Opinião às 10:00

Será que o Maroon 5 vai voltar a fazer música boa?

Foto da banda Maroon 5 no clipe da música Lost

Divulgação

Vira e mexe eu me pego saudosista, pensando em como “Songs About Jane” fez parte da minha vida. O primeiro disco do Maroon 5 chegou em 2002, durante o bom pop em alta, dando um toque de rock, vocais à indústria.

Mas eu só fui ouvir o álbum, de fato, anos depois. Foi como viver, ou melhor, reviver uma época em que meu cérebro ainda não guardava as informações com tanta clareza por ser pequena. Lembro que a sensação foi maravilhosa e Adam Levine era o “homem dos sonhos” de muita gente.

O projeto é responsável pelo primeiro “Grammy” da banda, vencido na categoria “Artista Revelação” na cerimônia de 2004, dois anos depois do lançamento oficial do trabalho. E olha que rendeu mais frutos. Em 2005, a icônica música “This Love” levou o gramofone como “Melhor performance de grupo ou duo”. Era a afirmação de que uma nova superbanda nascia.

Bom, nasceu, só que o principal não acompanhou a fama: a música.

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Mudança na correnteza

É difícil quem não conhece o Maroon 5, Não precisa ser fã de carteirinha, basta acompanhar os lançamentos que fica tudo certo. Singles que grudam na cabeça, marcam presença em playlists, viralizam nas redes sociais é praticamente a marca do conjunto. A questão mesmo é quando se fala de algo maior, de álbuns.

Após a explosão do trabalho de estreia, veio “It Won’t Be Soon Before Long” (2007). “Makes Me Wonder”, Wake Up Call e a inesquecível “If I Never See Your Face Again” com Rihanna marcaram o público. Ainda havia a identidade pop rock do grupo, sem o ar do desconhecido quando iniciaram.

A derrocada de vez veio com “Hands All Over” (2010). O pop dominou e somente uma faixa marcou, “Misery” (beleza, “Moves Like Jagger” também). No entanto, que dera somente a sonoridade tivesse mudado. As composições não inovaram do estilo bon vivant de Adam Levine, aquele vocalista-líder que tira a camisa no palco e ouve gritos. 

Com o “Overexposed” (2012) o Maroon 5, não apenas feliz em deixar o pop rock, invadiu o eletrônico. “One More Night”, “Payphone” e “Daylight” obtiveram bons números, até mesmo porque as pessoas estavam curiosas. Qual era a deles?

Foi uma experiência um tanto quanto caótica. Os três principais singles aparecem em sequência na abertura do disco que perde a simpatia, a força em cativar. Nem as canções “sofrência” ajudam.

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Seguiremos assim

É duro listar a fórmula mágica que define o que é música boa ou não. Porém, optar pela mesmice, pelo genérico, pelo mercadológico com certeza não ajuda. 

Abaixo a guarda para “V” (2014). É bem pop, tem ali a sua coerência. Sobrevive para além dos singles, mas deixa explícito que veio pelos números. A banda tem sua base consolidada, fãs fervorosos, consegue marcar o momento de alguma forma. Por outro lado, desenvolver um projeto raso assim é como pisar no próprio pé.

Em 2018, “Red Pill Blues” chegou e mais uma vez a crítica especializada não perdoou. É um disco com parcerias sem coesão, que perdem a potência. O Maroon 5 mostrou apostar no que está em alta para não cair no esquecimento. Aliás, até hoje a capa do álbum me incomoda.

E em meio à pandemia, “Jordi” (2021) apareceu. A ideia é ser um CD póstumo, em homenagem ao empresário da banda, Jordan Feldstein, que faleceu em 2017, durante a produção do “Red Pill Blues”. Mas não soa com a proposta.

Eles continuam a buscar relevância no que está em alta, que viraliza. “Jordi” apresenta, de novo, colaborações inexpressivas, letras fracas, bagunça! Não se trata de uma banda saindo da sua zona de conforto. É uma banda que tenta desesperadamente atrair os maiores números possíveis nos mercados.

Que as músicas boas retornem aos planos do Maroon 5!

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