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03/08/2020 | 19h00m - Publicado por: Michele Marreira | Foto: TV Globo/Ramón Vasconcelos

Filha de diplomata denuncia Regina Duarte à ONU

Filha de José Jobim foi a responsável por levar o caso a órgão internacional

Filha de diplomata denuncia Regina Duarte à ONU - TV Globo/Ramón Vasconcelos

A polêmica entrevista que Regina Duarte deu à CNN Brasil, em maio deste ano, trouxe consequências judiciais à atriz.   
À época, a então Secretária da Cultura disse que "sempre houve tortura", que não se devia "ficar cobrando coisas que aconteceram nos anos 60, 70, 80". Também cantou a marchinha Pra Frente Brasil, que foi apropriada pelo regime militar e virou um símbolo do governo da época.

Na ocasião, ainda em choque com tais declarações, Lygia Jobim, filha do diplomata José Jobim, sequestrado e morto durante a ditadura militar, moveu um processo por apologia de crimes de tortura.

Já nesta segunda (3), ela fez uma nova denúncia, desta vez, à Comissão de Memória e Verdade das Nações Unidas (ONU) e à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) pelo mesmo motivo.

A acusação na esfera internacional se deu por uma decisão da juíza Maria Amélia Almeida Senos de Carvalho, do Juízo Substituto da 23ª Vara Federal do Rio de Janeiro, que excluiu Regina Duarte do processo, mantendo como ré a União.

Tortura, nunca mais!

Em entrevista à CNN, a então secretária da Cultura disse que "sempre houve tortura", que não se devia "ficar cobrando coisas que aconteceram nos anos 60, 70, 80". Também cantou a marchinha Pra Frente Brasil, que foi apropriada pelo regime militar e virou um símbolo do governo da época.

"Fiquei horrorizada com a forma como ela naturalizou a tortura. Não há liberdade de expressão que abarque a apologia a crimes. É um acinte a todos os que foram afetados pela violência", disse Lygia ao jornal O Globo. 

Em um documento de 25 páginas, o advogado de Lygia Jobim, Carlos Nicodemus, justifica a ação de indenização contra a União alegando que se trata de "um claro dano nacional": "As ofensas apontadas atingem objetivamente toda a memória do Sr. José Jobim, torturado e morto durante o período ditatorial no Brasil", escreve.

O diplomata e economista José Jobim desapareceu em 1979 após revelar que denunciaria o superfaturamento na construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu. Seu corpo foi encontrado dois dias depois, pendurado pelo pescoço em uma árvore pequena. Em 2018, o Estado reconheceu que Jobim havia sido torturado e morto pelo regime militar e que a hipótese de suicídio levantada na época havia sido forjada.

Defesa de Regina

Em um artigo publicado no Estadão, logo que deixou o governo, em maio, Regina Diarte explicou a citação dos versos de Pra Frente Brasil.

"Nada a ver com defesa da ditadura, como quiseram alguns, mas com o sonho de brasilidade e união que venho defendendo ao longo de toda a minha vida. E me desculpo se, na mesma ocasião, passei a impressão de que teria endossado a tortura, algo inominável e que jamais teria minha anuência, como sabem os que conhecem minha história".

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