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Tetracampeã mundial de skate dá mega fora em apresentador

Foto: Reprodução/ SporTV

Estamos todos inebriados com o encanto da Fadinha Rayssa Leal, mas o Brasl muito se orgulha também de ter Karen Jonz, tetracampeã de skate, primeira mulher a ganhar o X-Games. Contratada pelo SporTV, ela tem dado show como comentarista.

Apesar disso, na quarta-feira, dia 28 de julho, Karen precisou reforçar sua posição de mulher vencedora e aguerrida ao corrigir uma fala infeliz do apresentador Ivan Moré. Ao apresentar a tetracampeã mundial de skate, o jornalista a colocou à sombra do marido e a classificou como ‘casada com o vocalista do Fresno’.

“Você está virando um hit, está viralizando. Você já é de um núcleo conhecido, porque é casada com o Lucas, vocalista do Fresno. Você já tem uma fama pelo nome diferente da sua filha…”, disse Moré.

Incomodada, Karen rebateu imediatamente, com a resposta na ponta da língua.

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“Não sou conhecida por ser casada com o Lucas. Sou conhecida porque sou tetracampeã mundial e primeira mulher a vencer o X Games”, corrigiu Karen Jonz.

O apresentador tentou consertar diante da invertida, mas já era tarde. Karen tem feito sucesso nas redes sociais por seu jeito despojado nas transmissões e ganhou apoio dos internautas após o ocorrido.

Família x skate

Karen contou que foi difícil, ao menos no começo, lidar com a maternidade e a vontade de andar de skate, algo que ela não via acontecer com os seu amigos skatistas.

“Eu tive bastante dificuldade no começo, porque eu queria fazer uma criação com apego, queria estar com ela o tempo inteiro e fiquei muito dividida, porque ao mesmo tempo eu queria andar, tinha muitos projetos, muitas vontade. No começo foi complicado”, disse à GQ.

A filha da tetracampeã, Sky, de 5 anos, ainda não demonstrou amor pelo esporte.

“Para ela, andar de skate ou de bike, tanto faz. Ela esnoba. Até agora eu não a vejo com uma super vontade, uma paixão. Ela trata como qualquer outro brinquedo que tá ali.”

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Bem diferente dela, que sempre se encantou pelo skate, mesmo que os pais tentassem mudar o rumo da conversa.

“Meus pais desacreditavam. Eu sempre falei que queria um skate e nunca ganhava. Me deram coisas incríveis, mas nunca um skate. Eles tentaram me enganar, mas eu não esqueci. Eu queria um skate”, contou.

Com 17 anos, Karen começou a vender bolo de banana na escola, juntou dinheiro e comprou o primeiro skate. Na época, não havia Rayssas, Letícias e Pâmelas para se inspirar.

“Não tinha. Eu era muito fã do Menino Maluquinho e comecei a andar (de skate) por causa dele, e do Bart (Os Simpsons) também. Eu não sabia nada. Montei meu primeiro skate sozinha, comprei numa loja e fui andar. Só fui conhecer pessoas (meninos) que andavam depois e meninas que andavam anos depois”, disse.

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Fera!

Karen Jonz é responsável pelo primeiro ouro do Brasil no X Games na sua categoria, skate vertical feminino.

“Depois que eu ganhei os X Games, do terceiro para o quarto mundial,  eu também comecei a me questionar porque eu estava participando de tantos campeonatos. Eu não ganhava nada, ninguém me reconhecia, o campeonato não era transmitido na TV, não era nem filmado – eu não tenho vídeos dos eventos que ganhei”

“Eles não botavam as meninas na TV, colocavam a gente para competir às 8h, sem público, porque o ginásio nem aberto estava ainda. Dei uma desanimada com relação a eventos e campeonatos, mas não com relação ao skate”, contou ela àGQ.

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O desânimo devido a diferença de tratamento entre homens e mulheres no skate virou ação.

“Quando comecei a competir não havia prêmio (para as mulheres). Depois, a premiação era baixa. Em 2006 a gente fez uma reunião com o X Games, único campeonato que tinha a categoria feminina, para tentar igualar a premiação com o masculino, e a gente conseguiu. Mas, independente da grana, se não tem o reconhecimento desestimula. Ninguém está andando para ser reconhecido, mas é inevitável dizer que isso desestimula. Por anos eu fui (competir) na força do ódio.”