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20/11/2020 | 03h00m - Publicado por: Larissa Mariano | Foto: Lucas Motta

Thiagão sobre Turma do Pagode: 'Nosso som é para todo mundo'

Em entrevista ao OFuxico, o músico comentou com exclusividade novos planos do grupo e relembrou momentos da carreira

Thiagão sobre Turma do Pagode: 'Nosso som é para todo mundo' - Lucas Motta

O grupo Turma do Pagode é amplamente conhecido e um dos mais consagrados do gênero no país. Com mais de 20 anos de estrada e muita bagagem, a formação que conta com Leiz (tantã e vocal), Caramelo (banjo e vocal), Rubinho (pandeiro), Thiagão e Neni (percussão), Marcelo TDP (cavaquinho), Leandro Filé (violão) e Fabiano Art (surdo), foi criada em 1994 e atingiu grande notoriedade após os anos 2000.

Contando com milhares de discos vendidos, diversos shows em todo País e muitas parcerias, Turma do Pagode atravessa gerações e traz a alma da festa em diferentes contextos e situações, seja para falar de amor, da vida ou simplesmente de alegria. Em entrevista exclusiva ao OFuxico, o músico Thiagão comentou sobre a mudança no trabalho do grupo durante os tempos de pandemia com a Covid-19 e relembrou momentos importantes da carreira, além de falar de sua perspectiva e sentimentos frente a tanta história e experiências incríveis durante a trajetória da Turma do Pagode. 

Trabalho na quarentena 

Durante quarentena prolongada em 2020, qualquer plano de show teve de sofrer alterações e adiamentos, fazendo com que diversos grupos e cantores tivessem que se adaptar à nova realidade. Thiagão explicou como foi para o grupo de pagode, tão famoso por levar a festa onde vai, conseguir encontrar novas formas de produção neste cenário:

“Foi muito complicado, eram coisas que não estávamos habituados a fazer. No começo de Abril começamos a entender tudo que estava acontecendo e pensar em formas de continuarmos a abastecer nosso público de outra maneira. A primeira ideia foi de lançarmos um EP chamado Versões, com músicas que não são do Turma do Pagode, nem do ritmo de pagode e samba. Esse foi nosso primeiro trabalho no começo da pandemia, e foi muito legal porque a galera curtiu muito. Depois disso, pensamos:’Opa, tem condições da gente se reinventar’. E aí vieram as lives. Começamos a entrar nesse jogo e fizemos três lives, uma completamente diferente da outra, seja em relação a cenário, músicas e etc. A primeira foi mais acústica, na beira da piscina, e essa live também teve um EP, o primeiro. A segunda é a desse EP que estamos lançando agora, e foi em um condomínio. A galera ficou na sacada, cantando, então foi muito legal porque teve público, mesmo que a distância, nas sacadas. Nós também fizemos a primeira live drive in do Brasil, em Piracicaba. Foram experiências diferentes, formatos diferentes, mas sempre buscando levar algo novo para o público. A galera estava sentindo nossa falta, e nós deles, então tentamos mostrar algo novo em que as pessoas pudessem sentir a gente de alguma forma.”

As diferentes gerações que escutam Turma do Pagode

Falando em popularidade, é impossível não conhecer pelo menos um dos sucessos da Turma do Pagode e não se pegar cantando junto algum hit do grupo, seja com Lancinho, Pente e Rala ou Camisa 10. Com mais de 20 anos na ativa, o conjunto atinge um público de diferentes idades, regiões e gostos, o que também explica o sucesso contínuo e a constante ativa do grupo nas paradas.

“Cara, ouvir isso, saber desse alcance é muito legal. A turma do pagode canta para diversas gerações, e o que fez com que a gente conseguisse isso foi a nossa mente aberta. Nós nunca fomos restritos a uma coisa só, sabe? Nunca quisemos trabalhar só com algo específico e apenas um estilo. Todo mundo é bem vindo, cada um do seu jeito. Esse espírito de integração que temos facilita, e no quesito musical, nós já gravamos com Arlindo Cruz, e também com o Fundo de Quintal, com Kevinho, Rael, Aviões, Henrique e Diego. Isso torna o grupo muito popular, porque você agrada diversas pessoas, e  talvez faça com que diferentes gerações gostem de Turma do Pagode, o que  para gente é fantástico, porque é difícil renovar o público, a marca pode ficar algo tradicional com muitos anos, e isso dificulta. Mas nós temos essa sorte de subir no palco e cantar coisas diferentes, e agradar pra caramba, isso permite uma maior integração entre as pessoas e nossa música. Todo mundo é bem-vindo.”, comentou Thiagão.

Thiagão sempre foi familiarizado com a música, já que toda sua família sempre esteve estritamente ligada com a área, o que ajudou no processo de desenvolvimento profissional do músico, que falou de suas referências e inspirações durante a entrevista:

“Falando por mim, eu mesmo vim de uma família de músicos, mas não do samba. Meu irmão é baterista, meu tio também, um irmão meu é de escola de samba, meu pai é super ligado com música e bem eclético. Sempre cresci com muita musicalidade, e desde pequeno gostava muito de samba, pérola negra, fundo de quintal, brandão. Quando estourou o pagode dos anos 90 eu curti muito e aquilo foi um mix de referências, com Exalta, Negritude e outros artistas. Então foi uma mistura, a galera da velha guarda e o pagode dos anos 90 foram as maiores referências, e aí a gente fez um mix.”

No grupo, o músico faz a percussão junto com Neni. 

“A percussão é propriamente o ritmo do samba, por exemplo, o pandeiro já mexe com a pessoa e já faz dançar. O pandeiro, tamborim e cavaquinho, tá formado então, é o rítmo do gênero. Esses instrumentos são genuínos de samba. Reco-reco, pandeiro, são usados desde o início. Se tiver só eles já é samba. Óbvio que no show tem vários, mas os principais são eles, e nós trazemos estes instrumentos como forma de destaque.”, explicou o artista.

O samba no Brasil

Sabemos que o samba e o pagode são ritmos genuinamente brasileiros, mas muitas vezes são subjugados, já que o brasileiro não tem um olhar de muita valorização sobre sua própria cultura, infelizmente. Isso ocorre por diversos motivos sociais e históricos, mesmo que ambos os ritmos sejam os maiores representantes da nação exteriormente. O integrante da Turma do pagode também opinou sobre o assunto:

“O samba é o ritmo brasileiro, o que mais representa, mesmo que outros gêneros estejam melhor comercialmente, mas no exterior é o ritmo mais associado e que representa genuinamente o brasil. O pagode, pra cultura, a contribuição é enorme. Mesmo que as letras não sejam tão complexas, porque são mais uma brincadeira, a riqueza é muito grande. Se formos pegar Cartola, Arlindo Cruz, as letras são mais complexas liricamente, mas é tudo uma questão de conjunto. Nos desfiles de cada escola você aprende sobre um tema, você estuda, sobre algum assunto polêmico ou político. A música abre a mente para determinadas situações, e o samba é a cultura popular brasileira, e traz isso de várias formas.”

Além de ser um forte expoente do gênero no País, o grupo também mescla bastante a mistura com outros estilos, um de seus outros pontos fortes, que proporciona uma disseminação ainda maior do trabalho musical da Turma do Pagode. Dessa forma, os fãs são dos mais variados tipos, e tem música para quem gosta de mpb, funk, forró, rap e etc.

“A turma do pagode sempre fez isso, nossa primeira participação com outro gênero foi em 2004 com o rapper Talib, e nós cantamos uma música do Djavan. A sensação é muito legal, você mistura estilos e trabalha com pessoas que às vezes você é fã e vice versa. É uma experiência muito boa, vendo como o outro interpreta, e ainda traz novos públicos. Já trabalhamos com Mc Guime, Rael. Você agrega e nós não temos nenhum tipo de divisão. Hoje em dia é impossível você só ter um gênero na sua playlist e esses hits conjuntos são integrações entre público. Antigamente, existiam rádios que só tocavam um tipo de segmento, e hoje em dia elas tem que abrir um pouquinho mais. Eu vejo como algo muito importante essa troca, e o público é a forma mais viva de mostrar uma resposta democrática de se fazer música. Se a música for boa, pode chegar todo mundo, não tem preconceito.”, disse Thiagão. 

Falando do contraste entre a alegria da festa e as músicas que às vezes trazem temas tristes sobre amor, traição e saudades, o músico ressaltou a importância da música em diferentes momentos e situações, e contou como o grupo organiza a temática de cada trabalho: 

“Acho que toda música vai de momento, né? Vão ter algumas que são mais sérias, de reflexão, outras de brincadeira, uma festa. Outras para você pensar em um amor antigo, uma briga com a namorada. A música é passional, feita para o coração. Ela traz várias sensações, alegria e tristeza. A Turma do Pagode tem várias músicas românticas mas também alegres, temos de trazer diferentes contextos. Acho que é natural, quando gravamos, alternamos entre tantas românticas, alegres e etc. O pagode está em todas as situações porque o samba é um ritmo brasileiro que sempre vai estar presente. Seja romântico ou alegre, é um equilíbrio que tem de acontecer de forma natural. 

Principais Momentos

Todo grupo, banda ou cantor tem um momento na carreira que se torna o famoso momento divisor de águas, e com a turma não foi diferente. O percussionista comentou sobre qual foi o episódio mais marcante para ele no grupo, lembrando show no Credicard Hall em 2012, e também falou dos próximos planos futuros que a Turma do Pagode já está trabalhando:

“O DVD do Credicard Hall foi um divisor de águas na nossa carreira. Esse DVD é um dos que tem músicas que deram gás, foi literalmente um divisor, tem um antes e depois dele. Tem lancinho e vários outros clássicos da gente. Acertamos no repertório, a emoção passou para o DVD, lotou, e foi algo muito novo e doido. Emoção à flor da pele. Ali foi onde a chave virou. Para o futuro temos o dvd novo, que se chama Turma do Quintal, e tem o cenário de um quintal mesmo, ficou muito bom, as pessoas vão curtir pra caramba. A gente pretende fazer a turnê com esse DVD, e nossa agenda já está praticamente cheia, a galera tá otimista em relação a vacina e a gente pretende levar esse trabalho para muitos lugares. Sem a vacina não podemos fazer muitos planos, mas nosso ideal mais próximo e real é esse, levar esse DVD para o Brasil inteiro.”, comentou o músico esperançoso.

Por fim, o integrante do grupo agradeceu o carinho dos fãs e deixou uma afetuosa mensagem sobre o que toda sua trajetória e apoio do público representaram até aqui:

“Eu queria dizer para todo mundo que a Turma do Pagode não somos só nós oito,somos eu, você, meu amigo ali da rua que escuta, o porteiro do meu prédio que ouve. Turma do pagode é festa, alegria, então sintam-se como um integrante da Turma do Pagode. Nosso som é para todo mundo ouvir, e proporcionar momentos de celebração. Todo mundo faz parte da Turma do Pagode.”, encerrou Thiagão com emoção.

Recentemente, o grupo está divulgando o EP TDP. Live Show Vol. 2, que conta com faixas gravadas durante a Live do Condomínio, gravado na Zona Norte de São Paulo.

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