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Jean Wyllys, campeão do BBB5, explica motivo de ter fugido da fama

Reprodução/Instagram

Não havia Instagram, publipost, engajamento, mito menos torcidas acaloradas. Fandom? Nunca nem vi! Mas em 2005, o glamour do “Big Brother Brasil” era na base da ligação telefônica e a torcida esperando os participantes na porta do hotel e dos Estúdios Globo, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Naquele ano, o reality consagrou o baiano Jean Wyllys e teve como vice-campeã a ex-miss Grazi Massafera.

Professor, escritor e ativista político, Jean saiu dos holofotes totalmente, após garantir R$ 1 milhão – valor do prêmio na época – em sua conta bancária. Jean Wyllys deixou o Brasil após ter a segurança ameaçada por seus posicionamentos políticos. Em entrevista ao podcast “Efeito Tsunami”, de Andréa Alves, ele revelou que a carreira de ativista foi o motivo de ter dito não à fama como ex-participante de reality show.

“No auge da popularidade do ‘BBB’, eu decidi dizer ‘não’ a isso e bancar uma postura de um ativista que eu era sempre. Ou seja: recuperar meu passado ativista e enfrentar essa popularidade, não ceder a essa popularidade”, afirmou.

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“Esse sou eu. E acredito que serei sempre. É esse interesse por conhecer, por saber, por me compreender. Por compreender a vida humana, a subjetividade”.

O ex-BBB5 ainda explicou o que o motivou a ter apostado na participação num programa de TV para se reinventar e defender o que acredita.

“Claro que o capitalismo e, sobretudo, o capitalismo na sua face mais perversa, que é o neoliberalismo, tende a tratar as pessoas como porcos ou como escravos a quem se nega o direito à experiência do belo, a fruição estética”, filosofou.

“E num país continental como o Brasil, superpopuloso, com muita gente pobre, com concentração de renda muito grande, com a escola e um sistema de educação pública deficitária, a televisão cumpre um papel”. 

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Apaixonado pela cultura popular, Jean Wyllys destacou que as pessoas gostam de ouvir e contar histórias. Para ele, é este o segredo do sucesso do “Big Brother Brasil”.

“Nós, seres humanos, gostamos de histórias, gostamos de contar histórias. Somos seres que fabulamos, para usar as palavras de Umberto Eco, escritor italiano. Então, a Globo entendeu isso. E as telenovelas, o folhetim”,

“Mas os folhetins eram elitistas porque demandavam que a pessoa lesse, soubesse ler. E num país de muitos analfabetos a telenovela não demandava leitura. Essa é a minha compreensão. E essa compreensão minha vem do fato de que venho daí. Eu venho daí. Sempre tive uma fome maior e busquei matar essa fome”.

“E aí eu entendo inclusive como isso impacta na gente, que está do lado de lá. Sem paternalismos e sem folclore, né? Porque tem um certo folclore na glamourização da pobreza. Não glamurizo a pobreza mas sei o quanto ela pode resistir e produzir bens simbólicos. 

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Nada de elogios

Citado por Pedro Bial como o ex-BBB mais inteligente interessante, Jean Wyllys coleciona elogios por onde passa, mas fica tímido.

“Sempre fico um pouco constrangido, envergonhado, com a coisa da leitura do currículo. Eu não sei lidar com o elogio, sabe? Que coisa curiosa. Fiquei sem graça com você lendo o meu currículo.. Ele é mérito da minha mãe (Nalva), da igreja católica, das professoras que cruzaram meu caminho e viram meu potencial”, disse.

Jean ainda citou sua homossexualidade.

“Desde muito pequeno eu desperto o interesse das minhas professoras por ser um garoto diferente. Não só porque atravessava essas fronteiras de gênero, mas também porque eu era muito inteligente e sensível. Elas prestavam atenção em mim”, disse.

“Mas esse sou eu, essa pessoa que ao mesmo tempo é uma pessoa destemida e segura do que quer fazer, não tem muito medo do julgamento, das avaliações. Por isso, corro riscos que para mim são importantes correr”.

O ex-deputado federal relembrou o momento em que decidiu participar do “Big Brother Brasil”.

“No início da minha carreira acadêmica e também na curva ascendente do meu prestígio como jornalista na Bahia decidi me inscrever no ‘BBB’. Correndo todos os riscos”, disse.