Quanto mais Vida, Melhor! às 08:16

‘Quanto Mais Vida, Melhor’: Conheça o autor, Mauro Wilson

Mauro Wilson

Foto: TV Globo/ João Cotta

Carioca, com 63 anos, Mauro Wilson carrega a experiência de escrever sobre tudo e mais um pouco na TV. Criou programas infantis como a novela da Angélica – “Caça Talentos” (1996) – e foi redator final da “TV Colosso” (1993) e do “Gente Inocente” (2000). Participou da criação do “Vídeo Show” (1985) e do “Domingão do Faustão” (1989). Na comédia, foi redator final do clássico “Os Trapalhões”, ainda com Didi, Dedé, Mussum e Zacarias.

Passou por “Casseta & Planeta Urgente” (1992), “Sai de Baixo” (1996) e “Megatom” (2000). Le foi ainda o último redator final de “A Grande Família” (2001).

Foi colaborador de novelas como “O Beijo do Vampiro” (2002) e “Pé na Jaca” (2006) e se destacou assinando seriados como “Sexo Frágil” (2003), “Guerra & Paz” (2008), “Os Amadores” (2005) – duas vezes indicado ao Emmy de melhor comédia, “Aline” (2008) e “A Mulher Invisível” (2011), vencedora do Emmy de melhor comédia. Com Jorge Furtado, foi redator final do seriado “Doce de Mãe” (2014), vencedor do Emmy de melhor comédia em 2015.

No cinema, Mauro assinou sete filmes de “Os Trapalhões”, além de “Zoando na TV” (1999), “Apolônio Brasil” (2003), e “Os Caras de Pau – O Filme” (2013). Mauro Wilson foi também criador e supervisor de oficinas e workshops de roteiro da Globo e integrou a equipe de supervisores da Casa de Criação, onde criou o seriado “A Fórmula” (2017), com Marcelo Saback, e a série policial “Cidade Proibida” (2017), com Mauricio Farias. Foi supervisor de texto da série “Ilha de Ferro” (2018), original Globoplay. E trabalhou no remake de “Os Trapalhões” (2017) com Péricles Barros, no Canal Viva. 

“Quanto Mais Vida, Melhor!” é a sua primeira novela como autor titular. Ele explica como nasceu a trama dos quatro protagonistas.

“A referência é o especial ‘Os Amadores’, que seria sempre a ideia de uma segunda chance. Eram quatro homens de 40 anos, que se conheciam no CTI, com a morte clínica declarada. Mas, na volta deles do além, eles tentam ajudar um ao outro. Isso é um pouco do que tem na novela, mas como eu coloquei dois homens e duas mulheres, com idades diferentes, tenho um universo maior, muito mais rico. Também comecei a misturar os núcleos deles, vai virando um mundo só, o mundo dos quatro”.

O autor destacou outras referências para criar a novela: “Tem um pouco de tudo o que eu fiz. Tem um pouco de ‘Mulher Invisível’ naquela relação do Neném (Vladimir Brichta) e Paula (Giovanna Antonelli). Tem um pouco de ‘Aline’ no personagem da Flávia (Valentina Herszage). Na família do Neném tem um pouco de ‘A Grande Família’, que eu fiz por anos. Está bem misturado. Tem influência dos autores de novela das sete que eu adoro, como Silvio de Abreu, Cassiano Gabus Mendes, Carlos Lombardi e Antonio Calmon. A minha ideia era fazer uma novela das sete que tivesse leveza, que fosse engraçada e trazer um melodrama”.

Mauro explica o porquê a novela tem muitos acontecimentos e mantém a característica de ser muito dinâmica: “Isso veio do seriado. A novela não para. Eu tenho quatro protagonistas, uma história com um, outra com outro. E eu posso fazer quatro histórias correndo paralelamente, e isso vai dando ritmo à novela. Aí quando eu junto os quatro, sempre funciona”, contou.

“Todos os outros personagens têm suas próprias histórias, não são só orelhas para ouvir o que os protagonistas falam. E não tenho um só vilão na novela, tenho vários: a Celina (Ana Lucia Torre), o Roni (Felipe Abib), a Odete (Luciana Paes), a Cora (Valentina Bandeira) … Isso também deu um ritmo legal. Não tem o grande vilão.

AMOR PELO FUTEBOL

O autor revelou o motivo de ter dado destaque especial ao futebol em sua história.

“Eu tenho uma relação profunda com o futebol. Acho que deveriam ter mais histórias sobre jogadores de futebol. Minha ideia foi contar a história de um jogador de futebol que está voltando, que foi muito famoso, teve muito dinheiro e um dia jogou tudo fora, e agora está tentando voltar da maneira mais humilde possível, no América”, iniciou.

“Meu time de coração é o Botafogo. Quando os meus amigos botafoguenses virem o jeito que eu estou tratando o Flamengo, eles vão querer me matar. Mas o Neném é popular, é tijucano, é da rua, cresceu na rua. Ele é Flamengo. E, para mim, o Vladimir Brichta sempre foi o Neném. Trabalhamos juntos em ‘Cidade Proibida’. Admiro demais o trabalho dele. Acho que é um ator que vai da comédia para o drama com uma facilidade incrível e possui um carisma enorme”.