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“Não quero contribuir para essa polarização doentia que só faz a gente enfraquecer como povo’, diz Juliana Paes

Reprodução Instagram

Nesta quarta-feira (02), Juliana Paes usou seu perfil para publicar um longo vídeo, se defendendo de críticas que sofreu por ter se posicionado diante dos ataques que a médica Nise Yamaguchi sofreu na CPI da Covid-19, no Senado Federal.

Intitulado “Carta a uma colega”, a atriz rebate acusações feitas por uma outra atriz, porém sem citar seu nome. Ela também deixou claro que não é a favor da polarização política que o Brasil vive atualmente e que não se considera nem de um lado e nem de outro do nosso atual cenário.

“Cara colega, apesar de ter sido agredida por suas palavras caluniosas, por ter sido invadida por sua mensagem de noite. Por ter sido acusada de covarde, desonesta, criminosa, eu me dispus a responder por todas as cenas que me emocionei do seu lado. Eu discordo de você sobre minha posição. Já falei publicamente sobre querer vacinas, mas eu não vou fazer isso todos os dias. Fui a primeira a pedir para que as pessoas ficassem em casa, quando você ainda nem estava tão preocupada. Mas agora eu não me sinto no direito de pedir que as pessoas fiquem sem trabalhar. Você critica a minha escolha de não militar publicamente escolhendo um dos lados políticos desse debate público, então deixa eu te falar o que eu penso.

Estamos vivendo um dos momentos mais nebulosos da história mundial. Não existem respostas para tudo que aflige a gente hoje. Ou você morre de fome ou você morre de vírus. O mundo inteiro está angustiado, está desorientado e está buscando caminhos. Aqui no Brasil o cenário se complica, pois todo e qualquer assunto é politizado. As individualidades não são respeitadas. Qualquer opinião é tomada como uma decisão entre esse ou aquele lado. É bom ou ruim. É um maniqueísmo imaturo.

Eu não sou bolsominion, como adoram acreditar quem não me conhece de perto. Tenho críticas severas a este que nos governa, por outro lado tampouco quero que governe essa oposição que se insinua aí pro futuro. Então onde estou? Eu estou em um ambiente em que não me sinto representada por ninguém. Estou em um lugar de desamparo. Te juro que tem vários brasileiros comigo nessa situação. Não apoio ideais arrogantes de extrema direita. Não apoio delírios comunistas de extrema esquerda. Quero respeito e acolhimento a todas as causas minoritárias, mas quero que isso aconteça independentemente de ideologia política. Quero respeito, equidade e empatia entre as mulheres. Respeito os apelos da agenda progressista.

Quero vacina sim, já me expus sobre isso. Quero um chefe de estado que seja elegante, diplomático nas palavras, ações, honesto. Quero uma mídia imparcial. Quero um governo liberal que respeite as liberdades individuais. Quero uma máquina pública enxuta. Quero fim de fundo partidário eleitoral. Quero saúde de qualidade, um estado democrático… tantas coisas. Mas aqui no Brasil, qualquer que seja sua opinião, sua postura, ela vai te levar para um dos lados da moeda. Não admito ser colocada em nenhum desses dois polos. Não me enquadro neles. Não quero contribuir para essa polarização doentia, estúpida, que só faz a gente enfraquecer como povo. Não nesse ambiente onde o ódio reverbera mais que as palavras de conciliação. Ou você é isso, ou você é aquilo. Ou você é gado ou é mortadela. Isso não existe! Nós somos seres múltiplos, não somos binários. Nós temos particularidades. Se eu estava mais introspectiva não é neutralidade, não é crime. É maturidade de buscar enxergar com clareza esse cenário que é pré-eleitoral.

Eu também perdi pessoas próximas, muito amadas. Também ando muito triste, sentindo com tantas mortes. Você sabe, mais do que ninguém, que foto em rede social não é a mais pura representação da realidade. Mostro minha dor por escolha, às vezes, mas eu me compadeço com quem escolhe compartilhar. Não incentivo o silêncio de ninguém, mas eu estimulo o respeito. Respeito o direito de qualquer um fazer do jeito que bem entender. Por isso eu exijo respeito na mesma proporção.

Escolho contribuir nas pautas sociais que eu defendo. As instituições que ajudo secretamente. As pautas comportamentais onde tenho a ousadia de me expor um pouco mais. É nesse território que sigo tentando fazer o que acho que é bom. Nunca cedi as pressões que não correspondessem ao meu espírito, buscando assim um pouco de liberdade. A liberdade de ser quem eu sou, por não ser ameaçada por ignorância, por aspereza… Sei quem eu sou e o tanto de amor que tenho em mim. Isso me basta e que Deus nos ampare!”, finalizou ela.

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