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09/12/2006 | 14h15m - Publicado por: Carlos Ramos | Foto: Record

Autor de Vidas Opostas não teme represálias

Autor de Vidas Opostas não teme represálias - Record

Lá se vão três semanas que a estréia de Vidas Opostas, a nova novela das 22h da Record, garantiu à emissora média de 16 pontos no Ibope e uma cena chocante continua a ser motivo do comentário dos telespectadores. Foi a da morte de um trabalhador inocente por um policial corrupto, durante um conflito na fictícia comunidade do Torto.

Isso vem gerando desdobramentos, que mexem numa outra ferida de um dos principais ganchos da trama: como a bandidagem se aproveita da situação, para aliciar jovens inocentes para seu exército clandestino. Enfim, é a arte imitando a vida, ou melhor, é o autor Marcílio Moraes - como diz uma gíria carioca - passando o rodo ou não deixando pedra sobre pedra.

Nesta entrevista exclusiva a OFuxico, Marcílio Moraes explica o motivo de não temer represália de nenhuma das partes. Faz revelações como a de que outros personagens do asfalto, além de Miguel (Léo Rosa), o jovem rico que se apaixona pela menina da favela, Joana (Maytê Proença), ainda vão se envolver com os habitantes da comunidade. Garante que Erínia, papel de Lavínia Vlasak, vai mesmo se transformar numa megera Diz ainda que Jussara Freire, como Carmem, será uma espécie de Mãe Coragem, ao fazer das tripas coração quando descobrir que o enteado Carlinhos (Leandro Léo) está envolvido com o que não presta na comunidade, ou seja, o pessoal da boca.

OFuxico: O primeiro capítulo mostrou um trabalhador que foi morto pela polícia, durante conflitos. Ao mesmo tempo, sabe-se que isso é uma faca de dois gumes, porque a comunidade como um todo sempre usa desse discurso, mesmo quando a PM é inocente. Pretende mostrar esses dois lados?
Marcílio Moraes – Tanto quanto eu possa. Pretendo mostrar a realidade por vários ângulos. Existe violência e corrupção policial, assim como existe bandidagem, cumplicidade e acomodação nas comunidades. Não quero escrever uma história maniqueísta.

OF – Você não teme ameaças por mostrar essa parte e outra realidade discutível nas comunidades: a do aliciamento de jovens pelo exército do tráfico?
MM – Não, não temo. Estou fazendo uma obra de ficção, ninguém vai se sentir direta ou pessoalmente ameaçado por ela.

OF – Pretende mostrar também os que vão voluntariamente para o lado do crime? Os que se regeneram e os que quebram a cara e não têm mais como voltar atrás?
MM – Como já disse, quero que meus personagens sejam humanos. O homem é contraditório por natureza. Um bandido pode ter momentos de ternura, tanto quanto um homem de bem pode se perverter. Pretendo mostrar os dois lados.

OF – Por enquanto é só a Joana que tem contato com uma vida oposta - ao se apaixonar pelo Miguel e vice-versa. No decorrer da trama, há possibilidade de novos personagens do asfalto se envolverem afetivamente com os do morro?
MM – Existe esta possibilidade sim. Já que vou juntar esses mundos opostos, pretendo explorar todas as possibilidades dramáticas que se criarem.

OF – A pergunta que não quer calar é: O que vai sobrar para o mauricinho do Miguel quando ele conquistar a Joana, já que lá no Torto tem mais bandido de olho na gatinha?
MM – No mínimo, vai deixar de ser mauricinho... (risos)

OF – Erínia, ao perder o Miguel, vai partir para a vilania? Ela vai ter coragem de fazer maldades com alguém da favela? Ou vai ficar em cima do muro, por preconceito e medo?
MM – POde aguardar. Ela vai fazer todas as maldades que uma vilã tem direito.

OF – Como vai ser a reação daquela mãe que perdeu o marido inocente, durante a invasão do Torto, quando descobrir que o filho está trabalhando para o tráfico? Vai virar uma de Mãe Coragem e enfrentar os poderosos?
MM – Ela vai fazer tudo para tirar o filho, na verdade enteado, da influência dos bandidos. Mas não será uma coisa fácil.

OF – Outro gancho forte de Vidas Opostas é o mistério que ronda Borys (Nicola Siri) e Isis (Lucinha Lins). As pessoas estão torcendo para o encontro deles. Você vai segurar isso por muito tempo?
MM – Isso vai demorar um pouquinho, mas quando acontecer será emocionante.

OF – A comunidade do Torto, na verdade, é a Tavares Bastos, no Catete. Como vocês conseguiram - e conseguem - gravar no local? O tráfico lá é só na ficção?
MM – Quem conseguiu foi a  produção da novela, que é muito competente. Na Tavares Bastos não há tráfico, porque existe lá um batalhão do Bope, da Polícia Militar.
 
OF – Você subiu o morro para conhecer a locação? Já tinha conhecimento in-loco de alguma comunidade? 
MM – Fui lá conhecer a locação sim. Mas já conhecia esse tipo de comunidade desde a minha juventude, quando militava no movimento estudantil revolucionário.





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