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04/11/2016 | 13h20m - Publicado por: Flávia Almeida | Foto: Rafael Cusato e Marcos Ribas/ Brazil News

Rita Lee lança autobiografia: 'Quem se sentir mordido que escreva sua'

Cantora está aposentada dos palcos

Rita Lee lança autobiografia: 'Quem se sentir mordido que escreva sua' - Rafael Cusato e Marcos Ribas/ Brazil News

Maior figura feminina do rock brasileiro, cantora pop com um caminhão de hits, testemunha e participante de boa parte da história da MPB desde o Tropicalismo, Rita Lee, 68 anos, resolveu contar ela mesma a sua história e lança Rita Lee: Uma Autobiografia.

"Se o passado me crucifica, o futuro me dará beijinhos", escreve a cantora.

Em meio a relatos sobre a infância, os tempos com os Mutantes, as dificuldades em começar a carreira solo, o sucesso, o amor, as drogas e as mil confusões de sua vida, Rita passa a sensação de ter esvaziado o pote da existência.

"A ideia de ir escrevendo minha vida foi sem pressão de nada nem de ninguém. Com o tempo, a coisa foi se transformando numa verdadeira autoterapia onde descrevo impressões boas e más com distanciamento e bom humor. A única pessoa com quem eventualmente trocava umas figurinhas era o Guilherme Samora", disse ela em entrevista ao jornal Extra.

Guilherme Samora é jornalista, editor da Revista Quem e é definido por Rita Lee como "o colecionador de mim". Ele entra no livro, em curtas intervenções de "ghost writer", na pele de um fantasminha camarada.

"Quando minha memória dava branco eu não ia consultar os googols da vida, eu buscava direto no provedor Guigol, que é como me refiro ao Guilherme, jornalista pop, melhor amigo e estudioso das aventuras de 'ritalee'. Convidei-o para o papel do 'phantom' porque deixei escapar algumas pérolas de que só ele se lembrava".

Caçula de uma família paulistana, Rita Lee não teve uma vida que se pudesse chamar de mar de rosas. Quando criança, foi estuprada com uma chave de fenda por um técnico de máquinas de costurar que visitara sua casa. Foi expulsa dos Mutantes, a banda que montara anos antes com os irmãos Sérgio e Arnaldo Dias Baptista. Na ditadura, foi presa, grávida, em casa, com maconha (plantada, segundo ela, pela polícia).

Quebrou o maxilar num acidente doméstico numa época em que entrava "pelas madrugadas entornando garrafas com Rohypinol". E em 2012, foi presa em Aracaju por ter xingado policiais que investiram contra o público -- e sua versão do que aconteceu ali está no livro, só que coberta por tarjas. Mas nada disso, porém, é motivo para Rita se martirizar nas páginas.

"Autoterapia serve para isso mesmo, para perceber que todo dramalhão tem um lado comédia. E que, apesar de ter sido uma, não compro fazer papel de vítima, muito menos ficar babando ovo para mim mesma. É uma bio impressionista e despretensiosa".

O jornal Extra pontua que muitos ficarão surpresos também com a desmitificação que Rita promove no livro em relação aos Mutantes e, principalmente, em relação a Sérgio ("De nós era o que cantava melhor, apesar de imitar Paul McCartney, o que eu achava vergonhoso", escreve), o ex-marido Arnaldo ("Cantando era um tanto desafinado, nos vocais mandava bem.") e a si mesma ("Não tocava nem cantava po*** nenhuma"). Outros artistas são alvos, além de alguns jornalistas e desafetos de outras procedências.

"Mas quem se sentir mordido que escreva sua própria biografia, não é mesmo?".

Aposentada dos palcos, com os cabelos grisalhos e os papéis de avó (da pequena Ziza) e de mãe (de um monte de animais de estimação) bem assumidos, Rita Lee mantém sua voz ativa no Twitter e no Instagram (vide os autorretratos abaixo). O momento de dicotomias raivosas que pululam nas redes sociais não escapam à sua língua virtual.

"Agora, neste meu modo dolce far niente, tenho tempo de sobra para acompanhar a politicanalhagem planetária e perceber a big picture da raça humana dando sinais de extrema incompetência no gerenciamento da Terra. Direita e esquerda se equivalem na canalhice".

Confira um trecho do livro:

''Bons tempos chatos os da ditadura. Bom para quem gostava de rock. Chato para quem morava no Brasil. Bom para tomar ácido e assistir ao cabeludo José Dirceu num palanque imaginando-o um astro de rock. Chato quando passava o efeito assim que os meganhas soltavam os cavalos e a gente caía na real vendo que Dirceu não era nenhum Jimi Hendrix. Sexo, Drogas e Rock'n'roll não combinava com Tradição, Família & Propriedade, ou você era esquerdette ou direitette. Para acomodar quem me cobrava uma posição política, eu me assumi 'hiponga comunista com um pé no imperialismo'.''

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