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Eduardo Moscovis chora ao lançar ‘Veneza’ com protesto político

Eduardo Moscovis de blusa preta e óculos

‘A briga de resistência é dolorosa, somos honrados’, afirmou o ator (Foto: Reprodução)

Parte do elenco do filme “Veneza”, novo projeto cinematográfico do multifacetado Miguel Falabella, se reuniu com jornalistas de diversos estados brasileiros, para a realização de uma coletiva de imprensa virtual.

O encontro online ocorreu na tarde desta terça-feira, 15 de junho. OFuxico esteve presente.

Além do diretor da obra, estiveram conectados os atores: Dira Paes, Carol Castro, Eduardo Moscovis, Danielle Winits, Caio Manhente e Roney Villela. A protagonista da história, Carmen Maura, a Gringa, deixou um recado especial.

“Se eu fosse você não perderia o filme”, sintetizou em um vídeo pré-gravado.

Atores no set de filmagem (Mariana Vianna/Divulgação)

Na história, a personagem vivida pela artista espanhola deseja reencontrar o homem que amou no passado. A idosa é dona de um bordel no interior do Brasil. Mesmo cega e muito doente, ela insiste em realizar seu último desejo: ir até Veneza para pedir perdão ao amante que abandonou há décadas. Para levá-la à cidade italiana, Tonho (Eduardo Moscovis), Rita (Dira Paes) e as outras moças que trabalham para Gringa, idealizam um plano com a ajuda de uma trupe circense.

Elenco reunido na coletiva virtual (Reprodução)

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Emoção latente

O bate-papo foi tomado por um sentimento de emoção por conta da obra, e, sobretudo, pelo momento em que a indústria cultural vive no Brasil, por conta da pandemia da Covid-19.

Eduardo Moscovis aproveitou o lançamento do longa-metragem – que estreia na próxima quinta-feira, 17 de junho, para abrir o coração sobre as dificuldades enfrentadas pela classe artística na atualidade. Visivelmente tocado, Du se sensibilizou e foi às lágrimas, ao se manifestar.

“A gente está sendo tão massacrado, é tão doído. A briga que a gente está agora de resistência é dolorosa. A gente que é artista tem compreensão da dificuldade para sobreviver, para concretizar nossas obras e crenças artísticas”, destacou ele, com os olhos ainda marejados.

Em cena na pele de Tonho (Mariana Vianna/Divulgação)

Coincidentemente, ele estava falando diretamente do Uruguai – país onde parte das filmagens aconteceu, além de Veneza, romântica cidade da Itália.

“Diferente do que uma extrema de ódio acredita, a gente não tem uma vida boa. Não aproveitamos Veneza como turistas, filmamos bastante em três dias. A gente não tem dinheiro sobrando, nem rouba o dinheiro de ninguém… Somos muito honrados. A gente faz [trabalho] para levar o sopro de possibilidades, esperança e beleza numa obra de reflexão. Falar de Veneza é muito potente, me sinto fragilizado, mexido”, explicou.

Aproveitando o gancho, Miguel Falabella aproveitou para afagar o coração do colega, relembrando tempos nebulosos da ditadura militar.

“Eu peguei a barra pesada da censura nos ensaios, com espetáculos mutilados. Sobrevivemos a isso tudo. Aprendi a não receber o ódio. Não aceito presentes indesejáveis. Nossa missão é fazer arte, trazer sonhos para as pessoas. Isso passará e vamos em frente”, desejou.

Meninas do cabaré

As musas da teledramaturgia brasileira Dira Paes, Carol Castro e Danielle Winits embarcaram com exímio empenho, na pele de suas crias fictícias de um cabaré nos rincões distantes.

“A Rita reconhece na Gringa todos os defeitos, e a generosidade no momento em que ela a acolheu quando mais precisava. A Gringa tem um sonho que batalha até seus últimos suspiros. E a Rita é uma pessoa que não sabe sonhar. A gente sempre precisa de alguém para realizar nossos sonhos… Esse sentimento que as conecta, é incrível”, frisou.  

Carol, aliás, recebeu o prêmio de melhor atriz coadjuvante, com um Kikito no Festival de Gramado de 2019 e no Los Angeles Brazilian Film Festival.

Atriz na coletiva virtual (Mariana Vianna/Divulgação)

“Madalena é a personificação do amor. Mesmo nessa vida desgraçada que é retratada, não perde o brilho, ela tem gana pela vida. Vive um amor sem rótulo, sem gênero”, descreveu.

À época, a beldade havia acabado de dar à luz a Nina, em meados de 2017.

“Estava recém-parida. Não estava nem me vendo como mulher, e sim como mãe. Foi um renascimento. Não estou falando só da estética, do sentir mesmo. Ela [personagem] me trouxe o frescor do sonhar, foi muito mágico”, ressaltou.

Muito presente nos projetos de Miguel Falabella, Dani explicou um pouco mais, sobre a identidade de Jerusa no filme.

“Me sinto abençoada lançando esse filme, ainda mais no momento em que vivemos. Jerusa é conformada naquela vivência árida, de alguma forma, ela é feliz com aquela família”, resumiu.

Carol Castro, Carmen Maura e Danielle Winits (Mariana Vianna/Divulgação)

Trilha sonora: Ludmilla canta… Bolero?

Sim, senhor! Esqueça a Ludmilla do funk, na obra adaptada da premiada peça teatral homônima, do autor argentino Jorge Accame.

“Foi maravilhoso ela cantar outro gênero, são várias facetas, cantou lindamente o bolero. Lud foi bastante solícita, sou muito grato. Faço parte do júri no ‘Show dos Famosos’, e fiquei surpreso com o timbre, a colocação vocal, ela é muito afinada”, concluiu Falabella, ao encher a cantora de merecidos elogios.