Morte às 08:56

Prefeitura do Rio decreta luto de três dias por morte de Elza Soares

Elza Soares

Reprodução/Instagram

O mundo da música ficou mais triste na última quinta-feira (20), com a morte de Elza Soares, uma das maiores vozes da música brasileira e importante na luta do empoderamento feminino e do racismo. Por conta desta enorme perda, Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro, lamentou a morte da cantora e decretou luto de três dias em homenagem a artista.

A informação veio por meio de uma publicação no Twitter e que o decreto do luto será publicado na edição de hoje no Diário Oficial do Estado.

“Decreto luto oficial de 3 dias no Rio pela perda dessa grande carioca! Mulher! Guerreira! Elza Vive!”, escreveu o prefeito do Rio de Janeiro.

O corpo de Elza será velado no Theatro Municipal do Rio, no Centro da Cidade, na sexta-feira (21). A cerimônia será fechada para familiares e amigos, das 9h às 10h, e aberta ao público das 10h às 14h. Em seguida, um carro do Corpo de Bombeiros fará o translado pela Av Atlântica até o cemitério Jardim da Saudade Sulacap, onde haverá velório na capela vip as 15h (restrito aos familiares e amigos) e sepultamento às 16h no setor do Cristo Redentor, em homenagem à cantora.

Curiosamente, a morte de Elza Soares se deu no mesmo dia da de Garrincha, com quem ela se casou e conviveu durante 17 anos. O jogador também morreu no dia 20 de janeiro, mas em 1983; quase 40 anos antes.

Em 2018, em entrevista a Pedro Bial, a cantora revelou que ainda amava o atleta. “Eu sonho muito com o Mané. O maior amor da minha vida foi ele”, disse ela.

ORIGEM HUMILDE

Elza Gomes da Conceição nasceu no Rio de Janeiro no dia 23 de junho de 1930. Não foi apenas uma potência como cantora e compositora, mas também uma figura de superação feminina.

De origem humilde, ela e mais nove irmãos tiveram a infância marcada na favela Moça Bonita, atualmente conhecida como Vila Vintém, no bairro de Padre Miguel. Quando pequena, a diversão era brincar na rua, soltar pipa e andar solta em meio à molecada. Quando não, ajuda a mãe nas tarefas de casa levantando latas d’água na cabeça.

O PRIMEIRO CASAMENTO

Não se sabe ao certo, mas entre os seus 12 e 13 anos, Elza foi obrigada pelo pai a abandonar os estudos e se casar Lourdes Antônio Soares, um amigo de seu pai conhecido como Alaordes. O tal homem havia tentado abusar cantora ainda jovem – o pai acreditava que “a honra de sua filha só estaria limpa com o casamento”.

Nesta época, Elza passou a conviver com abusos sexuais praticados pelo “companheiro”. Pouco tempo depois, a cantora daria luz seu primeiro filho. Como se não bastasse tanto sofrimento, a artista passou por outro grande trauma na vida: o segundo filho morreu de fome.

Com o marido doente (acometido pela tuberculose), Elza foi a luta. Arranjou trabalho em uma fábrica de sabão e outro em um manicômio. Neste segundo, a cantora precisou furtar comida para poder levar alimento para casa. Com a melhora do marido, Elza voltou a ser dona de casa.

No início da década de 1950, nascia Dilma, a terceira filha da cantora. Com apenas um ano e meio de idade, a criança foi sequestrada. Segundo informações, foram 30 anos de buscas, tendo o reencontro somente com a filha já adulta, que até então, não sabia do crime.

CASAMENTO COM GARRINCHA

A união com o então craque do Botafogo, e também da Seleção Brasileira, se deu de forma bastante polêmica durante os primeiros anos. Garrincha era casado quando conheceu a cantora. Imprensa e fãs acusaram Elza de ter sido pivô do termino do casamento do jogador que naquela época estava no auge da carreira.

Vivendo na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, o casal passou a sofrer ataques anônimos. Pedras eram arremessadas contra a casa da cantora e do jogador. Nesta época, Elza já era conhecida como cantora, e como forma de desaforo, ou não, gravou a música “Eu Sou a Outra”.

A canção enfureceu “gregos e troianos”. As ameaças ao casal se intensificaram, até que um amigo os convidou para passar uma temporada em Roma, na Itália. Com a morte da mulher anterior de Garrincha, Elza decidiu adotar as seis filhas que o jogador tinha. Em 1976, nascia Manoel Francisco dos Santos Júnior, apelidado de Garrinchinha.

O alcoolismo do jogador provocou uma série de problemas no casamento, trazendo além de constantes brigas, a separação do casal. Em 1983, Garrincha morreu de cirrose hepática.

CARREIRA

O sonho de cantar veio desde menina. Sabendo do potencial que tinha, embora todos os percalços que viveu na adolescência e início da vida adulta, Elza decidiu se inscrever em um concurso musical do programa radiofônico “Calouros em Desfile”, que era apresentado pelo compositor Ary Barroso. Isso aconteceu no começo da década de 1950.

Ao subir no palco, Ary Barroso tentou ridicularizar a cantora, perguntado a ela “De que planeta você veio, minha filha?”, perguntou ele. “Do mesmo planeta que o senhor, Seu Ary. Do planeta fome”, respondeu ela. Sem sucesso na infeliz tentativa de menosprezar a candidata, o compositor acabou tendo que “engolir” as próprias palavras após Elza soltar seu vozeirão cantando “Lama”. A cantora ganhou a nota máxima no programa. Ary, então, anunciou que, naquele exato momento, acabava de nascer uma estrela.

E foi a partir da década de 1960 que Elza Soares passou a decolar musicalmente, realizando, inclusive, turnês na Europa e Estados Unidos.

Com 34 discos lançados, Elza cantou samba, jazz, música eletrônica, hip-hop, funk. O último álbum foi lançado em 2019 e intitulado “Planeta Fome” – alusão ao episódio vivido no início da carreira.

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