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05/01/2011 | 08h02m - Publicado por: Marina Forte | Foto: Ag.News

Graziella Schmitt se emociona com depoimentos sobre tortura

Protagonista de Amor e Revolução, do SBT, ela ficou emocionada com o drama vivido pela jornalista Rose Nogueira

Graziella Schmitt se emociona com depoimentos sobre tortura - Ag.News

Ao som de Alegria, Alegria – composição de Caetano Veloso, um dos marcos iniciais do movimento tropicalista de 1967, o autor Tiago Santiago comandou, nesta terça-feira (4), o workshop da novela Amor e Revolução, que estreia em março, no SBT.

Atores e jornalistas foram recepcionados na entrada do Estúdio 7, do CDT da Anhanguera, por um pelotão de militares. Em seguida, receberam rosas vermelhas das atrizes Graziella Schmitt, Thaís Pacholeck, Gisele Tigre e Patrícia de Sabrit como forma de celebrar a paz e o amor.

Embalados pelas surpresas idealizadas por Sergio Madureira, produtor geral do folhetim, recém-chegado da Globo, os convidados não conseguiram conter a emoção diante dos relatos de tortura de militantes políticos.

Quarenta e um anos após ser presa pelo ‘esquadrão da morte’, um dos aparatos de repressão da ditadura militar, a jornalista Rose Nogueira, 64 anos, falou sobre o trauma da prisão e da tortura sofrida durante os nove meses – dos quais três deles conviveu com a presidenta eleita, Dilma Rousseff, em que ficou sob o poder dos policiais do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), em São Paulo.

Com a voz embargada, ela arrancou lágrimas da plateia - como a protagonista Graziella Schmitt, que vive a jornalista de esquerda, Marina - ao narrar episódios dramáticos em que desfilou nua diante dos policiais, que não apenas a torturaram fisicamente, como também a coagiram psicologicamente, ameaçando queimar seu bebê com pouco mais de um mês de vida, caso não revelasse o paradeiros de seus companheiros Frei Beto e Carlos Marighella, que eram perseguidos do regime.

“Eu tinha apenas 23 anos, recém-parida e fui espancada de muitas formas, fiquei com o corpo todo marcado, destruída por dentro. Meu torturador era tarado, me judiava e humilhava muito... Passei mais de um mês sem tomar banho, fedia por causa do sangramento comum após o parto e também devido ao leite, que cheirava azedo. Por causa disso, me deram uma injeção para secar meu leite. Não tive o direito de amamentar meu filho... Pior do que isso, eles usaram um bebê para me coagir. Por duas vezes, levaram meu filho ao DOPs e ameaçaram queimá-lo vivo caso não os ajudasse a localizar meus companheiros, mas eu não sabia onde eles estavam...", disse a jornalista com a voz embargada sendo aplaudida em pé.

Emocionada, Rose Nogueira passou o microfone a Carlos Eugênio Paz, conhecido por Clemente durante a luta armada da qual atuou ativamente entre os anos de 1967 e 1973. Engajado, ele comandou assaltos a bancos e diz que matou muitos militares.

“O Marighella sugeriu que eu servisse o Exército para absorver as técnicas militares que me ajudariam na guerrilha e também a aprender a obedecer. Só assim, ele achava que eu poderia estar no comando um dia. Após um tempo de luta, meus companheiros foram caindo um a um e eu assumi a liderança com apenas 19 anos. Tenho orgulho em dizer que venci os militares e nunca fui pego por eles. Mas se por um lado nunca fui ferido, mas tenho feridas na alma", finalizou.

Outro destaque do workshop ficou por conta de Dilea Frate, que durante anos dirigiu Jô Soares. Em 1975, quando ainda era estudante de Jornalismo, ela chegava em sua casa em São Paulo, quando foi presa juntamente com seu marido, o jornalista Paulo Markun. Assustada, aos gritos, ela avisou a empregada que estava sendo detida e pediu que deixasse sua filha de meses sob os cuidados de sua família.

“No DOI-Codi de São Paulo, eles me trancaram em uma sala onde levei choques nas mãos, nos pés, nas orelhas, levei muitos socos... Sabia que eles queriam que eu gritasse para que o meu marido se desesperasse e entregasse seus companheiros. Mas fui firme! Então, eles puseram fogo nos meus cabelos, que chegavam na altura dos quadris... Eu tirei o gorro do rosto, o que era proibido, e apaguei o fogo, mas não gritei”, lembra.

Essa passagem difícil na trajetória de Dilea está ligada ao final trágico de Wladimir Herzog – então diretor de jornalismo da TV Cultura e chefe de Markun, seu marido que foi morto na cadeia em 1975.

Apesar de alertar Vlado, apelido de Herzog, do perigo que corria, ele não acreditou.

“Na cadeia, eu jurava o tempo todo que não estava ligada ao movimento. Dizia que iria batizar minha filha no domingo e para tirar a prova, nos levaram até a igreja. Por sorte, minha mãe não desmarcou a cerimônia. Eu e meu marido fomos ao batizado fedendo e acompanhados de dois militares armados com metralhadoras. Eu me sentia no filme  O Poderoso Chefão... Felizmente, meus familiares agiram como se nada estivesse acontecendo. Meu pai, aliás, levou os policiais à festa em sua casa e deu um porre nos dois com um whisky maravilhoso... Com isso, pudemos deixar os nomes dos nossos amigos que estavam na lista de procurados. Mas o Herzog não acreditou, pois era amigo do governador...", explica.

Atento às expressões do elenco, que participou ativamente fazendo perguntas durante o evento, o novelista Tiago Santiago festejou o sucesso da iniciativa.

“Estou feliz com este workshop, que é o primeiro na história do SBT. Ele teve um papel transformador nesse trabalho, foi essencial para que o elenco entrasse no espírito da história, e adquirisse elementos para compor suas personagens. Veja como todos choraram, se envolveram... Isso me encheu de esperança. Sei que o SBT está no caminho certo”, disse Santiago.

Assim como ele, o diretor Reynaldo Boury acredita que a novela será um marco na história da emissora de Silvio Santos.

Enquanto as pessoas falam em crise, estamos investindo em um projeto ousado, que vai falar profundamente de um período negro, que a nova geração desconhece. Além disso, pela primeira vez, o Silvio Santos permitiu que uma novela fosse levada ao ar com apenas 24 capítulos de frente. Estou encantado com a força dos profissionais e vamos fazer um produto de qualidade”, garantiu Boury.

Amor e Revolução – começar a ser gravada na próxima semana – traz no elenco nomes como Cláudio Lins, Graziella Schmitt, Lúcia Veríssimo, Thais Pacholek, Joana Lima Verde, Cacá Rosset, Mario Cardoso, Jayme Periard, Ernando Tiago, Luis Mendes, Fábio Vilaverde, Antonio Petrin, Ivan de Almeida, Licurgo Spinola, Fátima Freire, Paulo Leal, Gustavo Haddad, Carlos Thiré, Patrícia de Jesus, Pedro Lemos, Diogo Picchi, Cláudio Lins, Reynaldo Gonzaga, Glauce Graieb, Nico Puig, Patrícia de Sabrit, Natalia Vidal, Dani Moreno, Aimée Ubacker, Elcio Montesi, Fábio Rhoden, Tiago Abravanel e Natasha Haydt.

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