Morte às 16:10

Saiba quem eram Bruno Pereira e Dom Phillips, assassinados na Amazônia

Bruno Pereira e Dom Phillips
O indigenista Bruno Pereira e o jornalista Dom Phillips – Foto: Reprodução/ Twitter

Com a confissão de Oseney da Costa, preso por participação no desaparecimento do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira, a Polícia Federal deu como concretizado o fim do desaparecimento dos dois. Os corpos foram esfaqueados e incinerados às margens do rio Itaquaí, no Vale .

Phillips e Pereira eram profissionais reconhecidos em suas áreas e compartilhavam a paixão pela Amazônia e pela preservação da natureza e dos povos originários da região.

Enquanto Bruno Pereira orientava moradores do Vale do Javari a denunciar irregularidades cometidas em reserva indígena, o experiente jornalista estrangeiro acompanhava o trabalho para registrar em livro que pretendia escrever.

DOM PHILLIPS, APAIXONADO PELA AMAZÔNIA

O inglês de 57 anos era jornalista freelancer e colaborador do jornal “The Guardian”. Ele morava no Brasil desde 2007 e ensinava inglês para jovens de um projeto social em bairros da periferia de Salvador, na Bahia, onde atualmente vivia com a esposa.  Natural da região de Merseyside, no noroeste da Inglaterra, também era músico e já morou em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Dom Phillips publicou várias reportagens sobre política e meio ambiente em veículos como Financial Times, New YorkTimes, Bloomberg e Washington Post, até que em 2021, recebeu uma bolsa da Fundação Alicia Patterson, dos Estados Unidos, para investigar modelos de preservação para conservação da Amazônia. A partir desse projeto vinha trabalhando no livro “Como salvar a Amazônia”, obra que já contava com os primeiros capítulos em andamento quando desapareceu com o indigenista Bruno Pereira.

Além de questões ambientais, Dom Phillips atuou na cobertura de música eletrônica e, entre 1991 e 1999, trabalhou na Mixmag, uma das maiores revistas no mundo especializada no tema. Ele publicou seu primeiro livro, “DJs Superstar Here We Go!: A Ascensão e Queda do DJ Superstar (2009) pela editora Ebury.

Ele deixa a esposa, Alessandra, irmã, cunhado e sobrinhos.

BRUNO PEREIRA, INDIGENISTA POR EXCELÊNCIA

O pernambucano de 41 anos ingressou na Funai como agente em indigenismo em setembro de 2010. Dois anos depois, ele passou a integrar a coordenação regional da Funai de Atalaia do Norte – área em que foi visto pela última vez. Ele deixou o cargo em 2016 e, em 2018, voltou a prestar serviço para a instituição como coordenador-geral de Índios Isolados e de Recente Contato da Diretoria de Proteção Territorial.

Bruno foi uma das lideranças que chefiou maior expedição do órgão nos últimos 20 anos. A missão, que teve o propósito de contatar um grupo de isolados que corria riscos de entrar em conflito com outra etnia que vive na região, foi concluída com êxito, sem nenhum tipo de combate.

Em outubro de 2019, o presidente da Funai publicou a exoneração de Pereira, sem qualquer tipo de argumentação técnica. Ele era um dos principais especialistas do órgão e vinha liderando, nos últimos anos, todas as iniciativas de proteção aos povos isolados.

O indigenista trabalhava atualmente em um projeto que visava a melhoria na vigilância em territórios indígenas contra narcotraficantes, garimpeiros e madeiros que atuam no Vale do Javari, estado do Amazonas. A missão, conferida a ele por uma organização que representa povos isolados e de recente contato da região, vem desafiando o poder econômico de criminosos brasileiros, colombianos e peruanos que usam aldeias e comunidades ribeirinhas para exploração da floresta e para rota de tráfico.

Bruno Pereira deixa esposa, Beatriz, e três filhas.

BOLSONARO SE PRONUNCIA

O presidente Jair Bolsonaro se pronunciou nesta quinta-feira, 16 de junho, a respeito das mortes do indigenista Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Philips, que estavam desaparecidos no Amazonas desde o último dia 05.

“Nossos sentimentos aos familiares e que Deus conforte o coração de todos”, diz a mensagem no perfil oficial de Bolsonaro.

A postagem foi feita em resposta a uma nota de pesar divulgada pela Fundação Nacional do Índio (Funai), onde Bruno Pereira era servidor de carreira, vinculado ao governo federal.

O Presidente da República falou do assunto cerca de 17 horas após a Polícia Federal anunciar, em coletiva, que havia localizado os supostos restos mortais de Bruno e Dom, a partir de informações prestadas por um dos suspeitos de envolvimento no crime.

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