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Lumena comenta intolerância religiosa em caso envolvendo serial killer

Lumena semblante sereno

Reprodução/Globoplay

Na live “Vinho com De Luca” desta semana, Bruno de Luca recebeu a ex-BBB, Lumena Aleluia, adepta do Candomblé, e a influenciadora digital Mariam Chami, praticante do islamismo, para falar de um assunto extremamente relevante: a intolerância religiosa.

O tema nada mais é que uma forma de violência, física ou simbólica, que tem por objetivo a negação e a supressão de uma religião em detrimento de outra. É um caso de preconceito associado a algum tipo de violência em que se pretende negar a existência de religiões específicas. No Brasil, as religiões afro-brasileiras são exemplos de religiões que sofrem com a intolerância religiosa.

Logo no início, o apresentador precisou bloquear os comentários da live, após internautas começarem a xingar e praticarem intolerância religiosa contra os três participantes da transmissão.

Mariam falou um pouco sobre como pessoas adeptas de sua religião sofrem preconceito no Brasil.

“Eu conheço mulheres muçulmanas aqui no Brasil que já arrancaram os lenços delas nas ruas, que já foram agredidas. […] Eu nunca imaginei que pudesse passar por situações (de preconceito) envolvendo emprego. […] Sou nutricionista formada. Fiz um estágio em um hospital, a nutricionista chefe gostou muito de mim e eu era recém-formada. Iria ser meu primeiro emprego. Imagina, o sonho de uma pessoa que acabou de sair da faculdade conquistar o primeiro emprego… Eu estava toda empolgada, porque fui a única aluna da minha faculdade que eles iriam contratar. Eu cheguei e me falaram que já estava tudo certo pra eu ser contratada e que era só fazer a entrevista com o RH. Eu tinha feito até planos do que eu ia fazer com meu primeiro salário. Chegando lá, a entrevistadora começou a perguntar por que minha mãe usava lenço, se minha irmã usava, se eu usava. E lá eu já sabia que não seria contratada. Eu era muito nova e ainda não sabia lidar com isso, se fosse hoje, eu já rebateria, já explicaria e falaria. Mas naquele momento eu era muito imatura”, contou.

Mesmo sendo do Candomblé, Lumena compartilhou experiências que presenciou ao trabalhar acolhendo muçulmanos quando atuava como psicóloga. “Na época, que eu atuava como psicóloga, eu trabalhava acolhendo pessoas refugiadas, logo quando o Brasil recebeu um grande fluxo de pessoas. Muitas delas desenvolveram depressão por ter que lidar com esse racismo e essa xenofobia. Elas vêm para um país extremamente preconceituoso, mas saem de seus países em busca de proteção, de acolhimento, e chegam aqui passam o que passam”, relembrou a ex-BBB.

Lumena também comentou um caso grave de intolerância com o Candomblé, que aconteceu recentemente, em meio às buscas pelo serial killer Lázaro Barbosa, de Brasília, em que os policiais encontraram na casa onde o suspeito morava, em Cocalzinho, objetos que possivelmente eram usados por ele. Fotos desses itens vêm chamando atenção na internet por supostamente estarem relacionados ao satanismo. “É muito bizarro para policiais, que fazem parte de uma instituição de segurança pública, se autorizar a entrar num espaço sagrado e ainda assim associar uma pessoa que comete crimes a um espaço sagrado. Infelizmente o preconceito e a discriminação em relação as religiões de matrizes africanas é tão bizarro, que é difícil aqueles policiais entenderem e interpretarem que aquelas imagens naquele espaço são imagens sagradas. Não sei se os policiais se sentiriam tão livres e disponíveis para invadir uma igreja, por exemplo”.