Carnaval Rio de Janeiro às 00:15

Carnaval 2024: Salgueiro faz desfile de alerta à importância dos povos originários

Deborah Secco, Viviane Araujo e Mc Rebecca no Salgueiro
Deborah Secco, Viviane Araujo e Mc Rebecca – Leo Franco / Ag News

O povo Yanomami foi o grande homenageado no desfile do Salgueiro neste domingo, 11 de fevereiro. A Vermelha e Branca da Tijuca colocou os povos originários do Brasil no centro de seu enredo.

Com o título “Hutukara”, que na língua yanomami significa “o céu original a partir do qual se formou a terra”, a agremiação exaltou a mitologia Yanomami e levantou a bandeira pela defesa da Amazônia.

O carnavalesco Edson Pereira faz uma síntese do desfile: “É muito importante o significado da palavra Hatukara que fala que nós sobrevivemos, nós estamos vivos, estamos aqui. E hoje falar dessa essência tão forte, que dá origem ao nosso povo, não é semente falar de carnaval, é falar sobre quem nós somos, da onde viemos e como chegamos até aqui. Ainda assim, muitas das vezes, chegamos com uma dívida enorme com esse povo que é o verdadeiro dono dessa terra”, explicou.

Como será o desfile do Salgueiro

Além disso, a agremiação, a terceira a desfilar, abordou questões como o aquecimento global, o desmatamento e outras ações do homem que impactam diretamente na vida dos indígenas. Primordialmente, o desfile do Salgueiro foi um grande alerta, do mesmo modo que prestará um serviço em forma de samba.

O carnavalesco acredita que o carnaval tem o potencial de levar essa mensagem de alerta para várias partes do mundo.

“Temos um grande público expectador no Sambódromo e os telespectadores pela televisão, além disso há pessoas assistindo no mundo inteiro. Então, nesse sentido, a mensagem tem esse potencial de avançar e sair do nosso desfile. Em outras palavras, tem o poder tocar as pessoas em diferentes partes do mundo”, concluiu Edson Pereira.

A equipe do Salgueiro está focada na vitória. Ao mesmo tempo, os componentes, muito comprometidos, sabem da responsabilidade que carregam, uma vez que enredo destaca uma grande representatividade.

Pelo segundo ano Deborah Secco vai desfilar como rainha da escola, ou seja, estará à frente do carro abre-alas. Contudo, a majestade suprema continua sendo Viviane Araújo, imbatível à frente dos ritmistas da Bateria Furiosa.

  • Enredo: Hutukara
  • Carnavalesco: Edson Pereira
  • Diretor de Carnaval: Wilsinho Alves
  • Intérprete: Emerson Dias
  • Mestre de Bateria: Guilherme e Gustavo
  • Rainha da bateria: Viviane Araújo
  • Mestre-sala e Porta-bandeira: Sidcley Alves e Marcella Alves
  • Comissão de Frente: Patrick Carvalho
  • Famosos: Deborah Secco, Cacau Protássio, Carla Cristina Cardoso, Eri Johnson, Edmundo, Ministra Sonia Guajajara

Confira a letra do samba

“É HUTUKARA! O chão de Omama
O breu e a chama, Deus da criação
Xamã no transe de yakoana
Evoca Xapiri, a missão…

HUTUKARA, ê! Sonho e insônia
Grita a Amazônia, antes que desabe
Caço de tacape, danço o ritual
Tenho o sangue que semeia a nação original
Eu aprendi português, a língua do opressor
Pra te provar que meu penar também é sua dor
Falar de amor enquanto a mata chora, (bis)
É luta sem Flecha, da boca pra fora!

Tirania na bateia, militando por quinhão,
E teu povo na plateia, vendo a própria extinção
“Yoasi” que se julga: “família de bem”, (bis)
Ouça agora a verdade que não lhe convém:

Você diz lembrar do povo Yanomami em dezenove de abril,
Mas nem sabe o meu nome e sorriu da minha fome,
Quando o medo me partiu
Você quer me ouvir cantar em Yanomami pra postar no seu perfil
Entre aspas e negrito, o meu choro, o meu grito, nem a pau Brasil!
Antes da sua bandeira, meu vermelho deu o tom
Somos parte de quem parte, feito Bruno e Dom
Kopenawas pela terra, nessa guerra sem um cesso,
Não queremos sua “ordem”, nem o seu “progresso”

Napê, nossa luta é sobreviver!
Napê, não vamos nos render!
YA TEMI XOA! aê, êa! (bis)
Meu Salgueiro é a flecha
Pelo povo da floresta
Pois a chance que nos resta
É um Brasil cocar!”

Notícias Relacionadas