emoções pelas quais seu personagem vai passar.

OF -  Nessa volta, Zarolha assume definitivamente o posto de antagonista de Gabriela. Depois desses capítulos distante, foi complicado encontrar esse tom?

LC – Ela volta um pouco antagonista mesmo. Mas é uma antagonista diferente. Não faz grandes maldades. A Zarolha só quer o Nacib de volta. É diferente de uma vilã que comete atrocidades para conseguir o que quer. Acho até que o fato de não ter sido assim desde o começo humanizou a personagem.

OF – Como foi sua composição para esse trabalho? Chegou a passar um tempo em Ilhéus para se preparar?

LC – Não, até porque não deu tempo. Foi tudo bem corrido. Uma outra atriz faria esse papel, fui chamada depois. O processo foi feito quase todo em cima das aulas de dança que tivemos com a Regina Miranda. Foi muito bom porque as atrizes do núcleo do Bataclan se juntaram e começamos a entrar no ritmo e no próprio corpo das personagens, com aquela sensualidade que a história pedia. E eu li novamente o livro do Jorge Amado.

OF – Você já tinha trabalhado em alguma obra dele?

LC – Não. Mas sou fã dele por ter conseguido colocar tanto do Brasil em sua literatura. Até tive um encontro com o Jorge Amado quando eu era criança. Fui com meus pais a Ilhéus e o encontrei lá. Tenho uma foto, no colo dele, quando tinha uns 6 anos. Guardo essa lembrança até hoje.

OF – Você teve alguma preparação específica em função da prosódia?

LC - Eu já tinha feito o filme Amarelo Manga, onde interpretei uma prostituta nordestina. Na tevê, fiz também a Justine, de Amazônia - De Galvez a Chico Mendes, que era outra prostituta nordestina, só que fingia ser francesa. Então, apesar de ser do Rio Grande do Sul, tive até certa facilidade para isso.

OF – Você começou a atuar no Rio Grande do Sul com apenas seis anos, mas só aos 35 fez sua primeira novela. Por que demorou tanto a estrear na tevê?

LC – Engraçado você me perguntar isso porque hoje mesmo encontrei o Silvio de Abreu, uma pessoa muito importante na minha trajetória. Vivi muito tempo do teatro e do cinema e tive a sorte de fazer grandes papéis. Ele me viu interpretando a Geni de Toda Nudez Será Castigada e a Blanche DuBois de Um Bonde Chamado Desejo. E, um dia, me disse que gostava do meu trabalho e queria me dar uma chance de mostrá-lo na tevê. Completou avisando que escreveria um papel para mim. Fiquei grata e feliz, mas não esperei. E ele escreveu mesmo, em Belíssima, que foi a Valdete. Era pequeno, mas bem importante na trama. A partir dali, tudo aconteceu.

OF – Antes disso, você chegou a buscar alguma oportunidade na televisão?

LC – Eu tinha vontade de fazer, mas só surgiam participações. Venho de Rosário do Sul e conheci a interpretação através da televisão, como a maioria dos brasileiros. Só depois fui conhecer o teatro e o cinema. Mas acho que foram questões de circunstâncias da vida mesmo. O que eu pensava era que o importante é fazer bons trabalhos e bons personagens. Não importa onde você está. E mesmo atuando na tevê, é importante continuar fazendo teatro e cinema. Isso sempre foi muito claro para mim.

OF – Agora você experimenta atuar em uma adaptação literária na tevê. De que forma isso influencia seu trabalho?

LC – Estou achando muito bom exatamente por se tratar de uma adaptação de um clássico que, ao mesmo tempo, é de autoria de um novelista contemporâneo. Essa junção é rica demais. Minha personagem, por exemplo, voltou para a trama. E isso não está no livro. Para mim, é incrível.

OF – Você participou de cenas de nu em Gabriela. Como lidou com isso?

LC – É, o primeiro nu da novela foi meu. E também foi a primeira vez que fiz um nu na tevê. Já tinha feito no palco e no cinema. Com a Justine, em Amazônia, cheguei a fazer algumas sequências mais sensuais, mas não nua. É sempre impactante. Mas o conforto e confiança na equipe fizeram com que fosse mais tranquilo.

OF – Fazer essas sequências e perceber a repercussão positiva mexeu com sua autoestima? Afinal, você aceitou o convite para posar nua depois delas.

LC - O convite da Playboy veio antes de Gabriela. Eu estava em A Vida da Gente, mas fazia uma médica pediatra e ainda estava ponderando sobre isso. Agora, aceitei porque tinha a ver com o momento. Então, é claro que essa repercussão me motivou a aceitar. Nunca fui uma atriz que usasse a sensualidade na minha exposição pessoal. Mas já fiz papéis no cinema e no teatro com esse apelo. Acho que me chamaram em função desse histórico.

OF – Agora, depois de posar nua, acha que a tevê pode explorar mais a sua sensualidade futuramente?

LC – Não. Sinceramente, isso não passou pela minha cabeça. Mas também não acho que, se acontecer, seja negativo.

OF – Você sempre fez muito teatro e cinema. Qual a sua relação hoje com a televisão?

LC – Adoro fazer televisão. Os primeiros grandes autores contemporâneos de teatro vieram da Europa, principalmente da Inglaterra. O cinema tem uma força maior nos Estados Unidos e na Europa. O que tem força no Brasil? A novela e a música. É uma contribuição nossa para a cultura mundial. Não tem como não se emocionar com a nossa tevê. Ainda mais eu, que nasci no Rio Grande do Sul. Há um tempo fui a uma tribo na Floresta Amazônica e eles estavam vendo novela. É um veículo que alcança o país todo.

Base sólida

Leona nunca teve dúvidas de que se tornaria atriz. Primeiro, por sua dedicação e empenho para a interpretação, mesmo tendo nascido em Rosário do Sul, no interior do Rio Grande do Sul, uma cidade em que ela não encontrava referências de mulheres com sucesso nessa profissão. E a grande certeza de que deveria mesmo seguir esse caminho veio ainda muito nova, aos cinco anos, durante os ensaios de uma peça que estrearia no dia do seu sexto aniversário.

"Tinham duas gêmeas que faltaram e precisavam de alguém para fazer a parte delas. Eu tinha todas as falas decoradas, então me ofereci. Ali, me bateu a sensação não só de que eu queria fazer aquilo, mas principalmente de que eu podia fazer", recorda, visivelmente emocionada.

Quando precisou prestar vestibular, não teve dúvidas e conquistou uma vaga na turma de Artes Cênicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Mas, simultaneamente, iniciou também a graduação em Direito. Na primeira, permaneceu ao longo de três anos. A segunda largou depois de dois. A grande virada em sua carreira aconteceu mesmo quando se mudou para São Paulo.

"Eu sabia que precisava investir mesmo e, se eu ficasse, acabaria levando a interpretação junto com outras atividades. Não exerceria de forma plena", avalia a atriz, que na capital paulista começou a trabalhar na companhia Teatro Oficina, de José Celso Martinez Corrêa.

Dedicação total

Leona defende a importância dos atores não deixarem o teatro e o cinema de lado ao estreitarem os laços com a televisão. Mas assume que, agora, vive um momento de paixão com os folhetins. Tanto que, embora continue participando de longas e marcando presença nos palcos, quer se dedicar mais à tevê.

"É essa a minha prioridade. Não devo demorar a voltar ao ar depois de Gabriela. Já há papos de reserva na emissora, mas seria deselegante comentar agora", desconversa a atriz, que rodou recentemente o filme Anna K, de José Roberto Aguilar, e deve filmar em breve Jeitinho Brasileiro, de Raul Guterres.

Trajetória Televisiva

# "Começar de Novo" (Globo, 2004) - Lucrécia (1ª fase).

# "Da Cor do Pecado" (Globo, 2004) - Edilásia Sardinha (1 fase).

# "Belíssima" (Globo, 2005) - Valdete.

# "Amazônia, De Galvez a Chico Mendes" (Globo, 2007) - Justine.

# "Duas Caras" (Globo, 2007) - Dália.

# "Negócio da China" (Globo, 2008) - Maralanis.

# "Dalva e Herivelto - Uma Canção de Amor" (Globo, 2010) - Margot.

# "A Vida da Gente" (Globo, 2011) - Dra. Celina.

# "Gabriela" (Globo, 2012) - Zarolha.

Gabriela" - Globo - Terça a sexta, às 23 h.

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