Redes Sociais às 08:40

Contra Bolsonaro, Milton Nascimento canta música símbolo da repressão

Foto: Reprodução/ Instagram @miltonbitucanascimento

Conforme OFuxico destacou, no feriado de 07 de setembro, data em que se comemora o dia da Independência do Brasil, vários artistas usaram as redes sociais para se posicionar sobre os atos que aconteceram no país. Apoiadores do presidente da República ocuparam as ruas de várias cidades com pedidos antidemocráticos e discursos contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso.

O cantor e compositor Milton Nascimento, de 78 anos, se manifestou contra o presidente Jair Bolsonaro e, em vídeo, o artista interpretou a canção “Cálice”, que simboliza a repressão durante a ditadura militar no Brasil.

À capela, Bituca entoou a música composta por Chico Buarque e Gilberto Gil em 1973 e na legenda da postagem, protestou ao escreveu “Fora Bolsonaro”.

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MÚSICA CENSURADA POR CINCO ANOS

Composta para o show Phono 73, evento realizado no Palácio das Convenções do Anhembi, em São Paulo, em maio de 1973, “Cálice” ficou proibida durante cinco anos.

No dia do show, logo que Gilberto Gil e Chico Buarque começaram cantar a música, tiveram os microfones desligados. De acordo com o baiano, a canção havia sido apresentada à censura e eles foram recomendados a não cantá-la.

Os dois haviam decidido cantar apenas a melodia, pontuando-a com a palavra “cálice”, mas isto também não foi possível. Através de metáforas e duplos sentidos, a letra fala sobre a repressão e a violência do governo autoritário.

Milton Nascimento participou da gravação original de Chico, lançada em álbum de 1978 ao lado de outras canções que falavam do período, como “Apesar de você”.

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CONFIRA A LETRA DE “CÁLICE”

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Pai, afasta de mim esse cálice, pai
Afasta de mim esse cálice, pai
Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Como beber dessa bebida amarga
Tragar a dor, engolir a labuta
Mesmo calada a boca, resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta

De que me vale ser filho da santa
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta força bruta

Pai (Pai)
Afasta de mim esse cálice (Pai)
Afasta de mim esse cálice (Pai)
Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado

Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
Na arquibancada pra a qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa

Pai (Pai)
Afasta de mim esse cálice (Pai)
Afasta de mim esse cálice (Pai)
Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

De muito gorda a porca já não anda (Cálice)
De muito usada a faca já não corta
Como é difícil, pai, abrir a porta (Cálice)
Essa palavra presa na garganta

Esse pileque homérico no mundo
De que adianta ter boa vontade
Mesmo calado o peito, resta a cuca
Dos bêbados do centro da cidade

Pai (Pai)
Afasta de mim esse cálice (Pai)
Afasta de mim esse cálice (Pai)
Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Talvez o mundo não seja pequeno (Cálice)
Nem seja a vida um fato consumado (Cálice)
Quero inventar o meu próprio pecado (Cálice)
Quero morrer do meu próprio veneno (Pai, cálice)

Quero perder de vez tua cabeça (Cálice)
Minha cabeça perder teu juízo (Cálice)
Quero cheirar fumaça de óleo diesel (Cálice)
Me embriagar até que alguém me esqueça (Cálice)

FAMOSOS PROTESTARAM CONTRA BOLSONARO E AS MANIFESTAÇÕES

Desde as primeiras horas de terça-feira, 07 de setembro, famosos começaram a se posicionar nas redes sociais sobre as manifestações pró e contra o governo de Jair Bolsonaro (sem partido), marcadas em cerca de 160 cidades, nesta data em que se comemora a Independência do Brasil.

Enquanto os apoiadores defenderam pautas antidemocráticas e convocaram as pessoas para os atos, os opositores criticaram em especial os atos em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo, que pedem, entre outras coisas, o fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF) e a intervenção militar. Uma incoerência à data, que retrata a liberdade do país.

Radicalmente contra o presidente da república e seus posicionamentos, Samantha Schumtz contestou a ideia de liberdade.

“Fora Bolsonaro, bolsominions e seu bolsonarismo”, escreveu. “Como pode pedir liberdade e intervenção militar na mesma passeata?”, questionou.

Sempre se posicionando a web, a atriz Ingrid Guimarães mostrou sua indignação:

“Nunca pensei que dia 7 de setembro pudesse ser um dia que gerasse medo. Onde chegamos”, escreveu.

Ingrid ainda respondeu a uma internauta que questionou se ela estava “em choque” devido aos atos pró-Bolsonaro: “Choque é chegar a quase 600 mil mortos, o resto vai passar”, disse.

Fábio Porchat, outro anti-governo Bolsonaro, opinou que quem apoia o presidente Bolsonaro é “ignorante ou mau-caráter”.

“Se você ainda apoia o presidente Bolsonaro em 2021 ou você é ignorante ou mau-caráter ou os dois. Não há outra possibilidade”, escreveu.

Sensualíssima, em Brasília, Renata Frissom, a Mulher Melão, fez seu protesto.

“Tenho família lá e pensei: já estou aqui e vou fazer um ensaio-protesto. O que me motivou foi tudo o que está acontecendo no nosso país. É tanta coisa ruim, mortes, pobreza, uma falta de rumo… Acho mais digno viver tirando a roupa no meu Only Fans, por exemplo, do que viver como político, que engana o povo”, disse ela, em entrevista ao Extra.

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