Novelas às 08:00

Nos Tempos do Imperador: Saiba detalhes da nova novela das 18h

Selton Mello, Melissa Nobrega, Letícia Sabatella e Any Maia
João Miguel Júnior/Globo/Divulgação

Nesta segunda-feira, 9 de agosto, Selton Mello não somente volta à TV em uma novela depois de 20 anos longe, como a TV Globo também marca mais uma produção inédita em meio à pandemia da Covid-19. Trata-se de “Nos Tempos do Imperador”, a nova novela das 18h.

Depois de reprisar a emocionante “A Vida da Gente” (2011 – 2012), de Lícia Manzo, a emissora agora embarca na história do Brasil mais uma vez, dando continuidade aos trabalhos de Dom Pedro I em “Novo Mundo” (2017), que foi reexibida no ano passado.

Focada em Dom Pedro II, vivido por Selton, a obra de Alessandro Marson e Thereza Falcão embarca em um País pós-independência, mantendo narrativas secundárias com humor, romance e conflitos.

Guilherme Piva e Vivianne Pasmanter caracterizados para Nos Tempos do Imperador
Guilherme Piva e Vivianne Pasmanter estão ainda mais irreconhecíveis (Foto: João Miguel Júnior/Globo/Divulgação)

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No entanto, alguns cenários de “Novo Mundo” marcaram presença nas filmagens da atual trama, porém, sofreram alterações para que passassem mais veracidade conforme o tempo, como é o caso do “Palácio da Quinta”.

Outro ponto inesquecível é a “Estalagem e Taberna dos Portos”, mais conhecida como “Estalagem e Taberna dos Porcos”, pela pouca higiene de Licurgo (Guilherme Piva) e Germana (Vivianne Pasmanter). Ela estará de volta também, mas sem os donos originais no comando e ainda mais precária.

Depois de 30 anos, a gerência agora pertence a Quinzinho (Augusto Madeira) e sua esposa, Clemência (Dani Barros), que cuidam do estabelecimento em certos aspectos e mesmo “inválidos”, só pensam em dinheiro e em se dar bem em cima dos outros.

O elenco da 'Taberna dos Porcos'
A ‘Taberna dos Porcos’ ficou ainda mais precária (Foto: João Miguel Júnior/Globo/Divulgação)

UM TRABALHO DE PESQUISAS INTENSAS

Nesta nova empreitada, o maior desafio da equipe de cenografia envolveu a passagem dos anos, criando visuais de três décadas que separam as duas novelas. Sendo assim, Paulo Renato e Paula tiveram o suporte de nove assistentes e somente no trabalho de pesquisa, a equipe ficou cerca de um ano dedicada às referências da época. 

Além de livros, imagens e fotos de sites especializados, telas do pintor Thomas Ender serviram de inspiração para o trabalho estético, por ter viajado pelo Brasil a partir da chegada de Dom João VI, retratando o país em suas obras. 

“Neste período em que a novela se passa, era possível contar com a fotografia de 1860. Passamos meses esmiuçando fotos e aprofundando detalhes, que poderão ser vistos em pequenas pistas ou no fundo das cenas, o que enriquece a experiência do público”, contou Paulo.

O BRASIL EM ESTÚDIO

Com uma área de 8,2 mil metros quadrados nos Estúdios Globo, a cidade cenográfica da novela vai reproduzir as regiões cariocas da Rua do Ouvidor, da Pequena África, interligada com o Cais do Valongo, além do Passeio Público e a orla, que foi urbanizada e passou a ser frequentada na época. 

A cidade foi separada em dois espaços muito distintos visualmente: o novo, urbanizado, comercial; e o da Pequena África, empobrecido, envelhecido, antigo e colonial. O primeiro é o que Dom Pedro II gostaria de traçar para o Brasil; o segundo, representa a realidade que vinha se perpetuando.

Na trama, a estrutura urbana é ladeada por calçadas ainda de pedra e caixa coletora do esgoto pluvial e doméstico. Nesse período, com o processo de modernização, há fornecimento de gás para a iluminação da cidade, ainda que restrito a alguns pontos, como o Passeio Público e a Rua do Ouvidor. 

“Temos representações, gravuras, que dão a entender que a cidade se pretendia mais europeia, mais chique, e menos medieval. Mas, ao mesmo tempo, era tudo precário, o esgoto chegou depois da luz a gás. Era uma cidade suja ainda”, ressaltou o cenógrafo.

A época é marcada pelo início das edificações grandes e, por isso, na Rua do Ouvidor há construções de três andares, com uso misto: comércio embaixo e residência em cima, com dimensão bem próxima do real e reprodução das imperfeições encontradas nas referências. Essas edificações, aliás, ainda podem ser encontradas Brasil afora.

Pequena África 

É o núcleo culturalmente rico. “Estamos fugindo da imagem simples do negro escravizado, porque a diversidade da cultura negra nesse período da cidade era imensa. Poetas, advogados, uma pequena parcela que frequentou faculdade e teve espaço na sociedade viviam na região. As pessoas que circulavam na rua tinham uma identidade cultural muito forte, com origens em diversos locais da África”, disse Paulo. 

O cenário está caracterizado com uma pintura mais degradada, com pouca manutenção. As construções têm muitos cômodos para uso multifamiliar, semelhantes a algumas visitadas pela equipe, com lotes compridos e coloniais. Nos cenários do núcleo, haverá poucos utensílios, pois os moradores da região não tinham quase nada. Contudo, os detalhes da arte mostram a riqueza da cultura africana. 

“A ancestralidade vai estar nos objetos, no altar, na religião”, lembrou a produtora de arte Flávia Cristófaro. Ela destacou ainda o trabalho do artista plástico de Pernambuco Luís Benício, convidado para ser o ghost sculpture que desenvolveu as máscaras em madeira de Dom Olu (Rogério Brito).

A 'Pequena África' retrata a pobreza estrutural, mas uma cultura altamente rica
Cândida (Dani Ornellas) e Abena (Mary Sheyla) na ‘Pequena África’ (Foto: João Miguel Júnior/Globo/Divulgação)

Palácio da Quinta

O local onde Dom Pedro II vivia com a família ganhou uma nova roupagem, mais sóbria, pois passou por reformas ao longo dos anos.

“Atendemos à mesma estrutura familiar, em um processo de passagem de tempo. Estou levando a cabo a construção da mesma estrutura do cenário com outra interpretação, roupagem, forração, cortina e cor”, Paulo pontuou.

Acompanhando os ideais de Dom Pedro II, a Quinta recebeu um visual mais arrojado e sério, mostrando o desinteresse do imperador em gastar dinheiro à toa. Predomina a prataria gasta nos utensílios da família.

O Palácio da Quinta recebeu um visual mais arrojado (Foto: João Miguel Júnior/Globo/Divulgação)

“Tudo que compro é sempre direcionado a mostrar a austeridade do Imperador. As peças em prata, por exemplo, não são limpas, para manterem um tom escurecido”, reforçou Flávia.

Para reproduzir as peças, que até setembro de 2018 podiam ser vistas no “Museu Nacional do Rio de Janeiro”, antes do grande incêndio no dia 2 de setembro daquele ano, foram realizadas pesquisas por meio de documentos da “Biblioteca Nacional”. E para que tomassem vida, muitos objetos foram produzidos na fábrica de cenários dos Estúdios Globo. “Alugamos algumas peças, mas 70% do material foi produzido nos Estúdios”, conta Flávia.

A CONDESSA DE BARRAL

Luísa (Mariana Ximenes), a Condessa de Barral, considerada o grande amor de Dom Pedro II, vive em um palacete, onde a nobreza é misturada com simplicidade, para dar o ar de aproximação. 

“Ela recebe Pilar (Gabriela Medvedovski) e Samuel (Michel Gomes) em sua casa, sem preconceito, e isso a torna uma pessoa muito humana. Temos que conseguir mostrar luxo sem ostentação, refinamento e humanidade”, contextualizou Paulo. 

A personagem monta a decoração a partir da necessidade da mudança, com seus hábitos e gostos de nobreza clássica. Segundo a pesquisa feita pela equipe, a Condessa recebia semanalmente produtos importados europeus, como louça, prataria e móveis. O serviço na casa dela é à francesa e, por isso, há um cuidado maior com as peças e na forma de servir. Os objetos são sempre em tons dourados e têm os melhores acabamentos, com o design mais arrojado para a época.

Ao contrário da Condessa, Tonico (Alexandre Nero) é o personagem que tenta ostentar, mas não sabe usar peças caras e típicas da nobreza. Em sua casa, a produção de arte optou pelos metais rústicos, como o cobre e o estanho.

“Ele é o corrupto, vem com o dinheiro de herança do pai, mas é um cara tardio, sempre tentando fazer manobras”, descreveu o cenógrafo.

Luísa, a Condessa de Barral (Mariana Ximenes), Dominique (Thor Becker) e Eugênio, o Conde de Barral (Thierry Tremouroux) (Foto: João Miguel Júnior/Globo/Divulgação)

PANDEMIA

A produtora de arte explicou também que não houve alteração no número de itens do cenário, mas que a forma de gravar foi um pouco diferente em virtude da Covid-19

“Seguimos todos os protocolos de segurança, mas sem perder a essência da nossa trama. Em cena, às vezes, alguns objetos como livros, cartas ou mapas passariam pelas mãos de vários personagens. Mantivemos essas cenas, mas mudamos a forma de gravá-las: fazemos com um personagem do elenco por vez e, a cada troca de mãos daquele item, fazemos todo o processo de higienização. Isso torna o processo mais demorado, claro, mas não perdemos em nada ao retratar o que queremos”, explicou Flávia.

Além dos cenários nos Estúdios Globo, a trama teve gravações, antes do início da pandemia, em locações externas na Chapada Diamantina, na Bahia, para as cenas das expedições de Dom Pedro II e Teresa Cristina, e em fazendas em Barra do Piraí e Rio de Flores, no Rio de Janeiro. 

Lá, em três fazendas grandiosas, foram gravadas cenas importantes dos núcleos das famílias de Luísa (Mariana Ximenes), Tonico (Alexandre Nero) e Pilar (Gabriela Medvedovski). Nas propriedades, originalmente produtoras de café, a cenografia fez pequenas interferências para retratar uma realidade do Nordeste, em uma época mais colonial. 

“Fizemos pequenas alterações em função do technicolor, tratamento que será usado na novela. Retiramos esquadrilhas modernas e alteramos alguns tons para ficar mais adequado. Pintamos paredes e fachadas para dar um toque de vivência. Foi um desafio e uma escolha muito acertada para a questão estética da obra”, contou Paulo. Nessas casas, há uma ausência da presença feminina, pois os personagens são viúvos, como é o caso dos coronéis Eudoro (José Dumont) e Ambrósio (Roberto Bomfim). Há muito dinheiro e pouco refinamento, o que será percebido nos detalhes como a louça, que mistura porcelana e barro, e a decoração simples dos cômodos.