Preconceito às 08:45

Rainha de bateria da Imperatriz Leopoldinense sofre ofensas racistas. Entenda!

Maria Mariá rainha de bateria da Imperatriz Leopoldinense
Maria Mariá substituiu IZA como rainha de bateria da Imperatriz Leopoldinense – Foto: Divulgação

Maria Mariá, rainha de bateria da Imperatriz Leopoldinense, afirmou ter sido alvo de ofensas racistas, após a publicação de um vídeo no qual aparece sambando na quadra da atual campeã do Carnaval carioca, durante as eliminatórias dos sambas-enredo para o desfile de 2024. A disputa aconteceu no último dia 22 de setembro, em Ramos, na Zona Norte do Rio.

Em determinado momento, a majestade samba próximo à integrantes que tocam chocalho e seus cabelos com tranças afro, se movimentam conforme ela evolui. Internautas insinuaram que a rainha de bateria estaria atrapalhando os colegas por conta das tranças.

“Incrível como essas minas adoram jogar esses cabelos de boneca velha na cara dos outros”; “Se eu fosse do chocalho, eu acenderia um isqueiro na trança dela e ela não ia nem ver de onde veio o fogo”; “Ou eu puxava essas tranças feias ou ela ia conhecer o som do chocalho”, disseram alguns internautas.

Maria Mariá se defende

A rainha, que substitui IZA no posto à frente da Suingue da Leopoldina, fez um desabafo sobre o ocorrido e recebeu apoio de muitos sambistas e personalidades do carnaval.

“Como graduanda em comunicação social, sei bem como o efeito manada na internet funciona. Os algorítmos são falhos e rápidos, alimentam quase sempre o que não deveria, mas não se pode esperar muito de algo racista, não é mesmo? Verdadeiramente, não me abala. Niguém agrada todo mundo”, declarou Maria, inicialmente.

A rainha prosseguiu: “Aos misóginos e racistas, eu estou bem! O que me preocupa e entristece é a ideia. O pensamento é muito poderoso, principalmente quando se tem a intenção de ferir o próximo. Espero verdadeiramente que meu posicionamento fortaleça cada um de vocês! O racismo é vertiginoso na nossa sociedade, infelizmente”.

Em nota, a Imperatriz Leopoldinense repudiou o ocorrido e afirmou que a escola e a rainha, por meio de seus advogados, “tomarão as medidas cabíveis contra os agressores”.

“O conhecimento e a luta contra qualquer forma de racismo, seja ele individual, estrutural, institucional ou ambiental, são pautas urgentes. Como característica singular, a humanidade nos une através da pluralidade. O Carnaval, por si só, une os povos em festa, amor e empatia. A luta para exorcizar este modo criminoso de agir e pensar é fundamental para a construção de uma sociedade mais justa e democrática”, argumentou a Imperatriz.

A Mocidade Independente de Padre Miguel afirmou: “Nós não vamos sucumbir. a estrela está com você”. Intérpretes, como Wander Pires, também prestaram solidariedade.

Rainhas de bateria também apoiaram Maria Mariá: “Ninguém imagina o que nós passamos, os nossos corres. A internet é uma via de mão dupla e ‘terra de ninguém’. Haja paciência! Você é incrível, rainha!”, afirmou Mayara Lima, rainha do Paraíso do Tuiuti.

“Não é fácil, não. Mas você tem uma força extraordinária, não se esqueça disso!”, disse Evelyn Bastos, rainha da Mangueira.

Maria Mariá vai à policia

Dante das ofensas racistas, Maria Mariá foi à Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), na terça-feira, 26 de setembro. Contudo, o expediente já havia encerrado.

Ela, que reuniu prints com os comentários de teor racista e misógino para anexar junto ao boletim de ocorrência, pretende retornar à unidade nesta quarta-feira, 27, para formalizar a denúncia. 

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