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29/09/2013 | 10h00m - Publicado por: Amanda Rolim/ TV Press para O Fuxico | Foto: Pedro Paulo Figueiredo/Carta Z Notícias.

Marília Pêra: "Hoje cada cena tem produção cinematográfica"

Atriz interpreta Darlene em Pé na Cova e analisa a evolução da teledramaturgia brasileira

Marília Pêra: \

A voz baixa, porém firme, de Marília Pêra traz em seu tom toda a experiência adquirida ao longo de seus quase 50 anos de carreira. Atualmente no ar na pele da decadente Darlene, da série Pé na Cova, a atriz carioca carrega uma trajetória profissional que, muitas vezes, se funde com a história da própria teledramaturgia brasileira. Prova disso é que sua estreia na tevê, já como protagonista, aconteceu na novela A Moreninha, de 1965, uma das primeiras produções da Globo. Hoje, aos 70 anos, Marília sente que acompanhou de perto a evolução dos folhetins. E confessa que compara, com um pouco de nostalgia, o antes e o agora da televisão.

"Hoje em dia, cada cena de uma novela tem uma produção cinematográfica. É tudo muito demorado e as sequências são sempre picotadas. Às vezes, eu sinto falta de gravar uma cena longa, tipo teatro, sem cortes", lastima.

Já em sua segunda temporada, Pé na Cova conta a história de uma família do subúrbio do Rio de Janeiro que vive dos rendimentos de uma funerária quase falida. Na série, assinada por Miguel Falabella, Marília dá vida a uma maquiadora de defuntos alcoólatra. Com tiradas ácidas e um humor extremamente popularesco, a atriz garante que Darlene é, entre tantas personagens que já interpretou na tevê, uma das que mais lhe proporciona retorno do público. Entretanto, a popularidade do papel é vista com naturalidade pela atriz, que resume sua atuação na série em ter o "timing" certo para a comédia.

"Apesar de todos os contratempos da vida, a Darlene é uma personagem leve. Ela aceita o inesperado", explica.

O Fuxico: Darlene é uma personagem extremamente caricata e engraçada. Qual é a sua relação com o humor?

Marília Pêra: Eu já trabalhei muito com humor ao longo da minha carreira. Na verdade, são tantos anos atuando, que não há gênero que eu não tenha feito. Fui da tragédia à comédia. E o humor, realmente, é uma das maiores alegrias para o ator. Mas não concordo quando dizem que é o gênero mais difícil de se interpretar. Acho que independentemente de ser drama, humor, ou musical, o difícil mesmo é tocar o público. Comover quem está assistindo à obra.

OF: Você é um dos nomes recorrentes das produções de Miguel Falabella, tanto na tevê como no teatro. Como é essa parceria?

MP: Eu fiz a série A Vida Alheia, a novela Aquele Beijo, o espetáculo musical Hello, Dolly! e agora o humorístico Pé na Cova, todos assinados pelo Miguel, seguidamente. Isso acontece porque ele sempre me chama para seus projetos. E eu aceito porque me identifico com as obras dele. Acho até inusitado que o público compre a ideia de nós dois interpretarmos um casal porque não somos um par romântico natural, pois sou mais velha que ele. Mas acredito que a gente superou essa defasagem de idade porque o público gosta de nos assistir juntos. Eu até estou procurando um texto para dirigir, para assim, poder chamá-lo, já que ele já me convidou tantas vezes (risos).

OF: Por integrar o elenco de uma série, você sente que tem uma maior liberdade para conciliar a tevê com o teatro?

MP: Na verdade, já faz mais de 20 anos que eu tenho a regalia de gravar apenas de segunda a quarta, independentemente de ser série ou novela. Exatamente porque, como a minha formação é o teatro, é muito difícil passar um ano sem estrelar pelo menos dois espetáculos. Então, eu realmente preciso desse tempo para conciliar a televisão com os palcos.

OF: Você é filha de atores e cresceu nas coxias dos teatros cariocas. Em algum momento, teve dúvida sobre seguir a carreira artística?

MP: Aos quatro anos de idade, eu já participava de peças junto com meus pais. Quando eles precisavam de uma criança em cena, por exemplo, me colocavam. Então, isso sempre foi um caminho muito natural na minha vida. Cresci nesse ambiente sem pensar muito se era isso que eu queria ou não. Só quando completei 35 anos e comecei a fazer análise que me questionei se estava na profissão certa. Mas aí já não adiantava mais (risos). De alguma forma, eu fui expandindo meus horizontes. Hoje, além de atuar, também escrevo e dirijo algumas produções.

OF: Além de atuar, você também canta e dança. Acredita que o ator precisa dessas outras vertentes para ser considerado um artista completo?

MP: A dança, o canto e até a música me ajudam a entender o ritmo da atuação. Eu estudei 10 anos de piano, desde a teoria musical até a prática, e isso me enriqueceu como atriz. Do balé, eu trago o conhecimento corporal e uso muito isso em cena. E o canto me ajuda a manter a voz preparada tanto para a tevê quanto para os espetáculos em que atuo. Acho que cada ator encontra seu caminho e esses foram os meus.

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