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12/04/2020 | 15h32m - Publicado por: Giovanna Prisco | Foto: Reprodução/Instagram

Leo Dias faz desabafo sobre dependência química na web

Jornalista fez publicação no Instagram

Leo Dias faz desabafo sobre dependência química na web - Reprodução/Instagram

Neste domingo (12), Leo Dias escreveu um texto para o Blog do Adicto e também publicou a mensagem em sua conta no Instagram.

Na rede social, o jornalista compartilhou um vídeo em que Nando Reis aparece cantando a música All Star. Na legenda, Leo fez um desabafou sobre dependência química.

"Amy, Cazuza,,... e as mais cruéis maneiras de se atacar um viciado. Eu sou uma pessoa pública e muita gente se incomoda com as minhas publicações. Isso significa, obviamente, que, vez por outra, eu sou muito atacado nas redes sociais. Mas os ataques mudaram. Diminuíram muito, mas mudaram o teor. Antes de eu me assumir publicamente como um dependente químico, era chamado de quase tudo: de fofoqueiro a mentiroso, passando por viado e lixo humano. Tudo o que você imaginar de ruim. Agora, não. O ataque é única e exclusivamente sobre a minha condição de adicto. É óbvio que isso me entristece, mas sabe que antes de eu assumir era bem pior. A opinião do outro me abalava muito. Quando um famoso me atacava publicamente, eu desmoronava. Mas quando eu falei publicamente sobre o meu vício, eu desarmei quem queria me atacar. Não fazia sentido a pessoa falar sobre algo que eu mesmo já expus", começou ele.

Em seguida, Leo comentou sobre o preço de expor a situação.

"Mas ter falado abertamente tem um preço alto. E eu pago centavo por centavo. Eu, por exemplo, hoje raramente aceito dar entrevista em que a temática seja a droga. Acho que eu sou bem mais interessante do que esse assunto. E há um sério fator que faz com que as TVs adorem tratar desse assunto comigo: eu choro fácil. E a televisão adora um choro. Por isso, também decidi não ir mais a programas de TV que abordem esse tema. Outro dia estava lendo sobre a história do Freud, o gênio da psicanálise. Apesar de sua genialidade, ele chegou a defender o uso da cocaína, mas nunca falou abertamente de seu vício, talvez o brilhantismo dele estivesse justamente aí. Minha dica é: preserve-se. Outro dia soube de uma atriz da Globo que deu entrevista para o UOL admitindo ser dependente. Horas depois de dar a entrevista, ela se arrependeu e pediu para não exibirem tal trecho. Uma pena. Ela ajudaria muita gente. Mas poderia (e teria) prejuízos. E, lógico, ainda ouviria: 'mas tão bonita, tão talentosa, porque faz isso?'", escreveu.

Leo Dias também contou sobre os artistas que também enfrentaram dependência química.

"Por falar em artistas, eu tenho uma clara identificação com a obra musical de alguns dependentes químicos. Cássia Eller me representava muito com a sua atitude raivosa. E Cazuza? Exagerado é a canção que mais traduz o viciado. Por conta da droga, nossa vida é de extremos. A droga é responsável por essa montanha russa de emoções, que é angustiante. Principalmente quando tudo passa. Sem a droga, a gente reage melhor a tudo, das decepções às conquistas".

Ele também falou muito de Amy Winehouse, cantora que morreu aos 27 anos, de overdose.

"E o que falar de Amy? Suas canções representaram um importante relacionamento da minha vida, talvez o único relevante. E foi a droga a razão da separação. Foi meu ex que contou aos meus pais que estava mega tomado pela cocaína. E foi nessa época que Amy estourava mundialmente. Então, imagine... Rehab virou minha música: 'Tentaram me mandar para a reabilitação. Mas eu disse não, não, não'. E isso de fato aconteceu. Mas a música de Amy que mais me define é You Know I'm No Good (Você Sabe Que Eu Não Sou Bonzinho). Há um trecho da música em que ela diz que 'traiu a si mesma. Como se eu soubesse o que aconteceria'. Para mim, toda vez que recaímos, a gente trai a si próprio. E lógico, o trecho: 'I told you I was trouble'. Todo viciado é uma encrenca ambulante. Back to Black, assim como Exagerado mostra o descontrole das emoções de todo viciado. A música fala 'você volta para sua ex que eu volto para o meu luto'. Luto? Menos, Amy. E I Died A Hundred Times: Morrer cem vezez. Esse é o limite do limite do exagero".

Para concluir, Leo Dias afirmou que perdeu um pouco a esperança com a morte de Amy.

"Todos esses citados (esqueci do incrível Renato Russo) são gênios, mas suas genialidades nada tinham a ver com a droga, não acredite nessa balela. A sensação que fica, em todos, é que como o mundo estaria melhor se eles não tivessem perdido a luta contra a droga ou a Aids. Como eles fazem falta. Mas felizmente suas obras são eternas. Amy, especificamente, traduzia muito o viciado: suas músicas são tristes, traduzem o dia após a perda dos limites. Amy mostrou que nem tudo é felicidade e o amor, muitas vezes dá errado. Quando eu soube que ela tinha morrido, diminuiu um pouco a esperança na minha recuperação. Ela mudou a minha vida, para o bem e para o mal", finalizou.

A publicação recebeu diversos comentários desejando forças para Leo.





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