Carnaval às 22:00

Carnaval 2024: Mocidade Independente quer a vitória com sabor de caju

Aline Mineiro na Mocidade
Roberto Filho / Agnews

Determinada a resgatar a sensualidade do brasileiro através do enredo, a Mocidade Independente de Padre Miguel, antes de tudo, vai encher a Sapucaí de caju. A fruta tropical, originalmente do Ceará, vai adoçar os foliões com “Pede caju que dou… Pé de caju que dá”, enredo criado e desenvolvido pelo carnavalesco Marcus Ferreira.

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Gabi Martins na Mocidade
Roberto Filho / Agnews

“História de brasilidade que é a cara da escola. O caju sempre é protagonista na história do brasileiro. É arte, é sabor, o caju proporciona diferentes sentimentos. Vai retratar a sensualidade latente que tem dentro de nós”, afirma o carnavalesco, primeiramente.

Explicitamente, a princípio o enredo traz de volta os desfiles mais leves que levaram a Mocidade Independente de Padre Miguel à vitória nos anos 80 e 90.

Também conhecida como “A estrela-guia de Padre Miguel”, a agremiação da Zona Oeste aposta no samba e no enredo como trunfos. Dessa forma, através de uma obra que resgata o perfil da escola, o foco é a vitória.

Desfile da Mocidade
Anderson Borde / AgNews

Além disso, a letra do samba é marcada pelo bom humor, além da fácil leitura, sensualidade, e, acima de tudo estão a força e a alegria da comunidade independente.

“Entendemos este momento de reposição e retomada para que pudéssemos transmitir a alegria, primeiramente, para dentro da escola”, destacou o arnavalesco.

Prosseguindo a explicação, ele comentou que frutas já foram enredo, mas o caju é diferente: “Permite a brasilidade, tropicalidade e subversão de uma fruta que o próprio brasileiro desconhece como simbologia brasileira”, explicou Marcus.

Samba da Mocidade vira hit

Ao mesmo tempo, o samba-enredo que se tornou hit de verão no Rio de Janeiro, caindo nas graças dos sambistas e até de quem não acompanha os desfiles. Ou seja: virou sucesso!

Imediatamente após a escolha do samba, que tem entre os autores o ator e humorista Marcelo Adnet e o lendário intérprete Paulino Mocidade, a obra virou uma das mais animadas e cantadas da safra. Assim como o caju, “desceu redondo”!

A obra, por exemplo, desde dezembro lidera o ranking carioca de músicas mais tocadas nas plataformas digitais de áudio.

Com o estouro, rapidamente a tropicalidade independente foi parar nas rádios e, atualmente, bomba até nos blocos de rua da cidade.

Como será o desfile

A Mocidade será a primeira escola a desfilar nesta segunda-feira de Carnaval, 12 de fevereiro. Antes de mais nada, repleta de brasilidade, a Verde e Branca promete tratar a história do país e as diversas simbologias da fruta nativa com bastante informação e historicismo.

Nesse sentido, na avenida, os componentes da Mocidade mostrarão desde a saga que vai dos povos originários até músicas como “Cajuína”, de Caetano Veloso, e “Morena Tropicana”, de Alceu Valença.

Assim sendo, não faltará bom humor e duplo sentido para percorrer mais de 500 anos de muito sabor do caju.

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Ainda no desfile, Regina Casé será Tarsila do Amaral. Ao lado dela, por sua vez, estará Marcelo Adnet. Ele irá representar Jean-Baptiste Debret. A dupla, contudo, vai desfilar ao lado das reproduções de dois quadros que retratam o caju. São eles: “A feira”, de Tarsila, e a “Negra tatuada vendendo caju”, de Debret.

Veja a ficha técnica da Mocidade

Enredo: Pede caju que dou… Pé de caju que dá
Carnavalesco: Marcus Ferreira
Diretor de Carnaval:
Intérprete: Zé Paulo Sierra
Mestre de Bateria: Dudu
Rainha da bateria: Fabíola Andrade
Mestre-sala e Porta-bandeira: Diogo Jesus e Bruna Santos
Comissão de Frente: Paulo Pinna
Famosos: Jojo Todynho, Rafael Portugal, Marcelo Adnet e Regina Casé

Confira letra do samba

Por outras praias a nobreza aprovou
Nas redondezas se espalhou, tão fácil, fácil!
E nesta terra onde tamanho é documento
Vou erguer um monumento para seu Luiz Inácio
Nessa batalha teve aperreio
Duas flechas e no meio uma tal cunhã poranga
Tarsila pinta a sanha modernista, tira a tradição da pista
Vai Debret! Chupa essa manga!

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É tropicália, tropicana, cajuína
Pela intacta retina, a estrela no olhar
Carne macia com sabor independente
A batida mais quente, deixa o povo provar

Meu caju, meu cajueiro
Pede um cheiro que eu dou
O puro suco do fruto do meu amor
É sensual, esse delírio febril
A Mocidade é a cara do Brasil

Eu quero um lote
Saboroso e carnudo
Desses que tem conteúdo
O pecado é devorar
É que esse mote beira antropofagia
Desce a glote, poesia
Pede caju que dá
Delícia nativa
Onde eu possa pôr os dentes
Que não fique pra semente
Nem um tasco de mordida
E aí tupi no interior do cafundó
Um quiprocó virou guerra assumida

Provou porã, fruta do pé
Se lambuzou, Tamamdaré
O mel escorre, o olho claro se assanha
Se a polpa é desse jeito, imagine a castanha

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