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Maitê Proença sobre sucesso no digital: ‘O momento pede verdade’

Cristina Granato/Divulgação

Prestes a encerrar uma temporada memorável de O Pior De Mim, Maitê Proença fala da importância das artes para o momento que passamos e entrega boas dicas para colorir a massa cinzenta.

Em cartaz desde setembro, o espetáculo é um solo autoral, corajoso e íntimo que busca a identificação do público com a trajetória de Maitê, imersa em questões que a humanidade precisa resolver. A atração é parte do projeto Teatro Já, do Teatro PetraGold, no Rio de Janeiro, tem direção de Rodrigo Portela e a última apresentação acontece nesta sexta-feira (27), às 20h.

OFuxico: Como você encarou a estreia da peça no teatro digital?
Maitê Proença:
Ensaiamos sabendo que seria diferente de tudo, um produto criado especialmente para o formato. Uso a câmera como interlocutor, então é olho no olho com a pessoa que está em casa. Apesar de estar num teatro, não projeto a voz porque ficaria exagerado. É tudo muito íntimo. Tem uma única pessoa no público e isso é estranhíssimo, mas muitas vezes me divido entre a pessoa que está em casa e essa da plateia, porque a interação com ela também faz parte da peça. Tudo é mostrado. Inclusive, a cena começa dentro do camarim, com a preparação para a entrada no palco. 

OFuxico: Como é bisbilhotar pelo O Pior de Mim e mostrar ele ao mundo?
Maitê Proença:
Eu não ia mostrar nada disso, andava escrevendo por necessidade pessoal. Mas achei que o momento pedia verdade, esse elemento que anda tão em falta. Mas não há melodramas, ninguém até agora falou que a peça é pesada. E ela não é! Quando falo de mim é pra chegar em você. Porque entendo que, nos sentimentos primários, esses que nos tornam vulneráveis, nós somos todos muito semelhantes.

OFuxico: Qual a contribuição das artes para esse momento tão atípico?
Maitê Proença:
 Total. Não seria possível atravessar esse momento sem música, sem as séries, sem as histórias contadas nos livros, nas novelas, nos filmes. Sem a graça, o humor, e a beleza proporcionadas pelas artes. Viver não é comer, evacuar e dormir depois do trabalho extenuante e insatisfatório. Viver é sobretudo como preenchemos o tempo que sobra. 

OFuxico: Por acaso tem aí alguma dica sobre o que ler, ouvir, assistir?
Maitê Proença: Acho fundamental ler os três livros recentes do Yuval Hariri. Começando pelo Sapiens. Sugiro ouvir música melodiosa porque faz bem para o espírito (o batidão frenético deixa elétrico, mas irrita e desgasta). Adoro assistir palestras do TED sobre os assuntos que mais me tocam, como meio ambiente, história, e ciências. Lá tem pra todos os gostos e as falas não levam mais que 18 minutos. 

OFuxico: Como foi passar pela Covid? Seria importante chamar a atenção para o assunto já que ainda estamos vulneráveis ao vírus.
Maitê Proença:
Testei positivo e tive sintomas. Em um segundo exame o resultado foi negativo. Então não sei se de fato fui contaminada. Fiquei muito cansada e para conseguir funcionar, precisava me deitar e dormir de três a quatro horas no meio da tarde. Continuo me comportando com se estivesse vulnerável. Tomo todos os cuidados e praticamente não saio, a não ser para ir ao teatro e à casa de minha filha. 

OFuxico: O que você deseja para a humanidade? Quais caminhos você acha que podemos escolher para contribuir para um mundo melhor?
Maitê Proença:
A humanidade vai mal. Precisa baixar a bola e aprender a conviver e reverenciar os outros seres vivos. São tão importantes quanto nós na cadeia perfeita da natureza, e se não o fizermos agora, seremos extintos. E antes da extinção o mundo vai ficar bem feio e ainda mais difícil do que está. No plano pessoal, penso que cada um deve parar um pouco e escolher como melhorar no seu micro-círculo, parar de colocar a culpa no outro, olhar para dentro e agir a partir daí. Claro que o outro tem culpa, mas apontar o dedo não ajuda. Olhar pra dentro e se aprimorar, sim.

Serviço:

Última apresentação, 2711

20h

Duração: 60 min

Classificação: 14 anos

Ao vivo do Teatro PetraGold

Ingressos:

Online: Clique aqui

Presencial: Clique aqui
* o Teatro PetraGold abrirá suas portas com 10% da sua capacidade.

Ficha Técnica:

Texto: Maitê Proença

Luz e Concepção: Rodrigo Portela

Assistente de direção: Clarisse Derzié Luz e Nina Luz

Trilha: Marcello H

Direção de produção: Bianca De Felippes

Assistente de Produção: Renato Krueger

Assessoria de Imprensa do Teatro PetraGold: JSPontes Comunicação – João Pontes e Stella Stephany