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06/04/2021 | 07h00m - Publicado por: Ester Jacopetti, colaboração para OFuxico | Foto: Divulgação/Fábio Audi

Mel Lisboa relembra Presença de Anita e diz: ‘Como seria uma refilmagem da série?’

A atriz conversou com exclusividade com o OFuxico

Mel Lisboa relembra Presença de Anita e diz: ‘Como seria uma refilmagem da série?’ - Divulgação/Fábio Audi

Presença de Anita irá completar 20 anos em agosto e o OFuxico aproveitou para entrevistar a atriz Mel Lisboa, para relembrar essa história que marcou toda uma geração, e discutir sobre como a trama seria vista nos dias de hoje. Além disso, falamos também sobre vacinação, desigualdade, teatro e novela.   

Presença de Anita

Quem assistiu Presença de Anita lembra do fim trágico da personagem, que é assassinada pelo amante, personagem vivido por José Mayer. Um crime passional. Questionada se há espaço para esse tema na dramaturgia, considerando os crimes de violência contra as mulheres, Mel respondeu:

“Nós temos que olhar para Presença de Anita como uma obra que foi feita há 20 anos. O Brasil de 2001, não é o mesmo de 2021. O mundo não é o mesmo. Houve muitas mudanças, na verdade, eu fico pensando: Como seria uma refilmagem da série? Porque a questão da violência contra as mulheres, o feminicídio, tudo isso existe, infelizmente, inclusive aumentou durante o isolamento. É um assunto que deve ser abordado sim. Mas como abordar? Como você escreve e filma esse texto? Se houvesse uma série com a mesma coluna vertebral, haveria algumas mudanças, sem dúvida nenhuma, lapidações para que a história se encaixasse nos desejos, nas expectativas de um expectador de 2021.” 

Presença de Anita foi protagonizada por Mel Lisboa e José Mayer

Em paralelo a série, Lolita, um romance clássico do russo Vladimir Nabokov, recebeu inúmeras críticas por retratar um romance entre um homem mais velho e uma criança, entretanto, o livro se tornou um dos mais vendidos.

“O livro, Presença de Anita, do Mario Donato, é anterior ao livro do Nabokov, mas ele se tornou um clássico mundial, filmado duas vezes no cinema. Eu li Lolita e de fato é bastante chocante, mas é esse o lugar que a gente tem que pensar na arte, de acordo com o seu contexto. Quando o Manoel Carlos escreveu Presença de Anita, embora ele tivesse se baseado no livro do Donato, é claro que havia também essa referência de Lolita, porque é o que ficou no imaginário da sociedade. É possível fazer uma comparação, mas há um cuidado, embora seja uma obra de 2001, a personagem é maior de idade, o que faz uma diferença muito grande. No caso da Lolita, o livro é narrado pelo professor, por este homem mais velho que se apaixona por uma criança de 11 anos, e fala sobre sua própria pedofilia. É um caso muito grave. Mas em termos estéticos e estruturas da história, há semelhança”, explicou.

Cara & Coragem
 

Com um novo trabalho na televisão, a atriz está escalada para a próxima novela das sete, Cara & Coragem, na Rede Globo, onde interpreta uma vilã na trama.

“Eu faço a Regina, par do personagem do Ícaro Silva, um casal de vilões. A meu ver a diversão do ator em fazer um vilão, é o fato de que ele escancara o que a gente tenta esconder, ele não tem pudores de agir e falar. De certa forma, é um pouco hipnotizante pra gente que vive em sociedade, evidentemente, tendo que respeitar regras e agir de certa forma, e quando você vê um vilão, você reprime suas ações, seus pensamentos, acha um absurdo, mas ao mesmo tempo te seduz. O vilão expõe, escancara a sua personalidade. É sedutor. Estou falando por mim, não sei como é para cada ator. Você pode se divertir fazendo personagens variados, e às vezes um personagem que é divertido pra mim, não é pra outro ator ou atriz. É muito particular”, disse a atriz, que acredita que as gravações serão retomadas no final deste semestre. 

 

Mel Lisboa conversou com exclusividade com OFuxico

Vacinação e sentimentos na pandemia

“Eu sou completamente a favor da vacinação. De uns tempos pra cá, pelo menos a população brasileira está mudando, com a intenção de se vacinar. Muitas doenças foram erradicadas no Brasil e no mundo por conta de campanhas de vacinação. A ciência a favor da saúde pública. Está mais do que comprovado a eficácia de todas elas, essa seria uma solução para frear a pandemia que está causando uma tragédia no mundo, mais especificamente no Brasil, porque a situação é de calamidade total.”

“É como você falou, uma montanha russa de emoções, mesmo. De um ano pra cá eu passei por muitos momentos, uns mais tranquilos, outros mais desesperada, esperançosa, ansiosa, mas também de me encontrar com a minha família, com o meu companheiro, com os meus filhos. Eu estou há um ano em casa, com exceção de pequenos trabalhos, pontuais, você começa a ressignificar, esse é o verbo, em relação a tudo, aos laços afetivos, ao trabalho, a forma como você lida com a sua casa, com o mundo, tudo isso passou por um momento de mudança, com altos e baixos, todo mundo está passando por isso”, explicou. 

Desigualdade e feminino

Cada vez mais evidente, a pandemia revelou as desigualdades sociais, e mais ainda sobre o empoderamento feminino, que é burguês e elitista. 

“Essa pergunta é um pouco complexa de responder porque não seria o meu lugar de fala. Eu prefiro deixar aqui que há feminismos e feminismos, mulheres e mulheres, em situações muito adversas e díspares, e que as necessidades são diferentes. Por exemplo, uma mulher de classe média, branca, CIS, (cisgênero) como é o meu caso, um primeiro passo é o reconhecimento dos seus privilégios, e o exercício de alteridade, empatia, sororidade, pensando numa irmandade às mulheres. Isso é o que eu tenho a dizer. De resto, prefiro não me aprofundar neste assunto, e deixar para quem vive essas realidades”, argumentou.

Teatro-Cinema e Cultura 

Com a pandemia, surgiu também um novo formato de fazer teatro, e a atriz já experimentou esse novo método e falou sobre a discussão: é teatro ou audiovisual?

“Eu faço parte deste movimento por conta da criação solo do espetáculo Madame Blavatsky, que foi feito em pandemia, em casa, remotamente. São possibilidades diante das adversidades. Há uma discussão se é teatro ou audiovisual, claro que ela deve ser debatida, na minha opinião, não é teatro, é outra forma de se expressar, é uma performance dramática, com linguagens híbridas, uma solução para um período de confinamento. É a solução de um problema que abre uma série de outras portas. É muito saudável do ponto de vista artístico, criativo. Independente do nome que a gente vá dar, são expressões artísticas necessárias para este momento. Digamos que os teatros voltem, essa porta que se abriu não se encerra e vai servir de pedal para que outras linguagens surjam.”

Mel Lisboa está repleta de projetos

Com uma carreira construída também no teatro, Mel lamentou a atual situação da cultura no país. 

“Nós estamos passando por momentos muito graves no país, o fato da cultura que já teve um Ministério e hoje é uma Secretária Especial da Cultura, dentro do Ministério do Turismo, já fala por si o que está acontecendo neste momento. A cultura não poderia ser desassociada da educação. O que é um país sem cultura? O que é um povo sem cultura? A cultura é fundamental para o desenvolvimento, para o pensamento crítico, para o senso estético. Quando você tira a cultura, a educação das pessoas, é mais fácil manipulá-las, porque elas não têm embasamento, não tem senso crítico, elas são levadas indiscriminadamente, sem refletir, sem criticar, sem questionar. O questionamento está dentro da cultura, da arte, dos movimentos artísticos. Eu espero que em breve a situação melhore. Que possamos florescer novamente com a cultura rica que este país tem, e que possa ser valorizada e não perseguida.”

Sucesso com a série Coisa Mais Linda, Mel garante que ainda não sabe se haverá uma terceira temporada, mas projetos é o que não falta para a atriz.

“Alguns projetos serão lançadas: A série Fome, Correspondentes Quarentenades, uma apresentação de Madame Blavatsky que foi adiada algumas vezes por conta dessa fase mais grave da pandemia, mas a princípio será no final de abril, eu tenho um podcast - A Ciência Como Ela É – A Saga de Carlota, serão dez episódios, tem também Olho de Vidro, muito interessante. Farei parte do Festival Feminino, que também precisou ser adiado, mas deve se confirmar no início de maio”, concluiu a atriz que também está fazendo faculdade de letras na PUC.





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