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06/06/2020 | 10h10m - Publicado por: Flávia Ávila | Foto: Reprodução/Instagram

Black Lives Matter: Da vida real ao audiovisual e literatura

A luta contra o racismo é uma pauta presente também em outros meios

Black Lives Matter: Da vida real ao audiovisual e literatura - Reprodução/Instagram

O ano era 2013, o segundo mandato de Barack Obama acontecia nos Estados Unidos e George Zimmerman, um vigilante de bairro voluntário na cidade de Sanford, na Flórida, era absolvido do caso envolvendo a morte a tiro de um jovem negro de 17 anos, Trayvon Martin, no ano anterior, quando ele saía de uma loja de conveniência.

Abalada com a notícia, Alicia Garza, da aliança nacional de trabalhadoras domésticas, escreveu uma mensagem nas redes sociais, indignada com a situação, e fez o primeiro registro do que hoje ficou muito conhecido por uma hashtag: Black Lives Matter (Vidas Negras Importam, em português), que se tornaria um grande movimento tempos depois.

Então, ao lado de Patrisse Cullors, da coalizão contra a violência policial em Los Angeles; e Opal Tometi, da aliança negra pela imigração justa, Alicia fundou a organização global cuja missão é "erradicar a supremacia branca e construir poder local para intervir na violência infligida às comunidades negras" pelo Estado e pela polícia, segundo o próprio site da instituição.

No entanto, o ativismo do trio só viria a se destacar sigficativamente em 2014, com os casos de Michael Brown, 18 anos, baleado no estado de Missouri, e Eric Garner, de 43 anos, que foi estrangulado em Nova York. Ambos estavam desarmados e os crimes foram cometidos por policiais brancos.

Mais adiante, o movimento retornou às manchetes dos jornais, aos comentários dos internautas e à atenção de faamosos internacionais e nacionais. Foi a vez da morte de George Floyd, no último dia 25 de maio deste ano, depois que o policial Dereck Chauvin o imobilizou e se ajoelhou sobre o pescoço do ex-segurança negro, tornar-se o motim da onda de protestos nos Estados Unidos e também na web contra não somente a brutalidade policial, mas contra o racismo.

Para entender melhor a luta ativista e sua importância, o OFuxico separou algumas obras literárias e audiovisuais atuais, brasileiras e de outras regiões, que mostram os problemas ainda enfrentados pela população negra.

Olhos que condenam

No dia 31 de maio de 2019, a Netflix estreava a minissérie criada por Ava DuVernay. E no dia 31 de maio de 2020, ela foi lembrada em meio às lutas nas ruas dos norte-americanos justamente por pautar o racismo, a brutalidade policial e as injutiças contra o povo negro.

Baseada nos casos reais de cinco jovens, a narrativa de When they See Us (nome original) se passa em 1989 quando Korey Wise, Antron McCray, Yuseff Salaam, Raymond Santana e Kevin Richardson foram presos injustamente sob a acusação de estupro de uma mulher no Central Park, em Nova York. A absolvição aconteceu somente 13 anos depois.

Um limite entre nós

 

Misturando frustração e crise no relacionamento, o filme protagonizado por Denzel Washington e Viola Davis, baseado na peça de teatro Fences (1983) mostra Troy, vivido por Denzel, um ex-presidiário e ex-jogador de beisebol ainda ressentido por não ter conseguido jogar na liga principal do espore por esta ser vetada aos negros na época - o longa se passa nos anos 1950.

O conflito começa  quando Troy barra o filho para um teste de futebol americano, alegando que ele não terá chances por também ser negro. Então vemos Rose, papel de Viola, uma mãe dedicada, se colocando entre os dois e indo contra a decisão do marido.

A partir disso a história mistura de maneira hábil o drama racial e doméstico, exibindo os danos de feridas ainda abertas causadas pelo preconceito, dividindo nações e famílias.

Pequeno manual antirracista

 

Capa do livro Pequeno manual antirracista

Em seu mais puro significado, o livro escrito por Djamila Ribeiro, filósofa e ativista brasileira, é um guia dividido em 11 capítulos que trata temas como atualidade do racismo, negritude, branquitude, violência racial, cultura, desejos e afetos.

Através das palavrras, a autora apresenta caminhos de reflexão àqueles que desejam se aprofundar nas pautas que abordam discriminações racistas estruturais e a responsabilidade pela transformação que deve ser praticada todos os dias nas mais cotidianas atividades.

Pequenos Incêndios por Toda Parte

 

A norte-americana Celeste Ng escreveu o livro e com tanto sucesso de vendas os olhos do entretenimento viram ali um potencial para um série. Após os trâmites necessários, a produção da Hulu nasceu e causou boas críticas.

Os acontecimentos se passam na extremamente organizada Shaker Heights, onde tudo é planejado: da localização das escolas à cor usada na pintura das casas. E Elena Richardson (Reese Witherspoon), tão organizada quanto a comunidade, não poderia representar tão bem o local.

A mulher, que não aceita menos do que a perfeição (pelo menos superficialmente) vê o seu mundo colidindo com o de Mia Warren (Kerry Washington) cruza seu caminho e um incêndio em sua casa cria os mais diversos suspeitos do crime.

Nessa trama, que o suspense é surpreendente, o racismo estrutural faz-se presente em afirmações que soam quase naturais de tão discretas, mas são recheadas de hipocrisia, problematizando este comportamente visto no dia a dia e ligando à diferença de classes.

No Brasil, a série pode ser vista na Amazon Prime Video.

Capa do livro Pequenos incêndios por toda parte

Branco Sai, Preto Fica

 

Disponível na Netflix, a ficção científica brasileira se passa em uma Brasília distópica na qual um homem do futuro chega para investigar um crime acontecido durante um baile de black music na periferia da capital federal

O longa do diretor Adirley Queirós parte de um episódio real ocorrido 1986 para falar da polícia que invadiu o baile com tiros, rendeu pessoas e deixou, entre feridos, um homem com a perna amputada e o outro paralisado da cintura abaixo.

Ninguém foi responsabilizado, dando o intuito de comprovar que a culpa é do estado repressor.

Exibido no Festival Internacional de Viena, em 2014, o site Hollywood Reporter chegoou a se referir à produção como "inovadora e intrigante” sobre “traumas das vítimas de violência racista nos arredores de Brasília."

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