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Alexandre Nero: ‘Fiz a novela e não lembro, esqueço a história e até nome de personagens’

Divulgação/TV Globo

Quando Império reestrear na segunda-feira (12), na faixa das 21h, na Globo, Alexandre Nero será um dos mais ávidos telespectadores. Para o ator que interpretou o protagonista José Alfredo de Medeiros, o Comendador, não lembra quase nada da trama. 

“Sou um desmemoriado real na minha vida, pra tudo. Eu realmente não lembro do nome do personagem, da história. A gente está reestreando a novela e vou pegar como expectador”, disse ele. 

Durante a coletiva on-line com alguns atores da trama, realizada na tarde nesta terça-feira (06), o ator curitibano destacou que só não esquece das festas. 

“Fiz a novela e não lembro. Se perguntar detalhes, não lembro. Mas me recordo muito da alegria, das festas. Mas peculiaridades, a história mesmo, não me recordo. Se eu que fiz não me recordo, imagino que o público também não recorde”, afirmou. 

Mas um segredo ele guardou e lembra muito bem: aparecia em cena com a aparência dez anos mais velha. 

“Ninguém nunca soube. Eu e o Papinha combinamos de guardar isso. As pessoas, no set, comentavam que eu estava acabado. O bom é que agora vão me ver com a cara 10 anos mais jovem! Minhas fotos no Instagram estarão ótimas, vão dizer que rejuvenesci”. 

Lilia Cabral relembra dia em que foi esquecida no alto de um carro alegórico na Sapucaí

Personagem grotesco

Apesar da memória curta, Nero reconhece que uma característica marcante do Comendador é bastante delicada de lidar nos dias atuais. 

“Ele era grotesco, tosco, hoje tenho receio de falar isso. Ele passou dos limites do imaginário da ficção. Mas as pessoas tinham um encantamento por ele”, destacou. 

Alexandre destacou que o personagem só amolecia o coração quando o assunto era a filha Maria Clara, papel de Andrea Horta. E a filha desaparecida, vivida por Leandra Leal, também o deixou mais maleável. 

“Essa filha esquecida o transformou, foi mais um pedido de socorro, os homens são inseguros”. 

Eu, o Comendador

Ao viver o primeiro protagonista de sua carreira, a primeira coisa que Alexandre Nero disse e acreditou piamente foi que não ia dar certo. Mas se enganou. 

“O Comendador virou um fenômeno maluco. As pessoas se fantasiavam, tinha romaria na minha casa. Eu não morava como um ator global e virou um negócio louco”, contou. 

“Recebo mensagens do mundo inteiro, até hoje. No início foi complicado, pensei: ‘serei eternamente Comendador’. Com o tempo desapeguei e acho um barato. Depois que vi uma pessoa chamando o Fagundes de ‘Rei do Gado’, quem sou eu pra não querer ser chamado de Comendador, não tem problema nenhum”, afirmou. 

“Se tudo que eu fizer eu passe a não poder distanciar do Comendador e não poderei fazer um nordestino, não poderei te bigode. Não tem como fazer. Há uma limitação não só física quanto intelectual, há um leque de possibilidades, o Comendador sou eu, ele faz parte de mim. O Comendador está muito mais no olho de quem vê do que em mim. As pessoas fantasiam uma imagem”, finalizou. 

Relembre o personagem

Dono de um verdadeiro Império – a rede de lojas Império Jóias. Frio e certeiro nas decisões da sua vida pessoal e nos negócios, o Comendador é um homem de temperamento difícil. Vive às turras com a esposa e filhos – menos com Maria Clara, a filha do meio. Só usa preto e esconde um passado cheio de mistérios e surpresas. 

“Uma das curiosidades que as pessoas comentam dessa volta é que muitos esperam que mude o final, não gostaram muito”, disse ele. 

“Não se sabe se ele  morreu e reencarnou, ou não morreu. É a cara da loucura do Aguinaldo, morreu ou não morreu, é espírito, foi fingimento, enganação. Acho maravilhoso deixar aberto”.