Morte às 13:40

Amigos e familiares comparecem ao velório do corpo de Jô Soares

Velorio de Jo Soares
Manuela Scarpa/Brazil News

(Atualizada às 17h)

Morreu na madrugada desta sexta-feira, 05, aos 84 anos, de causa não divulgada, o escritor e humorista Jô Soares. O artista carioca de 84 anos estava internado no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, desde o último dia 28 de julho. O velório teve início nesta tarde e foi reservado para amigos e familiares.

Flávia Soares, ex-esposa de Jô Soares, chegou acompanhada por Zélia Duncan.

Ex de Jô Soares e Zélia Duncan – Foto (Manuela Scarpa/Brazil News)

Regina Braga chegou ao lado do marido, Dráuzio Varella. A atriz Bete Coelho também foi uma das primeiras pessoas a chegar ao local.

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Bete Coelho foi se despedir de Jô Soares/ Carro funerário chegando ao velório – Foto (Manuela Scarpa/Brazil)

Tiago Leifert estava acompanhado da esposa, Daiana Garbin.

Manuela Scarpa/Brazil News

O maestro João Carlos Martins esteve no velório de Jô Soares e chegou a falar com a imprensa. Relembrando de sua amizade e carinho pelo apresentador.

Maestro João Carlos Martins no velório – Foto (Lucas Ramos / Brazil News)

Adriane Galisteu, Silvio Santos e Galvão Bueno enviaram coroas de flores.

Manuela Scarpa/Brazil News

Serginho Groismann esteve na despedida. Leandro Karnal, Mário Sérgio Cortella, Dan Stulbach, Nilton Travesso, também compareceram.

Leo Franco/AgNews

Dan Stulbach chegou a conversar com a imprensa:

CAUSA NÃO DIVULGADA

Morreu na madrugada desta sexta-feira, 05, aos 84 anos, de causa não divulgada, o escritor e humorista Jô Soares. O artista carioca de 84 anos estava internado no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo desde o último dia 28 de julho. De acordo com a TV Globo, em nota, o hospital informou que a família não autorizou a revelação da causa da morte do apresentador. Além disso, os médicos que cuidavam de Jô também não realizarão nenhuma coletiva de imprensa para falar do caso.

O anúncio da morte de Jô Soares, ocorrida às 02h30 desta sexta-feira, 05 de agosto foi feito por Flavia Pedras Soares, ex-mulher de Jô, e confirmada em nota pela assessoria de imprensa do Hospital Sírio-Libanês. Ela, que era chamada pelo artista carinhosamente de Flavinha, usou as redes sociais para lamentar a morte do apresentador. Jô estava internado no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, desde o dia 28 de julho, onde deu entrada com quadro de pneumonia.

“Faleceu há alguns minutos o ator, humorista, diretor e escritor Jô Soares. Nos deixou no hospital Sírio Libanês, em São Paulo, cercado de amor e cuidados. O funeral será apenas para família e amigos próximos”, anunciou Flavia.

“Assim, aqueles que através dos seus mais de 60 anos de carreira tenham se divertido com seus personagens, repetido seus bordões, sorrido com a inteligência afiada desse vocacionado comediante, celebrem, façam um brinde à sua vida.”

“A vida de um cara apaixonado pelo país aonde nasceu e escolheu viver, para tentar transformar, através do riso, num lugar melhor”, escreveu a ex-mulher do humorista.

Flavia ainda revelou os apelidos que chamava o ex-marido: “Viva você, meu Bitiko, Bolota, Miudeza, Bichinho, Porcaria, Gorducho. Você é orgulho pra todo mundo que compartilhou de alguma forma a vida com você”, escreveu ela.

Ela ainda agradeceu e usou bom humor: “Agradeço aos senhores Tempo e Espaço, por terem me dado a sorte de deixar nossas vidas se cruzarem. Obrigada pelas risadas de dar asma, por nossas casas do meu jeito, pelas viagens aos lugares mais chiques e mais mequetrefes, pela quantidade de filmes, que você achava uma sorte eu não lembrar pra ver de novo, e pela quantidade indecente de sorvete que a gente tomou assistindo.”

Flavia se declarou ao ex-marido. “Obrigada para sempre, pelas alegrias e também pelos sofrimentos que nos causamos. Até esses nos fizeram mais e melhores. Amor eterno, sua, Bitika.”

TRAJETÓRIA

Filho do empresário paraibano Orlando Heitor Soares e de Mercedes Leal Soares, José Eugênio Soares, mudou-se com a família aos 12 anos, para a Europa. Poliglota, chegou a pensar em seguir a carreira diplomática, mas seu fascínio pelo teatro falou mais alto, ainda nos anos em que estudava na Suíça. 

Sua estreia se deu no papel de um americano em “O Homem do Sputnik”, filme de Carlos Manga estrelado por Oscarito, em 1958. No mesmo ano, escrevia para o TV Mistério, programa da TV Continental, dirigido por Adolfo Celli, com Paulo Autran e Tônia Carrero no elenco.  Na TV Rio, atuou no programa “Noites cariocas”. Também nesta época fez participações na TV Tupi.

Jô Soares começou a trabalhar na TV Record, em 1961, em São Paulo. Além de escrever o “Simonetti Show”, atuava em programas como o “La Reuve Chic”, “Jô Show”, “Quadra de Azes” (ao lado de Zilda Cardoso, Darlene Everson e Cauby Peixoto), “Show do Dia 7” e “Você é o Detetive”. 

Ele também interpretou o mordomo de ‘A Família Trapo”, seriado que escrevia com Carlos Alberto de Nóbrega

ASCENSÃO NA TV GLOBO 

Com Renato Cortes Real,  protagonizou, a partir de 1970, o “Faça Humor, Não Faça a Guerra”, programa que marcou sua estreia na Globo. A dupla também escrevia o programa, ao lado de Max Nunes, Geraldo Alves, Hugo Bidet e Haroldo Barbosa. Nele, o artista interpretou tipos como Norminha e Padre Thomas. 

O “Faça Humor, Não Faça a Guerra” foi substituído por “Satiricom”, em 1973. Três anos depois, o humorista atuou como ator e redator, novamente com Max Nunes e Haroldo Barbosa em outro grande sucesso da Globo, o “Planeta dos Homens”, que ficou no ar até 1982. 

Jô Soares dividia a cena com grandes nomes do humor, como Agildo RibeiroPaulo Silvino, Luís Delfino, Sonia Mamede, Berta LoranCostinhaEliezer Motta e Carlos Leite. 

O comediante criou para o programa personagens como o Dr. Sardinha (inspirado no economista Delfim Netto, então ministro da Agricultura); Sebá, cognome Pierre, o último exilado em Paris; e o argentino Gardelón, famoso pelo bordão “Muy amigo!”.

Jô Soares deixou a equipe de “Planeta dos Homens” em 1981 para se dedicar a seu próprio programa, o “Viva o Gordo”, escrito por Max Nunes, Hilton Marques, Afonso Brandão e José Mauro, que foi exibido até 1987. 

O título veio do show “Viva o Gordo e Abaixo o Regime!”, um grande sucesso do teatro no qual o humorista fazia críticas veladas à ditadura. Entre os tipos marcantes que viveu nessa época, estão o Reizinho, sempre às voltas com os problemas do reino, uma sátira à situação política do país; o Capitão Gay, super-herói homossexual que usava um uniforme cor de rosa e andava sempre acompanhado de seu ajudante Carlos Sueli (Eliezer Motta); e o Zé da Galera, que ligava para o técnico da seleção brasileira de futebol e pedia “Bota ponta, Telê!”. 

Simultaneamente ao trabalho no “Viva o Gordo”, Jô Soares apresentava um quadro no “Jornal da Globo” e, em 1983, fez uma participação especial no musical infantil “Plunct, Plact, Zuuum”. 

(Reprodução/Instagram @josoares)

Em 1987,  deixou a Globo e foi trabalhar no SBT, onde estrelou o humorístico “Veja o Gordo” e realizou um sonho que acalentava há anos: apresentar um programa de entrevistas inspirado nos talk-shows americanos, o “Jô Soares Onze e Meia”. 

“Não foi uma mudança radical, mas uma continuação do meu trabalho de humor e também de jornalismo. Trabalhei no jornal Última Hora durante quatro anos, escrevi na Folha de S. Paulo e na revista Veja. E tem um lado de entrevista irreverente que só eu posso fazer, com os políticos”, disse ele ao “Memória Globo”. 

Ao longo dos 11 anos em que o programa ficou no ar,  fez mais de seis mil entrevistas, com grandes personalidades brasileiras e internacionais – como o ex-presidente da União Soviética Mikhail Gorbachev e Bill Gates, fundador da Microsoft – e figuras anônimas. E durante o processo do impeachment do presidente Fernando Collor, o “Jô Soares Onze e Meia” funcionou como uma espécie de tribuna popular, com o apresentador entrevistando alguns dos principais implicados e testemunhas do caso.

BEIJO DO GORDO

Em 2000, o humorista voltou à Globo, comandando o “Programa do Jô”, um talk-show na mesma linha do “Jô Soares Onze e Meia”. 

A atração ficou 16 anos no ar e contava com a participação do Sexteto, grupo formado pelos músicos Derico (sax), Bira (baixo), Miltinho (bateria), Tomatti (guitarra), Chico Oliveira (trompete) e o maestro Osmar (teclados), além do garçom Alex. 

Durante os Jogos Olímpicos de 2000, o “Programa do Jô” foi transmitido direto de Sydney, na Austrália.   

Em agosto de 2008, Jô Soares comemorou 20 anos de talk show com entrevistados especiais, entre eles Caetano Veloso, que ainda cantou alguns de seus sucessos.

Também foi exibida uma edição com as melhores entrevistas feitas com anônimos: até aquele momento, cerca de 490 mil pessoas haviam participado da plateia dos programas, mais de 4 mil musicais foram apresentados e, aproximadamente, 4 milhões de e-mails recebidos pela produção.

Dois anos depois, em homenagem aos 10 anos de programa, Jô Soares comandou um especial com a nova geração do humor brasileiro. Em uma mesa redonda, ele recebeu Leandro HassumMarcelo Adnet, Bruno MazzeoDani CalabresaDadá Coelho e Flávia Garrafa

Outra conversa marcante em sua trajetória na Globo foi com o cantor Roberto Carlos. Em uma rara entrevista, o Rei falou sobre suas manias. E cantou uma das músicas preferidas do humorista: Estrada de Santos. A entrevista foi exibida em setembro de 2011.

VELÓRIO

O velório de Jô Soares, que morreu na madrugada desta sexta-feira, 05 de agosto, aos 84 anos, não será aberto ao público. Sua ex-mulher, Flávia Pedras, que confirmou a morte do artista, pediu que as pessoas o homenageiem celebrando a vida:

“Aqueles que através dos seus mais de 60 anos de carreira tenham se divertido com seus personagens, repetido seus bordões, sorrido com a inteligência afiada desse vocacionado comediante, celebrem, façam um brinde à sua vida.”

Flávia e Jô ficaram casados por mais de dez anos – Foto: Marcos Ribas/ Brazil News

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