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20/11/2020 | 10h00m - Publicado por: Raphael Araujo | Foto: Reprodução/Instagram/Montagem

Dia da Consciência Negra: Famosos que sempre discutem o tema

Muitas estrelas se posicionam frequentemente pela pauta racial

Dia da Consciência Negra: Famosos que sempre discutem o tema - Reprodução/Instagram/Montagem

Nesta sexta-feira (20) se comemora o Dia da Consciência Negra, feriado dedicado à reflexão da população negra na sociedade brasileira, com o dia sendo escolhido em tributo à morte de Zumbi dos Palmares.

Por conta da importância do feriado, nós do OFuxico separamos alguns famosos que se posicionam frequentemente sobre a pauta racial e são verdadeiros símbolos da luta étnica.

Confira famosos que são símbolos de lutas sociais
Gloria Maria sobre racismo no início de carreira: ‘Presença quase solitária’

Confira!

Babu Santana

Babu Santana sobre racismo: ‘Só não ser racista é insuficiente para mudanças’

O BBB20 foi marcante por diversos motivos, e a discussão de diversas pautas sociais com certeza entra na lista.

Babu Santana ficou muito marcado entre o público por levantar a importância de se discutir o racismo, seja contando casos que sofreu, seja explicando como esse preconceito se manifesta de maneira institucionalizada na sociedade.

Em entrevista a OFuxico, o ator contou que o racismo começou quando o branco teve a ideia de escravizar um preto e o Brasil precisa de mudanças, mas não pode ser apenas “não racista” e sim começar a investir em políticas públicas que sejam antirracistas.

“Analiso que agora nada mais é do que uma continuação estúpida do que se iniciou quando um branco decidiu escravizar um preto. O racismo é estrutural e ressoa em todas as partes do planeta. Ou seja, há uma dívida histórica, embora com mínimos avanços como as cotas por exemplo e a lei que criminaliza o racismo. Mas o que precisamos, de uma vez por todas, é abrir espaço, criar possibilidades, ter políticas públicas, tudo isso voltado para que as pessoas pretas estejam em destaque, em liderança, em protagonismo. Isso é uma luta antirracista, porque não ser racista é totalmente insuficiente para mudanças justas no mundo e no Brasil”, afirmou.

Lázaro Ramos

Lázaro Ramos desabafa sobre futuro melhor: 'Façamos agora'

Se tem uma personalidade brasileira que com certeza levanta a bandeira da pauta antirracista, essa pessoa com certeza é Lázaro Ramos, famoso ator da TV Globo.

Falando de sua vida profissional, ele dirigiu o especial Falas Negras, na qual 22 atores negros interpretam depoimentos reais de personalidades afrodescendentes, reproduzindo registros históricos ou em vídeo. Tudo realizada graças a um minucioso trabalho de pesquisa feito por Thais Fragozo e a antropóloga Aline Maia. A idealização foi de Manoela Dias e vai ao ar na emissora na data de hoje.

O espírito de luta e de resistência dos povos negros em diáspora (fenômeno sociocultural e histórico que ocorreu em países além do continente africano devido à imigração forçada, por fins escravagistas mercantis que penduraram da Idade Moderna ao final do século XIX, de africanos) será mostrado e o público terá a oportunidade de avaliar que a questão de cada um permanece atual.

Tais Araujo

Se falamos de Lázaro, não poderíamos deixar de citar Tais Araujo, esposa dele e que irá interpretar Marielle Franco no Falas Negras.

Tais Araujo será Marielle Franco em Falas Negras

Quando a uma ação própria de Taís, ela compartilhou, na última sexta-feira (13) em seu Instagram, uma seleção com capas de revistas em que famosos e personalidades negras, nacionais e internacionais, apareciam posando em ensaios e matérias especiais.

Nas fotos escolhidas, estavam Ludmilla, Glória Maria, Thelma Assis, Títi, Zendaya, Beyoncé e entre outros. Na legenda, a atriz discorreu sobre o tema e fez um pedido de que a representatividade negra seja uma realidade constante:

"O Brasil e o Mundo que eu quero não só em novembro e dezembro, mas de Janeiro a Janeiro. Quem concorda, respira.", escreveu Taís.

Tais Araujo comemorou a alta presença de celebridades pretas nas capas de revistas brasileiras

Beyoncé

Entrando nos ícones internacionais da militância antirracista, seria impossível Beyoncé ficar de fora, não é mesmo?

Só neste ano, ela lançou o álbum visual Black Is King (disponível no Disney+ e filmado na África do Sul) e foi capa da revista Vogue estadunidense.

Em entrevista para o veículo, a cantora confessou que sua filha Blue Ivy foi a responsável por acender nela seu trabalho contínuo para ajudar a elevar as 'vozes negras'. A cantora explicou que tornar-se mãe foi sua maior inspiração para ajudar a dar voz à sua comunidade.

"Algo se abriu dentro de mim logo depois de dar à luz minha primeira filha. Daquele momento em diante, eu realmente entendi meu poder", disse.

"Minha missão passou a ser garantir que ela vivesse em um mundo onde se sentisse verdadeiramente vista e valorizada. Também fiquei profundamente inspirada por minha viagem à África do Sul com minha família", contou.

Filha inspirou Beyoncé a elevar a voz da comunidade negra

Thelma Assis

Além de Babu, Thelma Assis foi mais uma participante icônica do BBB20 que tratou de falar do racismo dentro da casa, além do feminismo no seu caso.

Em videoconferência com Fátima Bernardes no Encontro, da Globo, a médica comentou sobre os ataques racistas que sofre na web e revelou que está sempre sendo alvo de injúrias raciais.

"Desde que o BBB acabou, eu tenho feito lives e em todas eu tenho sofrido algum tipo de injúria racial. Nessa live especificamente, estávamos falando sobre racismo e foi o limite para mim. Foi uma situação totalmente desagradável. Nós estávamos falando da importância do assunto e de como o nosso país tem um racismo estruturado muito enraizado", relembrou. 

Thelma afirmou que já tinha sofrido racismo antes do programa, mas que isso piorou depois de ter ficado famosa.  Mas ela não se calará diante da situação. A ex-sister contou que está reunindo casos e evidência para ir à polícia registrar um boletim de ocorrência. 

"Nessas situações, o que realmente a gente tem que fazer é pontuar que é uma atitude criminosa e ir atrás do nosso direito", pontuou. 

"As atitudes racistas sempre acontecem na tentativa de nos rebaixar, de nos destabilizar emocionalmente, só que as pessoas não tem conseguido isso. Felizmente, sou uma pessoa muito forte. A força já faz parte da pessoa que é preta no nosso país de tantas cicatrizes que nós temos devido a esse tipo de injúria", falou. 

Iza

Iza sobre racismo: 'Nosso cabelo não é aceito na sociedade'

No ramo da música, uma das principais representantes da comunidade preta é Iza, que é uma inspiração para muitas meninas negras. Empoderada, talentosa e lindíssima, a cantora é um dos maiores nomes em evidência no Brasil hoje. 

Em conversa com Serginho Groisman, a estrela revelou que já sofreu muito com o racismo presente na sociedade, principalmente por seu cabelo crespo, que hoje ostenta com orgulho. 

"A gente aprende que nosso cabelo não é aceito pela sociedade, que tem alguma coisa de errado e você tem que consertar. Eu passei grande parte da minha vida alisando o cabelo e tenho certeza de que isso faz parte da realidade de muitas meninas negras", falou. 

"Isso é muito doloroso. Pensar, por exemplo, que eu me submeti à química capilar aos 12 anos como uma tentativa de deixar de ser alvo dos comentários racistas que ouvia na escola", comentou. 

"É impagável você andar na rua, ver uma outra menina de cabelo crespo e ela sorrir para você sem nem te conhecer. A gente acaba se ajudando nesse sentido (...). É dessa forma que temos que nos olhar mesmo, com orgulho, porque não tem nada de errado. A gente é muito bonito, sim", declarou.

Oprah Winfrey

Oprah Winfrey é um verdadeiro símbolo de luta feminista e antiracista

Oprah Winfrey é com certeza um dos maiores nomes quando se fala em representatividade, principalmente no mercado de talk shows nos Estados Unidos (na qual ela é dona do programa desse estilo de maior audiência da história da televisão estadunidense), sempre lutando pelas pessoas negras e as mulheres.

Uma das provas de seu engajamento é o frequente apoio ao movimento #MeToo, que incentiva as atrizes do cinema a denunciarem os assédios e abusos sofridos na indústria cinematográfica, que permitiu a série de denúncias contra o produtor Harvey Weinstein.

Pela revista Forbes, ela foi a primeira mulher negra a ser incluída na lista de bilionários em 2003, e em 210, foi a única mulher a permanecer no topo da lista por quatro anos.

Viola Davis

Viola Davis também um símbolo da luta a favor das mulheres e dos negros, sendo uma das figuras mais emblemáticas das premiações de filmes e séries.

Viola foi a primeira atriz negra e a alcançar a Tríplice Coroa da Atuação (Oscar, Emmy e Tony), além de configurar na lista das cem pessoas mais influentes do planeta pela revista Time em 2012 e 2017.

Ainda, em 2016, ela ganhou o prêmio See Herr no Critics’ Choice Awards, que consagra atrizes que fazem diferença na forma como as mulheres são tratadas no mercado audiovisual.

Ludmilla

Ludmilla sobre protesto contra racismo em premiação: ‘Pontinha do iceberg’

Assim como Iza, Ludmilla é uma das maiores cantoras pretas brasileiras da atualidade, sempre reforçando que vai lutar pelas causas sociais em suas músicas e discursos.

Em sua apresentação no Prêmio Multishow 2020, Lud não deixou por menos, e fez um importante – e necessário protesto sobre racismo. Divulgou áudios de ataques já vividos.  

“É muito complicado você ter que se afirmar toda hora, você ter que provar toda hora que merece estar ali. E chegou uma hora que eu não quis mais provar que eu merecia estar ali, sabe. Eu só faço e eu estou ali porque eu sou isso, eu não tenho mais nada que provar para essas pessoas. E eu quis deixar aqueles áudios para o Brasil inteiro saber o que eu passo, o que eu enfrento. E, às vezes, algumas pessoas não entendem algumas atitudes minhas. Mas é tipo só a pontinha do iceberg de tudo o que acontece comigo nos bastidores”, explicou os detalhes, em uma live realizada com Hugo Gloss.

Ela destacou que é preciso não se calar diante de atos racistas, discutindo cada vez mais sobre o tema com a sociedade.

“Eu fui pesquisar mais sobre racismo, o que acontece... E eu estava vendo um filme que mostra que antigamente, na época da escravidão, quando um negro sabia fazer uma coisa a mais do que um branco, tipo, sabia ler, cantar melhor ou tocar algum instrumento melhor, apanhava, levava chibatada por isso. E, na nossa atualidade, essas chibatadas são esses ataques. Porque tem gente que não aceita uma preta estar no topo. Uma preta ter um carro melhor do que um branco. Uma preta estar numa posição melhor. Uma preta estar vestida melhor. Uma preta estar falando melhor. Estar se posicionando e estar pegando o seu lugar de fala, que é o seu de verdade. E aí, vêm as chibatadas. Só que antigamente era aquela escravidão, era aquilo tudo, era tudo amarrado. Hoje, a gente tem liberdade. Hoje eu sou livre para fazer o que eu quiser. Hoje, ninguém pode me prender”, afirmou.





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