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Cláudia Raia relembra casamento com Alexandre Frota: ‘Devaneio delicioso’

Reprodução Instagram

Disponível no Globoplay, a novela “Sassaricando”, exibida na Globo originalmente em 1987, traz de volta o talento de Cláudia Raia na pele da hilária Tancinha. Embora não tenha sido a protagonista da trama de Silvio de Abreu, a personagem roubou todas as atenções da história e alçou a atriz ao estrelato.

“Considero a personagem um turning point (ponto de virada) na minha carreira. ‘Roque Santeiro’ tinha feito sucesso, mas eu nem sabia o que estava fazendo ali direito. Um dia, cruzei com o Silvio nos corredores da Globo. Eu não sabia quem era, e ele veio falar comigo: ‘Sou autor e estou escrevendo uma personagem para você na novela das 21h. Vai ser um grande sucesso na sua carreira’", lembrou ela em entrevista ao jornal O Globo.

“Agradeci, mas não entendi muito bem. Depois, quando já tinha texto, fui de ônibus, porque não tinha grana, para São Paulo. Fiquei dias indo às feiras no Brás. Fiz meu laboratório e ali começou todo o meu trabalho de prosódia, que depois desenvolvi melhor”, contou a atriz, que estava escalada para a novela "Além da Ilusão", mas deixou o elenco para atuar em série baseada na obra de Nelson Rodrigies.

Ficção x realidade

Na época, Claudia era casada com Alexandre Frota e eles atuavam juntos na novela. Em sua biografia, lançada no ano passado, a atriz definiu o casamento, que durou de 1986 até 1989, como um "devaneio adolescente" e contou que, em algumas ocasiões, chegou a jogar as roupas do ator na rua e trocar a fechadura de casa. Nos bastidores de "Sassaricando", no entanto, o clima entre os dois era de muita sintonia.

“Nós fazíamos muito sucesso, muito mesmo. Éramos tipo o casal da vez. Ele sempre foi comprometido com trabalho. E a gente era do mesmo núcleo, então, às vezes facilitava e às vezes, não. Mas era o auge no nosso casamento, dava tudo certo”, disse ela ao jornal O Globo.

“Naquela época efervescente dos anos 1980, auge das revistas de fofoca, a gente acabava sofrendo um pouco com essa interferência. Misturava Claudia Raia e Alexandre com Beto e Tancinha”, recordou.

A atriz, contudo, enfatizou que foi impulsiva quando decidiu se casar pela primeira vez.

“Uma pessoa que se casa com 18 anos não pensa. Eu digo que foi um devaneio, mas foi um devaneio delicioso. Me apaixonei e casei, ninguém colocou uma faca na minha garganta me obrigando, muito pelo contrário. Não me arrependo, faz parte da história da minha vida”, garantiu.

Se eu não tivesse tido um relacionamento conturbado na juventude, talvez não tivesse tido um casamento que durou tanto depois, e não tivesse chegado até aqui, com o Jarbas (Homem de Mello, seu atual marido). Foi a construção de um caminho”.

Cláudia ressaltou que ambos eram imaturos e, ao contrário do que parecia, ela era muito tranquila.

“Eu tinha 18 anos, ele, 20. Então, até que durou muito, quase cinco anos. As pessoas me veem assim, muito livre e alegre, mas eu sou do interior. Tenho essa questão dicotômica.  Ao mesmo tempo que tenho esse meu jeito, tive uma formação tradicional, de gostar de casar, de ter casa”, disse.

“Mesmo nos anos 1980, nunca fiz as loucuras da época. O pessoal ficava pulando de boate em boate. Eu já era bailarina, muito disciplinada, não bebia, só água. Chegava às festas, me jogava um pouco na pista e ia embora”.

Mãe de Enzo, de 24 anos, e Sofia, de 18, ambos do casamento com Edson Celulari, a artista garante que os apoiaria caso também quisessem se casar cedo. Vale destacar que o primogênito namora Bruna Marquezine.

“Cada um tem sua história. Uma grande paixão não tem idade. Essas coisas têm que ser vividas, não posso dizer se está na hora, porque cada um tem a sua. Quando os filhos crescem, a gente fica ali dando apoio. Dou minha opinião se eles quiserem, mas as escolhas são deles”.

“E eu tenho que me adequar, me adaptar e entender os motivos deles. No fim, qual a diferença de casar com 18 ou 27 anos se aquilo foi absolutamente importante para eles? Minha filha está indo estudar nos EUA, com 18 anos. Eu fui com 13. Não sei como minha mãe deixou, eu talvez não conseguisse. Tive a sorte de ter uma mãe que entendeu. Quem escreve a nossa história é a gente. É uma questão muito individual”, afirmou ela.

Difícil de emplacar

Cláudia revelou que, apesar do estrondoso sucesso de Tancinha, não foi nada fácil cair no gosto popular com a personagem tão pitoresca.

“No começo, a personagem foi rejeitada, diziam que era chatíssima. Silvio meu disse: ‘Não mude uma vírgula’. E ele estava certo. Foi um processo muito bacana, a criação em cima de uma simplicidade mesmo. Ela era um furacão, absolutamente feminista. Batia nos homens e, ao mesmo tempo, era sexy e ingênua. Uma coisa meio Marylin, alma de criança e invólucro de mulherão”, recordou.

A atriz destacou ainda que a chegada de tramas antigas ao Globoplay pode atrair novos públicos.

“Acho muito legal porque o público jovem está se interessando pelo que a gente fazia lá atrás. Isso não significa que que agora não é bom e antes era. Mas acho que, antes, tínhamos uma dramaturgia mais coesa, digamos assim. Sem interferência da internet, sem a rapidez do streaming, que pulveriza um pouco a TV aberta. Embora eu acredite que ela ainda sobreviverá muitos anos justamente porque o nosso DNA é a teledramaturgia”.