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23/09/2020 | 13h28m - Publicado por: Giovanna Prisco | Foto: Reprodução/Instagram

Karina Ramil: 'Dá para fazer humor sem atacar as pessoas'

Humorista deu entrevista exclusiva para o OFuxico

Karina Ramil: 'Dá para fazer humor sem atacar as pessoas' - Reprodução/Instagram

Karina Ramil coleciona trabalhos no Zorra, Porta dos Fundos e também integra a Cia de 4, ao lado de Lorena Comparato, Andrezza Abreu e Anita Chaves.

Porém, a humorista nem sempre quis fazer comédia. Karina ingressou primeiro na faculdade de design e depois decidiu mudar para artes cênicas.

"As pessoas sempre falaram que sou engraçada e na faculdade tive professores que me incentivaram muito a ir para a comédia", disse ela, em entrevista para o OFuxico.

Cia de 4

 

A Companhia de humor foi fundada em 2011. Começou com Karina, Anitta e Andrezza e depois Lorena Comparato entrou para ser a quarta integrante.

O objetivo do grupo é abordar questões do cotidiano por meio do olhar feminino, sem cair no clichê.

"A Cia de 4 veio dessa urgência de fazer parte de um grupo e de querer falar o que a gente estava pensando", afirmou Karina.

As integrantes da Cia de 4: Karina Ramil, Andrezza Abreu, Anita Chaves e Lorena Comparato

Apoio da família

 

Karina Ramil é filha de Kleiton Ramil, da dupla Kleiton e Kledir. O cantor ingressou na faculdade de engenharia e depois decidiu que queria mesmo viver de música.

"Ele entende o dilema de querer viver da arte e não saber se vai conseguir, se vai ter espaço. Quando eu decidi largar design para fazer artes cênicas, meu pai foi um grande incentivador. Meu pai e minha mãe são meus maiores fãs", contou ela.

Machismo

 

Apesar do mundo estar mudando, ainda há muito preconceito com mulheres que fazem comédia. 

"A sociedade como um todo não gosta de ver mulheres em lugares de poder. As pessoas acham que a gente não dá conta", disse Karina.

A atriz contou que na época da faculdade, era muito difícil ter convites para trabalhos e quando tinha era uma peça formada por muitos homens e que tinha uma mulher para fazer o papel da mocinha ou da "gostosa".

"É muito objetificado", afirmou.

Karina também ressaltou a falta de mulheres apresentando talk-shows de comédia. A humorista citou Chelsea Handler, nos Estados Unidos, e Tatá Werneck no Brasil.

"Ainda falta quebrar esses lugares, mas estamos fazendo nossa mudança do mundo", ressaltou.

Versatilidade

 

Quando um ator se destaca na comédia, cria-se a ideia de que ele não consegue fazer outro tipo de papel. De acordo com Karina Ramil, isso também é um tipo de preconceito.

"As pessoas têm muita dificuldade em não colocar os outros em caixas. Como se quem faz drama não pudesse fazer comédia e vice-versa. Eu fiz faculdade de artes cênicas, não de comédia", disse ela.

Para exemplificar isso, Karina citou alguns atores que são um sucesso tanto em papéis dramáticos como os de comédia. 

Internacionalmente, os principais nomes são Jim Carrey, Jennifer Aniston e Reese Witherspoon. Já no Brasil, Karina elogiou muito os trabalhos de Fernanda Torres, Drica Moraes e Andréa Beltrão.

Quarentena

 

Karina comentou sobre como está passando esse momento delicado da pandemia do novo coronavírus. A atriz afirmou que no começo passou pela fase de produzir diversos projetos novos, o que foi bom para a Cia de 4.

Agora, Karina contou que está mais ansiosa, principalmente por conta da volta ao trabalho.

"Já surtei, agora estou mais ansiosa. O trabalho está voltando, mas ainda tem muita gente morrendo", afirmou.

Humor do bem

 

Antigamente, muitos espetáculos de humor eram pautados na opressão das minorias. O mundo já mudou muito, mas isso ainda acontece nos dias de hoje.

"As pessoas têm trabalho de permanecer nas coisas. Não faz sentido ficar oprimindo alguém que já é tão oprimido. Lógico que dá para fazer humor sem atacar as pessoas, precisamos mudar nossos pontos de vista", disse Karina.

Conselhos

 

Durante a entrevista, Karina aproveitou para deixar um conselho para quem também pretende seguir na área do humor.

"A pessoa precisa procurar entender qual é a voz dela. Precisa buscar pessoas com quem ela se identifique e grupos para se fortalecer. Eu acredito muito na força do grupo", concluiu.





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