Morte às 12:40

Morre a atriz Maria Fernanda, uma das filhas de Cecília Meireles

Retrato de Maria Fernanda, em preto e branco
Maria Fernanda, atuou em novelas, mas era ícone no teatro – Foto: Reprodução

Morreu no sábado, 30 de julho, a atriz Maria Fernanda Meireles Correia Dias, conhecida como Maria Fernanda. Ela estava internada na Casa de Saúde São José, no Humaitá, na Zona Sul do Rio de Janeiro, desde o último dia 26.

A artista de 96 anos faleceu às 18h, em virtude de complicações respiratórias. Ela deixa o filho Luiz Fernando, fruto de seu relacionamento com o diretor de TV, Luiz Gallon, com quem foi casada entre 1956 e 1963.

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Maria Fernanda era a única filha ainda viva da poetisa Cecília Meireles e do ilustrador português Correia Dias, ambos já falecidos.

Com carreira de destaque no cinema, na televisão e, principalmente, no teatro, onde atuou por 70 anos, destacando textos de autores clássicos (Eurípedes) e modernos (Jean-Paul Sartre, Nelson Rodrigues, Jean Genet). O seu currículo ainda conta com peças de Martins Penna, Tchekhov, García Lorca, Bertolt Brecht, Arthur Miller, Strindberg e Oscar Wilde.

Maria Fernanda iniciou sua carreira em 1948, interpretando a personagem Ofélia, na primeira montagem de “Hamlet” feita no país, ao lado de atores como Sergio Cardoso e Sergio Britto.

Antes de se firmar nos palcos brasileiros, Maria Fernanda passou uma temporada na Europa no início da década de 1950, onde estudou artes cênicas e conheceu figuras como o dramaturgo britânico Bernard Shaw e o mímico Jean-Louis Barrault.

MARIA FERNANDA CHEGOU A SER PRESA EM NOME DA ARTE

No Brasil, seu primeiro grande destaque foi na pele de Blanche DuBois, em duas montagens diferentes da peça do americano Tennessee Williams, que lhe rendeu os prêmios Molière, Saci e Governador do Estado de melhor atriz.

Em 1968, Maria Fernanda foi detida por policiais militares enquanto apresentava uma remontagem de “Um Bonde Chamado Desejo” em Brasília. A classe artística reagiu e artistas como Paulo Autran, Marieta Severo e Odete Lara fizeram uma passeata contra a censura em frente ao Theatro Municipal do Rio.

No cinema, Maria Fernanda estrelou produções da Atlântida e da Vera Cruz nos anos 1940 e 1950, além de “Joana Angélica” (1979), de Walter Lima Jr., e “Carlota Joaquina, Princesa do Brazil” (1995), marco da retomada do cinema brasileiro, em que interpretou o papel de D. Maria I, a louca.

Na TV, estreou no “Grande Teatro Tupi”, em 1953. Na década de 1970, contratada pela Rede Globo, integra o elenco de grandes novelas como “O Grito” ((1975), “Gabriela” (1975), “Nina” (1976) e “Pai Herói” (1979).

Contratada pela Band, Maria Fernanda atuou em “Dulcinéia Vai a Guerra” (1980). Migrou para a TV Cultura, ode fez importantes trabalhos e em 1986, foi contratada pela Rede Manchete para integrar o elenco de “Dona Beija”. Na extinta emissora, a atriz participou ainda de “Mania de Querer” (1986) e “Olho Por Olho” (1988), sua última atuação na TV.

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