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06/05/2020 | 09h19m - Publicado por: Ará Rocha | Foto: Reprodução/YouTube

Lima Duarte emociona em vídeo para Migliaccio: ‘Eu te entendo’

O ator apontou o amigo como 'mestre em colocar a alma brasileira em cena'

Lima Duarte emociona em vídeo para Migliaccio: ‘Eu te entendo’ - Reprodução/YouTube

A dor de perder um amigo é intensa. Na terça-feira (5), aos 90 Lima Duarte gravou um vídeo emocionante, endereçado a Flávio Migliaccio, ator que foi encontrado sem vida, na segunda-feira (4).

Lima relembrou os tempos em que ele e Flávio batalhavam pela carreira de ator e deixou um emocionante relato, dizendo entender o que levou Migliaccio à morte.

Ator Flavio Migliaccio é encontrado morto em seu sítio

“Eu te entendo, Migliaccio, porque eu como você somos do Teatro de Arena, com Paulo José, Chico de Assis, com o Guarnieri (Gianfrancesco). Foi lá que aprendemos com o Augusto Boal que era preciso, era urgente que se pusesse o homem brasileiro em cena"

Lima Duarte ressaltou a maestria na interpretação de Flávio Migliaccio.

“A alma brasileira em cena, você foi o mestre nisso. Você conseguiu colocar. Eu também. Colocamos em cena o homem brasileiro. Foi linda essa viagem... Foi espetacular...”

Flávio Migliaccio deixou escritas peças de teatro inéditas

A lembrança da vivência na ditadura militar.

“Quando sentimos o hálito putrefato de 64, o bafio terrível de 68, agora, 56 anos depois, quando eles promovem a devastação dos velhos, não podemos mais. Eu não tive a coragem que você teve.”

Lima ainda fala sobre um reencontro em outro plano;

“Mas espera aí que vou logo. E vamos nos encontrar e contar as piadas horrorosas que você contava.”

Um beijo, Seu Mamed!

Finalizando seu vídeo, Lima cita um texto de Bertold Brecht (1898 – 1956), Os Fuzis da Senhora Carras, texto de 1937 que foi interpretado por Duarte em 1962, no Teatro de Arena, com a personagem Pedro Jáqueras:

"Os que lavam as mãos, o fazem numa bacia de sangue".

Flávio Migliaccio foi encontrado morto na manhã de segunda-feira 94) em seu sítio em Rio Bonito, no Rio de Janeiro, aos 85 anos. No boletim de ocorrência, constava que ele foi encontrado pelo caseiro do local e ainda deixou uma carta aos familiares.

Ator Flavio Migliaccio é encontrado morto em seu sítio

Carreira de Flavio Migliaccio

Com mais de 60 anos de carreira, Flávio Migliaccio deu vida a personagens inesquecíveis que divertiram o público em seriados de humor, como o lendário Seu Chalita de 'Tapas & Beijos' (2011) e o Xerife de  'Shazan, Xerife e Cia' (1972), um de seus primeiros sucessos na TV. Encantou e conquistou os telespectadores com tipos diferentes e marcantes nas novelas. Seu último trabalho em folhetim foi como Mamede, em 'Órfãos da Terra', trabalho que lhe trouxe o troféu APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte), como Melhor Ator de Televisão. Atualmente, pode ser visto no ar como o veterinário Josias em 'Êta Mundo Bom!', no 'Vale a Pena Ver de Novo'.

Neste ano, o ator participou da série 'Hebe', como Fego, o pai da apresentadora na fase adulta. "Eu tenho o costume de me apaixonar pelo personagem e querer representá-lo para o resto da vida. Pode ser tanto o herói, quanto o ermitão ou o aposentado", declarou sobre a sua relação com a arte.

O ator nasceu em 26 de agosto de 1934, no bairro do Brás, São Paulo. Em 1954, fez o curso de teatro do italiano Ruggero Jacobbi. Ao final, foi encaminhado para o grupo amador Teatro Paulista do Estudante. Sua profissionalização se deu com o Teatro de Arena, onde participou de uma série de peças, como 'A Revolução na América do Sul', de Augusto Boal; 'Eles não Usam Black-Tie', de Gianfrancesco Guarnieri, e 'Chapetuba Futebol Clube', de Oduvaldo Vianna Filho.

Fez algumas participações na TV Tupi e atuou em dois longas-metragens de Roberto Santos - 'O Grande Momento' (1958) e 'A Hora e a Vez de Augusto Matraga' (1965). Em 1962, participou de 'Cinco Vezes Favela', atuando e escrevendo. No ano seguinte, estreou como roteirista e diretor em 'Os Mendigos'.

A carreira de Flávio Migliaccio na Globo começou em 1972, em 'O Primeiro Amor', novela de Walther Negrão, onde viveu Xerife. O sucesso foi tamanho que a emissora criou o seriado 'Shazan, Xerife & Cia', que ficou no ar de 1972 a 1974, em que atuou com Paulo José. Foi uma das primeiras vezes na televisão brasileira em que personagens de uma novela ganhavam um programa próprio. A dupla foi reeditada em 1998, em uma participação especial na novela 'Era uma Vez...', também de Walther Negrão, que assim homenageou os 25 anos dos personagens.

Baseado em Xerife, Flávio criou o personagem Tio Maneco, que lhe rendeu alguns longas-metragens produzidos, dirigidos e estrelados por ele. Um dos filmes, 'As Aventuras de Tio Maneco', chegou a ser vendido para 31 países e resultou num prêmio em um festival de cinema infantil na Espanha.

Entre os sucessos do ator na TV, destacam-se ainda as participações em 'Rainha da Sucata' (1990), de Silvio de Abreu; 'A Próxima Vítima' (1995), do mesmo autor; ' Caminho das Índias' (2009), de Glória Perez; e 'Passione' (2010), também de Silvio de Abreu. O ator também participou dos principais humorísticos de sucesso da Globo, como 'Viva O Gordo' (1981), 'Chico Anysio Show' (1982) e Sai de Baixo (1987).





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