Notícias às 01:00

Viola Davis relembra preconceito em faculdade americana

Reprodução/Instagram

Viola Davis abriu seu coração em uma nova entrevista ao falar de todos os desafios que enfrentou inicialmente como estudante negra de atuação na famosa prestigiosa instituição de ensino superior de artes, Julliard, de Nova York. 

Em conversa com o jornal The Telegraph, a ganhadora do Oscar, de 55 anos, falou sobre seu último filme, A Voz Suprema do Blues, que também lhe valeu uma nominação ao Globo de Ouro deste ano. 

Em A Voz Suprema do Blues ela interpreta a cantora Ma Rainey (1886-1939). O filme mostra os conflitos que viveu a famosa artista da época, na Chicago de 1927 que vivia sob a tensão de seu trompetista Levee (Chadwick Boseman) e os gerentes brancos que queriam controlá-la. 

Olhando para trás no momento que viu a adaptação para os palcos do filme A Voz Suprema do Blues, ela disse: "Era como se eu estivesse vendo um cantor famoso que eu amava em particular, embora nem sequer soubesse quem era Ma Rainey", disse. 

Davis afirma que durante seu tempo na Julliard, ela nunca interpretou nenhuma obra de August Wilson, que é conhecido por seu ciclo de 10 programas que rodeiam a comunidade afrodescendente do século XX. 

Ela continuou revelando que a razão disso é porque tinham poucos estudantes negros em sua classe, e não foram escolihidos para os programas. 

"Não posso dizer que não aprecio a minha formação lá, mas não sentia que eu pertencia àquele lugar. Era um lugar que ensinava teatro clássico eurocêntrico como se fosse a Bíblia, e para mim, como chocolate, menina com o cabelo crespo, não tinha como entrar", relembrou. 

"Para atuar em Shakespeare, ou George Bernard Show, ou Eugene O'Neill, senti que o que eu precisava era fazer desaparecer qualquer indício de que eu era negra, que de alguma maneira seria algo bom se o público pudesse esquecer que eu era negra", lamentou. 

"Ainda existe a sensação de que uma mulher precisa ser vista de certo modo, e ter certa idade para ser sexy na tela. E só as atrizes brancas podem romper essas regras. E são atrizes maravilhosas: Meryl Streep em Um Divã Para Dois, ou Diane Keaton em Alguém Tem Que Ceder. Mas não sinto que essa mesma liberdade se estende às mulheres negras, especialmente as mulheres negras ou de pele escura. Simplesmente não vejo isso", apontou. 

Filme com Chadwick Boseman

 

O ator Chadwick Boseman, que morreu ano passado aos 43 anos vítima do câncer, deixou um filme completo para ser lançado, A Voz Suprema do Blues (Ma Rainey’s Black Bottom), produzido por Denzel Washington, uma adaptação da peça de August Wilson, de 1982. 

O roteiro se passa na Chicago dos anos 1920, onde quatro músicos negros aguardam em um estúdio a cantora de blues Ma Rainey, interpretada pela grande estrela vencedora do Oscar Viola Davis, na companhia de dois produtores brancos. 

A adaptação para o cinema foi escrita por Ruben Santiago-Hudson e dirigida por George C. Wolfe. O filme deve ser lançado ainda em 2020. 

Boseman também tinha presença confirmada na sequência de "Pantera Negra", lançado em 2018. O Entertainment Weekly informou que as filmagens não tiveram tempo de serem iniciadas por conta da pandemia. A previsão de estreia era 6 de maio de 2022.

Viola Davis chora a morte de sua mãe na telinha, Cicely Tyson