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Grace Gianoukas agradece leveza de papel em ‘Salve-se Quem Puder’: ‘Um respiro para o público’

Foto de rosto de Grace Gianoukas sorrindo

Divulgação/TV Globo

São 40 anos de carreira, muitas boas histórias a contar, muita luta, muita alegria em fazer o que ama. Com base no teatro Grace Gianoukas, de 57 anos, comemora a ótima fase na pele da divertida Ermelinda, de “Salve-se Quem Puder”, na TV Globo. Na trama de Daniel Ortiz – a única inédita no ar, atualmente, na Globo – ela divide cenas hilárias com o trio de protagonistas, Deborah Secco, Juliana Paiva e Vitória Strada, além do talentosíssimo João Baldasserini. Apesar de toda a sua imensa bagagem profissional, a artista faz questão de enfatizar o quanto aprende com cada um deles.

“Sou muito fã dos quatro! É um privilégio trabalhar ao lado deles e levar ao público um respiro nesse momento tão complicado”, disse Grace à OFuxico.

Descendente de portugueses, italianos e gregos, a atriz criou em 2001 o promissor projeto “Terça Insana”, que como o nome propõe, reunia a cada terça-feira, em São Paulo, diferentes atores interpretando variados personagens, com muito humor inteligente, fugindo de estereótipos e preconceitos. Apesar de trabalhos relevantes da TV Cultura e também no cinema, Grace só teve projeção nacional em 2016, ao interpretar a Teodora na novela “Haja Coração”. A previsão era de uma breve participação, mas a performance da atriz foi tão boa que a personagem sobreviveu a um acidente e ainda teve direito a spin-off na Globoplay da fase em que ficou desaparecida numa ilha.

“Ir para a televisão com uma personagem tão marcante fez com que o meu trabalho ficasse conhecido do Oiapoque ao Chuí”, contou.

Num bate-papo descontraído com a reportagem de OFuxico, Grace Gianoukas falou dos bastidores de “Haja Coração”, o trabalho da pandemia e planos para o futuro. Confira a entrevista!

OFuxico: É inegável a enorme simpatia do público com a Ermelinda. A que você atribui esse sucesso?
Grace Gianoukas:
“A Ermelinda tem sido extremamente bem recebida pelo público. Para mim é emocionante, fico feliz. Fiz ‘Haja Coração’, com uma personagem bem diferente e agora a Ermelinda é outra pegada, isso me deixa muito feliz por mostrar a versatilidade, que considero importante para o ator, principalmente porque venho de teatro. Ela é simples, é engraçada, mas acima de tudo não tem arrogância. É amorosa, carinhosa, emotiva, pura de certa maneira. Mesmo quando ela quer ser esperta, cai nas conversinhas. Ela é a bondade do brasileiro. A pessoa simples, mãe, dona de casa. As pessoas gostam disso e nesse momento que ela está sendo disputada está sendo bem interessante.”

OFuxico: Como você recebeu a chegada do Babu Santana à trama?
Grace Gianoukas:
“Nesse final de novela, com a entrada do Nanico, o personagem do Babu, ela está ganhando uma faceta mais adulta, porque a história dela com o Edgar (Cosme dos Santos) era uma paquera juvenil, quase infantil. A personagem ganha uma certa maturidade na questão da sexualidade e isso é muito bacana. Parece a mulher que se descobre depois de ter os filhos criados. Acho que muitas mulheres passam por isso. Tem sido um retorno incrível do público, recebo centenas de mensagens.”

“A Ermelinda tem sido extremamente bem recebida pelo público”, afirmou

OFuxico: Deu liga à personagem?
Grace Gianoukas:
“Deu liga com o Babu? Total! Pena que foi pouco tempo. A gente poderia ir longe. Rolou muito bem como rola a minha parceria com o Cosme, que faz o Edgar. E a personagem tem que aprender a lidar com cada um desses personagens diferentes e com a questão da sexualidade dela. É um desafio ótimo.”

Grace Gianoukas e Babu Santana em set de gravação
Grace Gianoukas e Babu Santana em set de gravação – Foto (Divulgação/TV Globo)

OFuxico: Você já soma quatro décadas de carreira. Ainda se emociona com o retorno do público e com o trabalho em si?
Grace Gianoukas:
“Com certeza! Pra aguentar fazer 40 anos de carreira com os altos e baixos da profissão tem que ter amor ao que faz, tem que ter sentido. Sempre que faço um trabalho que cai no gosto popular, que as pessoas ficam felizes e se emocionam, é o que alimenta. Às vezes não é nem questão de grana, é de troca. Eu posso estar fazendo bem a alguém. Sou sagitariana, cheia de idealismos, acho que como cidadã posso colaborar de alguma maneira pra tornar os dias mais leves.”

OFuxico: O texto leve, a comédia, ajuda nesse processo?
Grace Gianoukas:
“A vida não está fácil, nunca foi fácil. Além da possibilidade de eu trabalhar com drama, posso trabalhar com comédia e acho uma bênção porque sei que dá um alívio, um respiro para as pessoas. Fico muito, muito grata pela oportunidade de estar fazendo as pessoas que estão em casa em dias tão difíceis, muitas vezes relaxarem.”

OFuxico: O que mudou da Grace que iniciou a promissora “Terça Insana” para a “’Grace em tempos da pandemia”?Grace Gianoukas: “Por um lado, foi bom porque sempre trabalhei muito e às vezes não tinha tempo para mim, pra ficar em casa, pra organizar meus projetos, os textos que eu escrevo. O início da pandemia foi importante aceitei pra tentar organizar a vida. Nessa segunda fase que já terminou a gravação da novela e estávamos nessa suspensão, estamos chegando realmente num momento em que ninguém mais está segurando ficar sem trabalhar.”

OFuxico: Questões políticas…
Grace Gianoukas:
“Poderíamos ter começado a trabalhar muito antes se as pessoas que têm o poder para organizar o País não tivessem tentado tirar vantagem da pandemia com a incompetência, com falta de empatia, ganância financeira e moral. Poderíamos estar todos vacinados e estaríamos já voltando a trabalhar. O que percebo é que a vacina está demorando muito para chegar e as pessoas não estão segurando a onda de ficar sem trabalhar.”

OFuxico: E como será daqui pra frente, quais os seus planos profissionais?
Grace Gianoukas:
“Já estou começando a ensaiar projetos novos porque assim que os teatros começarem a abrir e a vida voltar um pouquinho ao normal eu preciso trabalhar. Tenho shows marcados para setembro e outubro, pretendo no início do ano que vem começar a turnê do meu trabalho, tenho ‘O Elo Perdido’, texto sobre a polarização, mas com muito bom humor sobre essa loucura que estamos vivendo. Vou fazer também ‘Estado de Grace’, em comemoração aos meus 40 anos de carreira. São várias coisas que eu escrevi, dirigido pelo Roberto Camargo. É um trabalho sobre o quanto a arte transforma, tem comédia, emoção.”

Zezinho (João Baldasserini), Ermelinda (Grace Gianoukas), Alexia/Josimara (Deborah Secco), Luna/Fiona (Juliana Paiva) e Kyra/Cleyde (Vitória Strada)
Zezinho (João Baldasserini), Ermelinda (Grace Gianoukas), Alexia/Josimara (Deborah Secco), Luna/Fiona (Juliana Paiva) e Kyra/Cleyde (Vitória Strada) – Foto (Divulgação/TV Globo)

OFuxico: Qual foi a maior dificuldade na retomada das gravações?
Grace Gianoukas:
“Não senti dificuldades porque as coisas estavam muito vivas dentro de mim, a personagem e tudo o mais. Foi só a gente entrar no cenário que a personagem já estava ali de novo, uma brincadeira que os atores desenvolvem que é muito legal, a gente fica um tempão fazendo aquilo. Não é como uma peça de teatro que é um texto fechado. Na novela, a cada semana vão chegando os capítulos e temos que adaptar para qualquer situação, então não teve dificuldade. Havia protocolos de segurança, vamos nessa, vamos fazer e eu queria era trabalhar, o tempo todo deixar os ambientes melhores. Sou feliz por trabalhar, foi tudo ótimo.”

OFuxico: Que tal a parceria com Juliana Paiva, Deborah Secco, Vitória Strada e João Baldasserini?
Grace Gianoukas: “Foi maravilhoso trabalhar com eles, cada um com seu estilo, com sua forma de ver detalhes. Aprendi muito com cada um deles, não adianta. A Ermelinda é toda maternal e eu também. Tenho um amor por esses quatro, foi uma delícia desenvolver cenas, jogar. Cada um deles me deu uma coisa muito especial. A Vitória é de uma alegria, ela tem aquele vigor da juventude, aquele olho cheio de brilho e entusiasmo com todos os acontecimentos, ela é um sopro de energia, de vida, uma menina maravilhosa. A Juliana Paiva é de uma docilidade e é jovem, também com aquele olho que brilha, ela entende as emoções profundamente de cada cena. Eu ficava observando, era como uma aula. Adoro a nossa profissão, ver o desenvolvimento com que a pessoa constrói. A Deborah é maravilhosa, sabe tudo, se formou desde criança, eu aprendi muito com ela. Incrível, generosa, brincalhona, amiga de todo mundo e não preciso falar como ela é maravilhosa atriz, fazendo tanto drama quanto comédia. E o João Baldasserini é um grande ator, profundo também, com grande sensibilidade, entendimento das cenas, gosto de ver ele concentrado estudando antes de entrar. Tenho uma admiração profunda por ele. Por tudo o que ele construiu, o que ele é como pessoa. Que felicidade a minha por ter esse quarteto por perto!”