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26/06/2020 | 11h43m - Publicado por: Caroline Huertas | Foto: Reprodução / Instagram

Mateus Solano e Thiago Fragoso relembram beijo em novela

Atores foram os primeiros a protagonizarem um beijo gay na TV Globo

Mateus Solano e Thiago Fragoso relembram beijo em novela - Reprodução  / Instagram

Mateus Solano e Thiago Fragoso entraram para a história da TV Globo por protagonizarem o primeiro beijo gay da emissora. Isso aconteceu entre seus personagens Niko e Félix, na novela Amor À Vida, em 2014. 

Em entrevista para a revista Quem, os atores relembraram o momento e contaram que essa ideia surgiu de uma exigência do próprio público, que alterou o caminho da trama. 

"A cena do beijo foi cercada de muita expectativa. Primeiro, o Felix não foi construído para terminar bem, ele era um vilão e terminaria como tal. Porém, houve um caso de amor tão grande com o público, que ele foi obrigado a se regenerar na segunda metade da novela. Foi aí que surgiu a ideia de juntá-lo com Niko. Me lembro bem da primeira cena em que gravamos juntos e o Maurinho Mendonça, diretor, me chamou e disse que a cena era para ver se o casal 'ia colar com o público'. E colou. O público torceu muito pelo casal. E torceu tanto que começou a exigir um beijo, afinal um casal que não se beija em uma novela tem algo errado", contou Solano. 

"A gente sabia que era algo importante e que ficaria para a posteridade. Havia muito cuidado para a gente não errar, essa cena era aguardada há muitos anos. Se você pensar em como a novela está no DNA do brasileiro, de uma certa forma, toda a comunidade LGBTQIA+ estava fora desse fenômeno. A gente queria corrigir essa miopia", completou Fragoso. 

A cena do beijo era tão incerta, que nem os próprios protagonistas sabiam se de fato iria ao ar ou não. Mateus Solano contou que Walcyr Carrasco, o autor, deixou tanto o momento em segredo, que até no roteiro ele estava oculto. 

"A novela ia se aventurar pela primeira vez a mostrar que dois homens ficarem juntos não era uma coisa errada e ia fazer isso da forma mais explícita possível. No dia em que chegou o roteiro, também foi muito divertido, porque Walcyr não tinha escrito que os personagens se beijavam. No lugar do beijo no roteiro, tinha um monte de asteriscos. Foi tudo muito escondido. Mesmo no dia da gravação, nós não sabíamos se a cena iria ao ar", falou o ator. 

Thiago Fragoso disse que nem sabiam se iria rolar o beijo de fato, mas trabalhavam todos os dias para que acontecesse, e o 'ok' definitivo da emissora para a cena ir ao ar veio apenas minutos antes da exibição do capítulo. 

"A gente não sabia se seria possível fazer o beijo, mas trabalhávamos todo dia: Mateus, eu, Maurinho e Walcyr, para que a história encontrasse um respaldo tamanho no Brasil a ponto de podermos realizá-lo. O Maurinho deu o ok definitivo de que a emissora aprovara a cena somente alguns minutos antes da exibição do capítulo. Mas eu confesso que só acreditei quando vi no ar", comentou o ator. 

Na entrevista, Solano também relembrou que várias versões do beijo foram gravadas e mostradas para Manoel Martins, chefe do departamento artístico da Globo na época, até que ele aprovasse um deles. 

"Foram gravados beijos diferentes e apresentados ao Manoel Martins. Ficaram com o beijo que chamamos de 'Tarcísio e Gloria', uma homenagem aos primeiros beijos das telenovelas, já que seria o primeiro beijo icônico, de fato, entre dois homens em uma telenovela também", contou. 

A cena fez tanto sucesso, que é considerada pelos atores como um grande marco na carreira, e também foi muito bem recebida pelo público. 

"Lembro da sensação de 'grito de gol' e de muita gente me dizendo que, nas ruas, foi ouvida aquela comemoração do beijo que coroava o amor entre dois homens em um país extremamente homofóbico e intolerante", destacou Solano. 

"Por mais que eu tenha feito muitos sucessos, nem sempre o nosso trabalho tem uma representação social tão forte. Eu acho que essa cena fica na mesma prateleira que O Clone, onde abordamos a dependência química, e Lado a Lado, onde abordamos o fim da escravatura e seus impactos na constituição da sociedade brasileira no final do século XIX, princípio do século XX", opinou Fragoso. 

A representatividade foi tamanha, que os artistas contaram que até hoje recebem mensagens da comunidade LGBTQIA+ sobre a importância da cena. 

"Foi uma cena muito importante para mim, para um amadurecimento da emissora e para a discussão da aceitação das diferenças, portanto, para toda a comunidade LGBTQIA+. Recebi muitas mensagens emocionantes de filhos que voltaram a falar com os pais e, até hoje, ainda recebo um tipo especial de abraço, que já sei o que quer dizer, quando o fã me olha no olho e diz: 'preciso te agradecer'. Eu já sei do que ele está falando. Felix foi a realização máxima do meu trabalho de artista, que consiste em fazer o público se divertir, refletir e, quiçá, mudar a sua maneira de ser e estar no mundo", avaliou Mateus Solano. 

"O retorno foi incomensurável. Poder dar voz à tanta gente não tem preço. Muitas pessoas entraram em contato para agradecer. Eu fiz questão de focar no caráter do personagem e não em sua sexualidade, queria fazer aquela pessoa boa que todo mundo quer como amigo. Um homem que sofria com o sofrimento alheio e comemorava a felicidade do outro. Conseguimos! Até hoje me emociono em saber que muitos se assumiram para suas famílias usando a novela como ponto de partida", completou Thiago Fragoso. 

 

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