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05/03/2021 | 18h20m - Publicado por: Esther Rocha | Foto: Marcos Hermes/Divulgação

Essencial! Elza Soares lança single em homenagem as mulheres

Voz ativa na luta contra a desigualdade a cantora afirma: "ainda precisamos lutar muito e lutaremos"

Essencial! Elza Soares lança single em homenagem as mulheres - Marcos Hermes/Divulgação

Não é de hoje que Elza Soares “sacode a poeira, dá volta por cima” e nos mostra que sempre há uma luz no fim dos tuneis que a vida nos apresenta. Dona de uma segurança e uma determinação raras, ela conseguiu vencer todas as adversidades que a vida lhe apresentou e permanece viva, seguindo em frente e surpreendendo com sua potência vocal e sua capacidade de sempre dizer o que precisa ser dito. Nestes tempos confusos com o mundo vivendo um forçado isolamento social, Elza não quis deixar o Dia Internacional da Mulher passar batido e lança seu primeiro trabalho fonográfico de 2021. Para comemorar a data que marca a luta feminina por igualdade ela regravou a canção Nós, escrita pelo cantor, compositor, ator, dançarino e produtor cultural Tião Carvalho,  lançada em 1988 no primeiro álbum solo de Ná Ozzetti e popularizada em 1994 no disco ao vivo de Cássia Eller (1962 – 2001).

O single foi lançado a meia noite desta sexta-feira, 5, e apresentado pela cantora em suas redes sociais com uma frase que reafirma a importância de manter viva a luta das mulheres pela igualdade:  “Taí um presente para o nosso dia. Nós mulheres, fortes, unidas, de mãos dadas, estamos aí. Ainda precisamos lutar muito e lutaremos”, diz a cantora ao falar do novo trabalho.

Este primeiro lançamento fonográfico de Elza em 2021 foi produzido a distância por Rafael Ramos, diretor artístico da Deck Music, com trabalhos realizados com Titãs, Pitty, Melim, RC na Veia e Roberta Campos, entre outros. Atualmente Rafael trabalha no álbum da cantora revelação Ana Gabriela. Ele também usou as redes para falar do trabalho: “Hoje meia noite sai esse novo single da rainha @elzasoaresoficial - mais uma produção realizada a distância com ajuda dos mestres Kiko Dinucci, Rodrigo Tavares e Felipe Pacheco Ventura. Programações minhas em cima de um caminho seminal apresentado por Bruno Qual é Ricardo Muralha”.

A canção ganhou também um videoclipe dirigido por Pedro Hansen, da Deck Music, que  usou imagens do arquivo pessoal de Elza para traduzir em imagens o trabalho da cantora. A novidade está disponível em todas as plataformas digitais e merece ser prestigiada.

Vida, resistência e reinvenção

Nascida na favela da Moça Bonito no subúrbio do Rio de Janeiro, Elza Gomes da Conceição, 90 anos, tem uma história que merece sempre ser sempre contada. Filha de uma lavadeira e de um operário foi criada na favela de Água Santa, subúrbio de Engenho de Dentro, e aos 16 anos driblou a resistência do marido e do pai e foi cantar no rádio no programa Calouros em Desfile, apresentado por Ary Barroso na Rádio Tupi. Enfrentou a pobreza, a fome, a morte precoce de filhos, mas nunca parou de cantar. 

Entre os muitos títulos recebidos em sua trajetória de mais de 68 anos de carreira, estão o de cantora brasileira do milênio, concedido em 1999 pela Rádio BBC de Londres e um lugar de destaque na lista das 100 maiores vozes da música brasileira da revista Rolling Stone Brasil. Sua estante guarda ainda um Grammy Latino como  Melhor Álbum de Música Popular Brasileira pelo trabalho em A Mulher do fim do Mundo (2015), trabalho que também foi escolhido pelo The New York Times como um dos dez melhores do ano e a colocou lado a lado com obras de ícones como David Bowie e Beyoncé.

Dona de uma das vozes mais marcantes da música brasileira, a grandeza de Elza transcende ao tempo, ao espaço e nos mostra que sempre existe algo de importante a ser dito. Ela sabe como ninguém ocupar o seu lugar de fala e falar cantando, com maestria.

História contada com música

Em 2018 a história inspiradora da cantora foi conta nos palcos por sete atrizes e cantoras que se revezavam no palco para celebrar a figura de Elza Soares e relembrar sua trajetória e as canções que embalaram suas seis décadas de carreira.

O projeto alcançou imenso sucesso popular e recebeu nove indicações ao Prêmio Bibi Ferreira, ganhou ainda o Prêmio Shell de Melhor Música, dois prêmios CESGRANRIO (Melhor Direção – Duda Maia e Categoria Especial pelo Elenco), quatro troféus do Prêmio Reverência (Melhor Espetáculo, Melhor Direção, Melhor Autor e Categoria Especial) e o Prêmio da APCA de Melhor Dramaturgia, entre outros.

Vacina, direito a vida

Na quinta-feira, 4, Elza Soares recebeu a segunda dose da vacina contra a Covid-19, no Rio de Janeiro. Feliz por estar imunizada ela não comemorou em respeito aos 260 mil mortos pelo coronavírus no Brasil. Recentemente, atenta a cada passo dos esforços pela imunização da população brasileira ela reafirmou que todos merecem ter o direito à vida. "A ciência venceu o medo, o negacionismo e a desinformação", afirmou.

"Meu coração está com vocês. Tomei a segunda dose. Queria comemorar, mas não seria justo", escreveu a cantora em seu Instagram. "Essa doeu! Não na carne, mas no peito. Doeu e dói quando penso nas pessoas que não terão a mesma chance de tomar a vacina a tempo. Quantas famílias sonharam com essa cena, mas não deu tempo", desabafou.

Elza tomou a primeira dose da vacina no dia 5 de fevereiro. Na ocasião disse estar "com o coração cheio de esperanças, o braço pronto para receber a vacina em prevenção ao coronavírus, a bandeira do meu Brasil nas mãos, o pensamento em cada brasileiro que ainda aguarda sua vez chegar e sem furar a fila da vacinação".

No mesmo dia que Elza, famosos como Suzana Vieira, 78, Caetano Veloso, 78, e Paulinho da Viola, 78, foram imunizados.





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