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Chitãozinho e Xororó contam: ‘Nosso combustível é a música e sempre vai ser’

Divulgação

No dia 18 de abril, Chitãozinho e Xororó apresentaram pela primeira vez juntos a música “Pássaros” durante o "Domingão do Faustão", da TV Globo. O lançamento da dupla, que já está disponível em todas as plataformas de streaming, representa o sentimento de liberdade e encontro com quem amamos. Devido a pandemia, a gravação da faixa foi feita de modo separado, contando com uma nova dinâmica para a música antes mesmo que Chitãozinho desse sua voz para a produção. Isto porque o projeto “Karaokê do Xororó” permitiu com que fãs pudessem cantar junto a Xororó suas novas criações antes mesmo dos singles serem lançados.

Durante entrevista coletiva realizada nesta quarta-feira (12), a dupla, que é consagrada com enorme importância na música sertaneja brasileira, contou um pouco mais sobre o processo criativo de “Pássaros”, questões acerca dos 50 anos de carreira e como se adaptaram à nova realidade com a pandemia de Covid-19.

 

Processo de criação 

“Depois de um ano de tanta tristeza e dificuldade para o país e o mundo, com a gente só podendo ficar em casa, a música veio de uma forma muito simples. Eu estava na fazenda em um momento de descanso, bem antes da pandemia, coisa de três anos atrás. Olhei para o céu e vi um gavião fazendo um voo e pensei: ‘Nossa, que vida demais, a liberdade de poder ir e vir para outro lugar’. E a música tem muito disso, de levar a gente para onde quisermos. E de repente me veio a ideia da música, de pensar como seria se eu fosse um pássaro apaixonado. Comecei a escrever a ideia da letra no celular, não parei de escrever durante dois dias.  Fizemos uma música à distância, sem falar, com nosso produtor sem ver a letra e eu sem ver a melodia. E acabou se tornando uma das músicas românticas que eu mais gostei dentro de toda minha história e carreira.”, contou Xororó. 

Chitãozinho também ressaltou sua alegria com a nova canção:

“Essa música caiu no meu colo, fiquei emocionado ao ver o Xororó cantando. É impactante, então depois foi só botar a voz. Uma música como essa não é sempre que a gente encontra por aí.”

 

Quarentena e o clássico "Evidências"

Além disso, os cantores também comentaram sobre como estão lidando com o isolamento social dentro da quarentena e como seguem com suas respectivas rotinas em casa.

"Sempre gostei muito de ficar em casa, então para mim não teve problema nenhum. Graças a Deus temos condição de segurar a onda e a gente leva a vida com muito equilíbrio. Fico maratonando séries e quando posso vou para a fazenda em Goiás, onde  descanso, aproveito o sol e curto a natureza”, declarou Chitãozinho.

Já Xororó se mostrou contente ao falar de um de seus hobbies favoritos desde a infância: a marcenaria!

“A música sempre foi meu principal alívio em todo o tempo.Fora a atividade de marcenaria, fazer brinquedos e consertar coisas, que é algo que eu tenho comigo desde pequeno, fazia brinquedos para as minhas irmãs, bonecas e etc. Minha rotina é fazer exercício, tenho uma academia aqui em casa graças a Deus, e eu faço diariamente. Sempre faço de manhã, meu exercício é sagrado. Mas minha brincadeira preferida sempre foi a música.”

Como de costume, a dupla sertaneja também relembrou com carinho uma de suas músicas mais marcantes da carreira. Afinal, não importa onde, quando e porquê, todos sempre sabem e estão prontos para cantar “Evidências”.

“Essa música chegou para nós na época do vídeo cassete. Ouvíamos tudo em fita cassete. Estávamos indo de Campinas para São Paulo ouvindo um cassete com várias músicas que Zé Augusto mandou para gente. E então ele falou: ‘Estamos mandando uma música que já foi gravada, mas não da forma certa, e queria que vocês gravassem. Ela já tinha sido gravada por Leonardo Sullivan. E quando ouvimos pela primeira vez foi paixão à primeira vista. E não estávamos errados, porque é um sucesso até hoje”, recordou Chitãozinho.

“Encaixou como uma luva. Eu tava na fazenda quando ouvi pela primeira vez. E não tínhamos dúvidas quando fomos para o estúdio, e me lembro de ouvir o teclado com aquela introdução e pensar: ‘Essa aqui vai dar um bom barulho’. Vamos conseguir chegar em paradas. Mas óbvio que não íamos imaginar que ela ia durar por tanto tempo e se tornar tão importante pra nossa carreira”, completou Xororó. 

Os sertanejos também foram bastante incisivos sobre a importância do distanciamento social e do cumprimento das normas da OMS (Organização Mundial de Saúde) com a pandemia do coronavírus.

 “Faz mais de um ano que não saio de casa para fins de lazer, nem pra fazenda eu fui. Já tomei a primeira dose e estou esperando a próxima pra poder sair sem medo. Chitão também já tomou a primeira dose”, declarou Xororó.

 

Brasil, arte e a crise do coronavírus 

Sempre antenados, tanto Chitãozinho quanto Xororó estão constantemente atentos com o que está acontecendo no mundo, tendo então a capacidade de levar sua música a diferentes públicos de maneira com que muitos sentimentos sejam abordados. Inclusive, os artistas também comentaram a atual situação política do país e a importância da arte no no momento em que estamos vivendo:

“Em um momento desses, a música ajuda demais. Perdemos recentemente uma pessoa muito importante que mexeu com o país de uma forma muito grandiosa, que fazia todos rirem, que trazia alegria. E o que seria de momentos como esse sem a arte?”, questiona Xororó ao citar a recente perda de Paulo Gustavo, que faleceu devido complicações causadas pela Covid-19. 

“Continuo sempre com máscara, álcool em gel, defendendo sempre o distanciamento, sem aglomeração e tudo mais. Vamos esperar o momento certo de aglomerar com show, porque precisamos disso. Vamos esperar o momento certo, quando tudo isso acabar e todos forem vacinados. Porque sentimos falta, sim, do olho no olho, da emoção transmitida no palco. Mas é preciso esperar com cautela”, também alertou o cantor.

Sobre música e sentimento, a dupla explicou como “Pássaros” também dialoga com o difícil momento pandêmico e amores que podem sofrer com empecilhos para se verem através da distância da quarentena. 

“A música transporta a gente. A história foi bem construída e acho que ela traz muito essa sensação, por meio da linguagem do passáro, de transportar a gente pra perto de quem amamos, ainda mais em um momento em que às vezes isso se torna muito difícil. Espero que embale muitos corações e possa aproximar as pessoas por meio da arte”, contaram os irmãos.

Carinho dos fãs 

Para finalizar, os famosos concluíram a conversa desejando muita força e amor para todos que os acompanham há tanto tempo e agradeceram por tamanho carinho dentre seu público:

“Esperamos continuar passando mensagens de amor, leveza, que os pássaros continuem voando. O convívio com fãs, amigos, jornalistas, isso é o mais importante para nós, não tem nada maior. O convívio com quem ama nossa música. A música não tem fronteiras, quando ela é boa, independente do gênero, ela toca. E somos felizes em continuar fazendo isso”

Lembrando que a dupla pretende continuar com o lançamento de faixas inéditas, inclusive contando com uma nova parceria ao lado de Junior, filho de Xororó.