29/04/2020 | 00h04m - Publicado por: Flavia Almeida | Foto: Divulgação/TV Globo

Vitória de Thelma e reconhecimento de Babu mudam a estética do BBB

20ª temporada do Big Brother Brasil foi considerada histórica na TV Globo

Vitória de Thelma e reconhecimento de Babu mudam a estética do BBB - Divulgação/TV Globo

Vamos inverter os papéis. O mais importante reality show do país – que em sua edição história entrou para o Livro dos Recordes ao registrar mais de um bilhão e meio de votos – deixa 20 pessoas confinadas numa casa. Delas, 18 negros e apenas dois brancos. Visto que o Brasil registra 56% de negros, ou seja, a maioria da população, não deveria causar estranheza, certo?

Mas voltemos à programação normal... Por serem os "diferentes" dentro de um universo que, em linhas gerais, não os pertencia (sim, é assim mesmo que muitos pensam!), Babu Santana e Thelma Assis logo ganharam rótulos. Ele, inicialmente, de incapaz, até porque, logo na primeira prova, falhou. Não obstante negro, Babu é gordo e foge dos padrões esteticamente ditos ideias. Ela, retinha, magrinha, sem shape fitness moldado a maromba e whey, cabelos trançados que logo ficaram ao natural crespos e cheios de atitude. Não fosse ela uma médica anestesista, talvez fosse taxada de fazer vitimismo, como aconteceu com Babu, o paizão desempregado e com dívidas, algo que, ao que tudo indica, ali ninguém presume o que seja, já que que pegou tão mal...

Enquanto aqui os muito dedos apontavam para a "apelação", choviam afirmações de que "BBB não é programa assistencialista e bla bla bla". Lembro que Rafinha dizia que vendia alfaces, e venceu o BBB 8 sem uma alfinetada sequer! Ele costumava contar sua saga: levantava às 5 da manhã pra ajudar a mãe com a horta e em seguida usava seu carro velho para levar alface para ser vendida. Mas ele era maneiro, bonitinho, tinha uma banda underground, não era preto, e vibes e tal... passou batido.

Mas deixa quieto. Voltemos a falar dos pretos vitimistas. Teve Rodrigo França, teve Rízia, teve.. peraí que estou contando nos dedos... ah, sim. Dos 307 participantes, ao longa de 20 edições, apenas 49 eram pretos. Poucos retintos. Quatro vencedores. Ops, não errei! Foi Pedro Bial quem errou ou se equivocou ao citar, numa live recente com Fábio Porchat, que Gleici Damasceno havia sido a primeira negra a vencer o reality.

Aí já cabe outro texto, sobre colorismo, que prometo escrever depois. Mas anote aí: Cida, aquela babá maneira que já torrou os R$ 500 mil que ganhou no BBB 4, é preta. Mara, a baiana vencedora da 6ª edição, é preta. Assim como a acreana Gleici e a paulistana Thelma, a única retinta entre as campeãs.

E aí a grande gerou até retuite de Viola Davis, atriz americana. Preta.

"Quando a mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela." Froam essas palavras, da ativista Angela Davis, postadas por Taís Araújo, que chamara à atenção de Viola.

A vitória de uma negra retinta no principal reality show do país, num momento em que, por conta da quarentena em virtude do novo coronavírus, a TV se tornou forte aliada no quesito "distração", teve papel essencial para trazer a discussão racial de maneira diferenciada a muita gente. E deu um fio de esperança de que a desigualdade racial seja minimizada.


A bem da verdade, dá um orgulho danado constatar que Thelma sambou na cara da sociedade racista, com toda a sua classe de passista e competência de uma médica.

Só queremos respeito... e que não seja preciso pontuar tanto a presença de dois negros no BBB. São duas pessoas, tão cheias de acertos, erros, prós e contras quanto todos os 18 não negros...

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