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Gilberto Barros reclama da importação dos enlatados pela TV

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Gilberto Barros comemorou seu primeiro ano do programa Sabadaço, na RedeTV!. O jornalista, apresentador e radialistaconversou com O Fuxico e contou que ainda não se sente totalmente realizado. Falou de família, do seu maior sonho, dos programas de TV prontos que chegam de fora, mas que tiram o lugar dos profissionais brasilerios, e muitas outras coisas.

E o Leão, apelido carinhoso pelo qual é chamado, entende do que está dizendo. Ele já trabalhou como radialista e depois partiu para apresentar diversos programas na TV. Esteve à frente de Cidade Alerta, Leão Livre e Quarta Total (todos da Record), Boa Noite Brasil, Sabadaço, A Grande Chance (Band). Ao sair da Band, ficou três anos fora do ar e retornou à cena com seu Sábado Total, atualmente no ar pela RedeTV!. Com tanto trabalho, Gilberto Barros ainda garante que  não alcançou seus 100% de satisfação e que tem muitos projetos a realizar.

O Fuxico: O Sábado Total completou seu primeiro ano e ganhou mais uma hora na grade da RedeTV!. Como se sente sobre isso?

Gilberto Barros reclama da importação dos enlatados pela TV Gilberto Barros: Entre nós, que fazemos o programa, é normal. Sabe quando tem jogo de futebol e o jogador marca gol? Emntão, ele tem um curtíssimo tempo pra comemorar e voltar para o jogo. Assim é na TV, temos de ficar centrados no que estamos fazendo e, claro, comemorar trabalhando muito para fazer um bom programa. O que estou contente é que colocamos a Rede TV! nos trilhos, com um programa de auditório digno e prazeroso de se fazer.

GB: Sem dúvida alguma a TV. O rádio você senta e faz. TV é bem mais trabalhosa, exige mais da gente.

OF: E por que mudou para a TV?

GB: Não mudei, o curso da vida me mudou. Sou radialista e jornalista.  A TV foi consequência. Todo mundo pensa em estar no rádio para depois fazer TV, eu não penso assim, nem sobre projeção, nem sucesso. O radio é delicioso, impactante. TV é sofrível, tem que se sujeitar a regras rigorosas, ter uma disciplina mais forte. Tem horário. Rádio é prazer, é arte, TV é um tipo de trabalho mais apurado, tem que ter mais preparação. No rádio você mostra seu talento nato. Agora qualquer um faz rádio, entra e estraga o que tinha de mais bonito. Quem administra o rádio também não é do ramo, então, está acabando também. Vejo no interior a judiação que fazem com o rádio, e isso, infelizmente, não tem mais volta.

OF: Você parou com rádio em que ano?:

GB: Em 2002. O rádio se estragou, os radialistas estragaram ele. A TV vejo que vai para o mesmo caminho. Rádio não dá mais importância ao verdadeiro talento, isso é muito ruim. Sobrevive quem é mais sério. .A TV é maior, mais cara. A responsabilidade ou irresponsabilidade depende de quem está fazendo.

OF: Qual o programa que mais deu prazer em fazer?

GB: Geralmente o programa que a gente está comandando é o que dá mais prazer. Mas o Leão Livre foi bom, Quarta Total foi ótimo. Todos foram sensacionais e agora adoro fazer o Sabadaço.

OF: Gilberto Barros é um cara realizado?

GB: Não. E não penso em aposentadoria. Falta muita coisa ainda. Na Band minha realização chegou aos 20% . Neste momento, posso dizer que alcancei os 30%, então, ainda faltam 70% pra dizer que realmente me sinto realizado.

OF: Então, o que falta para completar os 100% de realização?

GB: Falta fazer um super programa mensal no horário nobre, um noturno diário ou semanal, um talk show bem feitinho. Tenho também dois projetos de jornalismo e um de show. É muita coisa. A TV vai deixando passar o calendário e perde sua agenda no decorrer do tempo. Todas elas, o que tem a mão é o mais fácil, é o que colocam no ar.

OF: Como assim?

GB: Existem grandes programas de TV que estão fora da grade e dizem que é por causa do auto custo, quando na verdade,e isso é falta de empenho de departamento da própria emissora. Para exemplificar melhor, vou falar uma situação corriqueira: as pessoas reclamam que não tem água na torneira e toma ágiua mineral. Elas, por um acaso checam se pagaram a conta para ter água na torneira? Arrumaram o filtro?  Não, preferem simplificar e beber água mineral, que é cara, mas bebem aquela. Sabem que podiam arrumar o filtro e sabem quanto tempo aquilo vai durar, mas preferem o mais fácil. Quantos humorísticos a Globo não deixou passar? Quantos programas de auditório esqueceram, o tempo apagou, deixou passar? Isso não é ficar velho, existem fórmulas fantásticas que estão guardadas. E por que não realizam? Desculpa de preço, gasto e aí pegam programas comprados, os famosos formatos. Isso é lamentável, menospreza o talento brasileiro. Formato é deprimente para um profissional de comunicação. Porque não fecham escolas e faculdades de jornalismo então? Usem “formatos”.  O dinheiro gasto nisso não compensa, não tem retorno, a audiência é podre, vazia, tira emprego do profissional brasileiro, poda. Não pode ser assim, poxa, coloca a produção pra trabalhar. Acho um absurdo que as emissoras, na falta de um Silvio Santos, um Gugu Liberato, um Ratinho, um Faustão, substitui por milhares de reais gastos com coisas enlatadas e colocam qualquer um para apresentar, pode ser um amigo, um afilhado, alguém que foi simpático e que presta favor, menos um profissional como estes grandes nomes e tantos outros que o Brasil tem. Verdadeiros profissionais padecem no país e nosso dinheiro vai pra fora.

OF: O que mais te dá prazer fora dos palcos?

GB: Fica fora da TV (risos). Sou muito caseiro, não faço nada, adoro assistir TV.

OF: E o que assiste?

GB: Adoro ver programas dos colegas, filmes. Por mim, assistiria filme legal o dia todo. Também passeio com minha família, viajamos juntos. Não gosto muito de sair para jantar fora, por exemplo. Adoro guiar, viajar. E quer saber? Quando estou de férias ou viajando fico pensando que as pessoas estão me chamando de vagabundo. Será? (risos).

OF: Existe ainda um grande sonho a realizar?

GB: Nunca pensei nisso, sabia? Não há nada que eu possa dizer que queria muito. Não tenho sonho. Nem canal de TV, pois isso é uma bucha, um pepino enorme. Ser dono de TV é terrível (risos), só queria se fosse apenas para ficar dando ordens (risos). Acho que meu sonho mesmo é continuar trabalhando. Isso me deixa feliz.

OF: Quando você saiu da Band ficou fora do ar por três anos. Como foi? Ficou longe por escolha ou demorou para surgir um convite?

GB: Demorou mesmo, principalmente porque estava todo dia no ar e de repente não mais. Pintaram algumas coisas sim, mas não me agradaram e até me surpreenderam de tão pequenas. Foi aí, nesse período, que entendi uma verdade que sempre falam: “você não é. Você está”. Isso acaba virando uma roda,  as pessoas pegam o que tem do lado, como disse, o mais fácil. Ninguém imagina assim “nossa tenho um super projeto, vou ligar para fulano”. O tempo passa muito rápido. Depois é que surgiu a oportunidade.

OF: O Ibope do sábado total já te agrada ou ainda quer mais? (a meta era de 5 pontos)

GB: Chegamos perto já. Isso é uma guerra insana. Muito legal.  Não pensei que seria tão insana. Gosto de desafio, de me colocar à frente desse tipo de projeto, não existe o “não, não dá”. Tem sábado, claro, que a gente arrasta, outro dou cacetada na concorrência. É gostoso, por exemplo, saber que você e outros colegas tiraram o Ibope da “grande” e dividiu. A gente, o Sabadaço, colocou a RedeTV! no mapa da audiência. Esse é um prazer que tenho. Não pra me achar, mas sim, por saber e poder fazer.

OF: Sei que sua fé é muito grande. Você tem algum ritual, algo que faça antes de entrar no ar?

GB: Claro que tenho. Quando me troco, no camarim, que aliás é mais público que a Praça da Sé (risos), quando entro no banheiro e já tomo meu banho e coloco meu terno converso com Jesus. Peço a Ele primeiro pra ganhar humildade cada vez mais. Minha ,mãe, dona Amaísa, diz uma frase sábia que carrego sempre comigo: “cai de podre”. Isso significa que a fruta cai do pé quando está podre, uma construção pode cair de podre, assim uma pessoa também apodrece. Tudo é mortal.  Então, peço humildade, peço proteção a todos. A pessoa que comunica é perigosa, pois pode ser mal interpretada ou ofender sem saber.

OF: A cura de seu pai teve muito de suas orações, certo?

GB: Sim, Muita. Meu pai, seu Gilberto (74 anos) se curou de câncer e sei que fui o instrumento dessa cura. Há anos ele teve câncer de intestino que quase o matou. Há alguns anos, teve no pulmão, nada a ver com o outro. Mas fez a cirurgia e vimos que era tudo benigno. Ele fumava muito, daí, não escapa. Mas Pedi muito por ele, implorei a Deus pela cura. E ela veio.

OF: Já que há pouco falamos de camarim, o que a gente pode encontrar no camarim do Gilberto Barros?

GB: Eu! (risos). Na verdade não tenho camarim próprio, uso o que me dão. Mas o que encontra nele são o meu pessoal, 3 ternos para escolher qual usar no dia, uma camareira, amigos sentados no sofá, geladeira com água, suco, frutas.

OF: Ainda existe um desafeto, com o apresentador José Luis Datena , que aliás até hj ninguém entendeu? (em 2009, durante um almoço em uma churrascaria, os dois se desentenderam e partiram para uma discussão e até agressão física)

GB: Não teve historia nenhuma. Ele extrapolou um limite e eu não entendi, nem quero entender. Pra mim não aconteceu nada. Não nos falamos, pois nunca mais o vi. Se encontrr acho que será tudo normal. Foi uma bobagem muito grande, que não levou à nada. Quero, de coração, que ele seja feliz, milionário. Nada contra não.

OF: Se não fosse jornalista, apresentador, o que escolheria?

GB: Radialista. Fiz Engenharia, mas Deus me livre disso.

OF: E por que fez então?

GB: Meu pai e minha mãe são professores e queriam um filho doutor. Médico eu não poderia ser, pois se vejo sangue desmaio. Daí fui para a Engenharia (risos).

OF: O que acha que está faltando na TV?

GB: Vergonha na cara (risos). Existem grandes programas, produções, os donos de emissoras precisam acordar, pois esse caso de comprar formatos, como já disse,  impede profissionais brasileiros de trabalharem e o Brasil de pensar. Nosso país tem a maior e melhor, no que diz respeito à televisão, do planeta mas infelizmente os donos dizem e caem na rotina a troco de audiência e colocam no ar qualquer coisa. Isso impede de fazer grandes programas de novo. A maré fica baixa, cai o nível de produção e de grandes sacadas, isso é triste. Faltam grandes programas, ousadia. Querem o mais fácil, faturar? Aluga. Gastar pouco é o lema? Isso é prostituir a profissão. Alguns colegas, graças a Deus, ainda permanecem no ar, honrando e levando coisas boas ao telespectador.

OF: E para nosso povo, o que falta para se ter um Brasil melhor de se viver?

GB: Governo em todos os níveis, municipal, estadual e Federal. Falta comando. A autoridade quer justificar os atos. É imposta pela mão do povo e tem que fazer o que é certo, não por ibope, nem popularidade. É lamentável ver saques acontecendo e a policia não chega rápido, e quando chega, vem com discurso falho. O governo é um desmando total, está vendo tudo e não faz nada. O povo não precisa nem depende disso. Triste, numa época de eleição, ver o mesmo cara de sempre para o povo votar. Todo ano mesmo nome nas eleições. Tem que descobrir novos líderes, gente capaz honesta. Na padaria, na cadeira do dentista, na sala de aula de escola, tem gente assim, honesta. Precisa por a mão na massa e se apresentar, e fazer. Gente que não troque voto por cachaça nem palavra bonita de promessa. O Papa fez aqui o que fez, explodiu no conceito do povo por que? Porque o povo anda carente, há uma lacuna grande e a gente deixou. Ninguém cumpre o que diz. O que se apresenta, busca luz e foco nele mesmo. Tem que fazer tudo coletivamente. Ver seu bairro e sua cidade caminhando é legal. A parte de segurança não resolveu nada, o que resolveu foi o poder paralelo. Aí, o povo fica em casa e não abre a porta e faz o que mandam. Nossa constituição não pensa, não representa ninguém, isso é terrível. É preciso arregaçar as mangas e fazer. Mas fazer direito.

OF: O que tira Gilberto Barros do sério?

GB: Mentira, armação, puxa saquice. Isso me deixa azedo. Ver gente incompetente no lugar errado. Injustiça No dia a dia, a pessoa puxa saco prejudica, não só os outros, mas também o “puxado” e ele mesmo. Volto a dizer a frase da minha mãe: “cai de podre”.

OF: Você fala bastante de sua mãe. Ela acompanha seu programa?

GB: O quê? (risos). Não só acompanha como, assim que saio do ar meu celular toca. É ela, me dando puxão de orelhas por ter falado um monte de besteira (risos). Ela, com seus 80 nos, professora de Literatura, me liga e aí começo mais uma fase após a atração:  ouvir e acatar o que ela me ensina.

OF: Tem cuidado da saúde?

GB: Sim me cuido (risos). Tá bom, me cuido um pouco. Tenho diabetes, então preciso me cuidar. Mas adoro uma comidinha (risos).

OF: Já pensou em uma cirurgia de redução de peso? Isso o incomoda?

GB: Já pensei sim… Em não fazer (risos). As pessoas me encontram e dizem 'nossa, como você está bem, emagreceu'. Tá incomodado comigo? Eu ão estou. Tenho um irmão que fez, amigos fizeram, mas eu não tenho vontade, sério. Os médicos olham pra mim como aqueles desenhos animados, que o cachorro fica babando olhando um belo frango assado (risos). Não faço. Só se um dia, realmente, chegar um momento em que eu precise. Senão, tô bem assim.

OF: Você está casado há muitos anos. Qual o segredo?

GB: Estoui com a Lâmia há 30 anos. Não sei de segredo. As pessoas falam de fórmulas. Para mim, o tempo passa, uai. Por hora está tudo bem, porque não sou avô. Não por ter netos, mas porque aí vou dormir com a avó (risos). Temos um casamento normal, uma família sólida, com estrutura, cada um sabe sua posição e há um respeito mutuo. Não estou casado há 30 porque aguentei. Ela é quem me aguentou (risos).

OF: Você está preparando um novo disco. Como será?

GB: Fiz um especial de Natal, com  a gravadora Atração, que será lançado este ano. E estou  preparando mais um disco com as Leoas (assistentes de palco do apresentador), com a produção do Márcio Rolim. Estamos em fase de fechamento do repertório.

OF: Nos dois projetos você canta?

GB: O de Natal, que será um CD e um DVD, canto e faço de tudo um pouco. Peço até desculpas ao pessoal que assistir (risos) Ele terá convidados especiais, é um projeto bonito, com roteiro. Neste, estou atrasado 1 ano, pois queria ter lançado no ano passado. Já com as meninas, é um disco para uma versão de trabalho para a América Latina. 

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