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Carla Diaz sobre viver Suzane Von Richthofen: ‘Me distanciei da história real’

Elektra/Divulgação

Do Vale à Pena Ver de Novo ao horário nobre da TV Globo, Carla Diaz e o público tem a oportunidade de revisitar dois personagens da atriz, um ainda na infância quando tinha apenas dez anos de idade em Laços de Família e, outro já mulher, ou melhor um mulherão, em A Força do Querer onde encarna Carine, uma personagem voluptuosa.

Em entrevista exclusiva ao OFuxico, a atriz relembrou esses personagens, mas também contou sobre os desafios de viver Suzane Von Richthofen em duas versões no cinema: A Menina Que Matou os Pais e O Menino Que Matou Meus Pais. Além de outros projetos, claro. 

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Cinema e Televisão

Vivendo na pele de Suzane Von Richthofen, presa por planejar e executar a sangue frio a morte de seus pais, Carla nos contou como foi o processo de criação desse personagem real e intrigante.

“Foi complexo mesmo, uma grande oportunidade artística acima de qualquer coisa. Dei um passo para trás, me distanciei da história real e tão chocante. Se eu me deixasse levar pelo meu julgamento, seria um grande erro e não deveria aceitar fazer esse trabalho. Os filmes se baseiam nos depoimentos. Eu precisava fazer as cenas com verdade, sem mostrar qualquer tendência de opinião pessoal. Eu estudei muito, li muito. Vi filmes, conversei com profissionais e me mantive um pouco mais isolada, em especial antes de filmar algumas sequências”, disse.  

Já na televisão com personagens mais leves e fictícios, é possível reconhecer Carla ainda no começo de carreira, mas também já crescida.

“Eu até hoje não conheci um ator que não fosse crítico com o próprio trabalho. Mas eu sou muito dedicada e, mesmo criança, levava a sério a minha profissão – embora não encarasse assim esses trabalhos. Sabendo disso, olho para essas personagens com carinho e generosidade. Com alegria, sobretudo. Mas eu não tenho muito o porquê de me remoer em relação às escolhas daquela época, em entender o que me levaram a fazer a cena de um jeito ou de outro. Toda a minha trajetória foi de muito aprendizado e continua sendo”, respondeu sobre analisar as cenas. 

Com personagens variados na carreira, Baseado Em Amores Reais, disponível no Globoplay, Carla encena ao lado do ator Jessé Scarpellini, um romance entre um casal, onde há começo, meio e fim, em formato de videoclipe.

“Foi a primeira vez que fiz o projeto inteiro de um EP, cujo resultado se aproxima de um curta-metragem. Eu adorei a experiência. Tudo o que me desafia, que me proporciona algo novo na minha profissão me encanta. Eu já era fã da dupla, (Mar Aberto) por isso quando o convite apareceu, fiquei ainda mais feliz. Mesmo com cenas em um formato diferente, as referências estavam todas na letra e na melodia das músicas. Olhei para o projeto como um todo, todas canções juntas, para construir uma narrativa e ter um norte que me guiasse na hora de contar a história desta personagem”, explicou. 

Na trama o casal enfrenta as dores e as delícias de viver um amor, e pessoalmente a atriz respondeu como lida com essas emoções. Se é mais centrada ou emocional.

“Acho que estou no meio do caminho. Mas quando o assunto é relacionamentos, não tem muita regra e acho que sou capaz de ir de um extremo ao outro, dependendo da situação. Sou emotiva e passional, mas mantenho meus pés no chão. Sou o tipo de pessoa que, na maioria das vezes, não resolve investir numa relação que logo de cara dá sinais de que não é legal ou saudável. Sou defensora de ter sempre um bom diálogo e gosto de manter a leveza em todo o meu redor. Mas quando o sangue esquenta – e não acontece com frequência – eu deixo transbordar”, concluiu. 

Carla Diaz conversou com a reportagem de OFuxico

Recomeço

Plena, Carla completou 30 anos no último dia 28 de novembro. Feliz, ela comemora não só a data, mas a mulher independente que se tornou, os trabalhos que têm conseguido lançar, mesmo em meio a pandemia, e o fato de estar em duas reprises na televisão, mas tudo isso vem carregados de reflexões sobre o que o tempo trouxe para a sua vida.

“A pandemia nos obrigou a fazer esse movimento de uma maneira bem intensa. Acho que isso aconteceu com muita gente. Eu me vi sem saída, fiquei mais introspectiva e fazer um balanço das coisas foi uma consequência disso tudo. No meio do caminho, tive que cuidar da saúde e passei a valorizar ainda mais as coisas mais simples da vida, mas que sem elas perdemos a identidade e a força para seguir em busca de novas conquistas”, disse. 

Diante de um nódulo na tireoide recém descoberto, Carla está em paz consiga mesma e hoje sua filosofia de vida é a simplicidade, mas também priorizar os cuidados com a saúde.

“Esses acontecimentos todos mexeram sim comigo. Ainda é tudo muito novo e estou na fase de respirar aliviada por ter passado por uma cirurgia bem-sucedida. Foi tudo tão intenso e repentino, que escolhi encarar de frente, sem perder tempo e com fé. Talvez eu tenha outra resposta se voltarmos a nos falar no ano que vem, por exemplo. Mas uma coisa já mudou: a gente leva uma vida muito corrida e deixamos passar coisas importantes. Autocuidado nunca deve ser deixado para depois”, pontuou. 

Família e Pandemia 

Carinhosa e apegada a família, Carla sempre que pode divulga vídeos e fotos com sua avó que tem Alzheimer. Porém, em tempos de distanciamento, durante a pandemia, Carla tem feito de tudo para preservar a avó.

“Foi muito sofrido. E está sendo ainda… Por mim, pela minha mãe e por ela. Mas sabemos que, se quisermos ter momentos felizes com ela, precisamos deste isolamento. Precisamos sacrificar datas como aniversários e comemorativas em prol da saúde. Precisamos entender que esse cuidado vai ajudar a fazer com que estejamos mais seguros em menos tempo. O jeito é arrumar uma saída para matar as saudades, para se fazer presente, mesmo que à distância, na vida das pessoas que amamos”, declarou. 

Raiva, ansiedade, medo, angústia e expectativa foram alguns dos sentimentos que o isolamento trouxe para algumas pessoas, perguntamos a Carla o que ela sentiu e sua resposta foi a mais sincera possível.

“Tudo isso, junto e misturado, e alguns tantos outros que eu nem sei explicar. Às vésperas de começarmos a fazer o isolamento social, eu me preparava para lançar os filmes. Um projeto que recebeu toda a minha dedicação durante meses, no ano passado. E de repente, a frustração de guardá-los de volta, sem muitas definições sobre como estaria o cenário nos meses seguintes. A pandemia em si mexeu demais com as pessoas. Um enorme medo de algo ainda tão novo. Informações desencontradas, pessoas adoecendo e perdendo vidas, negócios quebrando e muita gente passando necessidade. A incerteza é um convite para a ansiedade ir às alturas”, argumentou. 

2021

Em meio às incertezas profissionais, muitos artistas tiveram seus filmes e projetos adiados para 2021, e o começo do ano ainda é uma incógnita, pelo menos até que toda população esteja vacinada. Carla tem planos, mas faz mistérios sobre: “Ainda é cedo para contar. O momento é de amadurecer alguns projetos. Ainda temos que lidar com a pandemia, ela não acabou. E muita coisa depende disso também, sobre como vamos reagir nos próximos meses. Agora estou lançando o documentário, Metamorfose, que tem me deixado muito grata por saber que as informações estão chegando a quem precisa”, disse a atriz que planeja passar as festas de final de ano em casa.

“Com a minha mãe e o meu cachorro. Planejo agradecer por estar com saúde e pedir que tenhamos dias melhores, com mais esperança e força para vencermos a pandemia”, finalizou.